Seu Brasilino desce as escadas de madeira das obras da Arena Fonte Nova com alguma dificuldade, mas sem tirar o sorriso no rosto. Aos 78 anos, ele se diverte com as brincadeiras dos companheiros de canteiro que gritam: “Aê, professor, vai ficar famoso!”. Ali, ele se sente bem. “Admiro a turma. Ninguém briga, não abusam”. Trabalhando no preenchimento de lajes, Brasilino Almeida dos Santos levanta o segundo estádio da sua carreira no mesmo lugar.
Acredite, ele participou da construção da antiga Fonte Nova, que começou no final dos anos 40 e terminou em 1951. “Com 13 anos, eu vendia verduras na Sete Portas de manhã e de tarde vinha pra cá quebrar brita para a construção”, relembra. “O pessoal trazia aqueles pedras pretas lá do presídio e a gente quebrava com a marreta”.
Naquela época, seu Brasilino, o quarto de 14 irmãos, passava dificuldade. “A gente tinha uma roça, minha mãe plantava cana, mas tinha dia que não tinha nada pra comer. Ela mandava eu vir vender latinhas de brita e voltar”, conta, cheio de vitalidade.
Segundo ele, o valor pago para cada medida de pedras dava para comprar três pães. Além dele, duas irmãs e o pai também contribuíram para a construção do antigo estádio. Após a inauguração, o jovem Brasilino pegou gosto pelacoisa e partiupara outras cidades para trabalhar em outras obras. Rodou 19 anos pelo interior da Bahia e Sergipe. “Onde o gado bebia água, a gente bebia também”.
Voltou para Salvador e passou a fazer obras em casas de família. Hoje, casado pela segunda vez, com um filho de 35 anos e morando no bairro do Doron, seu Brasilino contempla a quantidade de máquinas nas obras. “Naquele tempo, tinha, no máximo, um caminhão. É um espetáculo”, diz, admirando uma das gruas. “Quando olho quase três mil pessoas e eu sou o mais velho… na outra, eu era o mais novo!”, ri.
Para ele, o novo estádio vai ficar mais resistente, já que as fundações do antigo foram feitas “cavando com a mão”. A obra acaba em dezembro, mas elenãopara. “Melhor que ficar em casa”. Brasilino até gostaria de ver um jogo da Seleção quando a Arena ficar pronta, mas a dele é outra. “Ah, meu filho, não gosto de futebol, não. Eu gosto é de obra!”.
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Casa, o ajudante de carpintaria Valdir José dos Santos, de 28 anos, ainda não tem. Mora no Nordeste de Amaralina com a mãe, a esposa e os três filhos. Mas, agora, ele sabe como construí-la. Há pouco mais de um mês e meio, tomou a decisão que mudou sua vida. Uma nova escolha, desta vez certa.
Antes, havia decidido entrar no mundo das drogas. Viciado em crack, cocaína e maconha, morava na Praça Nossa Senhora da Luz, na Pituba. “Era melhor ficar lá do que ter o desprezo da família. Cheguei a ficar preso três meses, mas parecia três anos, irmão”.
Agora, ele pode deixar de procurar comida no lixo e levar o pão para dentro de casa. Valdir trabalha nas obras da Arena Fonte Nova. Foi ‘resgatado’ por um coordenador do Movimento de População de Rua quando lavava carros na Pituba, treinado e agora ajuda a construir a sede baiana na Copa de 2014. “A rua é passado, não quero ficar nem mais uma noite nela”, garante.
Valdir sonha em ter uma casa para confortar os filhos, dos quais agora ele se sente pai. “Não ligava pra eles. Hoje, só me pedem para eu não parar de trabalhar”, diz o torcedor do Bahia, que lembra dos cerca de 15 jogos do Tricolor que presenciou na Fonte. “Quero trazer meus filhos para ver um jogo do Brasil”, revela, sentindo orgulho da obra. “Tá uma beleza. É um prêmio que me deram estar aqui”.
Matérias publicadas na edição do Correio do dia 29/03/2012
Cadillac conversível, óculos Ray Ban aviador, camisa aberta e uma bela mulher do lado. James Dean? Que nada. Esse era Heleno de Freitas (1920-1959), um dos maiores jogadores brasileiros da história. Gênio dentro dos campos, galanteador fora deles. Indomável nas duas áreas.
Parece algo comum no mundo do futebol, não fosse o fato de estarmos falando dos anos 40.
A vida desse personagem ímpar na história do país é contada no filme Heleno, que estreia nessa sexta-feira em todo o país, e tem o ator Rodrigo Santoro, 34 anos, na pele do jogador que fez história principalmente com a camisa alvinegra do Botafogo.
A combinação do temperamental jogador com o homem que frequentava os melhores cassinos, se vestia bem e era sonho de consumo das mulheres – numa época em que não tinha nada de glamouroso ser jogador de futebol -, atraiu, de cara, Santoro.
“É uma grande história, pouco explorada. São muitos elementos. Era um cara importante pro futebol que estava esquecido”, conta o ator, que também coproduziu o filme, por telefone ao CORREIO. A direção é de José Henrique Fonseca, o mesmo do ótimo O Homem do Ano (2003).
Para as mulheres
Apesar do sucesso dentro dos gramados, o filme se concentra no homem Heleno. As cenas de jogos de futebol se intercalam com romances e a fase da deterioração física.
“O filme é mergulhado no universo, fala de futebol o tempo todo, mas não é focado no jogador. É mais interessante para entendê-lo”, revela Santoro, ao afirmar que esta foi uma escolha consciente da direção. Para ele, não só os apaixonados por futebol vão curtir a obra, como também as mulheres.
“É um recadinho para os leitores do CORREIO. Não é só para quem gosta do esporte. Elas se envolvem também pelo romance, pelo personagem”, avisa, se esquecendo que ele também é atração para as mulheres. “Então elas vão ter um bônus!”, ri o ator.
Envolvimento
Apesar do lançamento do filme ser nesta semana, Santoro já está envolvido com o projeto há seis anos. Nas gravações, como ele mesmo diz, passou por momentos distintos. “A parte prazerosa foi treinar com um jogador de futebol. Sou peladeiro, então precisava melhorar”, brinca o ator, que conta, agora, ser escolhido mais cedo para integrar os times nas peladas de fim de semana.
A parte ruim foi perder mais de 12 quilos para viver o decrépito Heleno no fim da vida. Magro e irreconhecível pela maquiagem, Santoro dá show, numa atuação marcante. “Não foi a primeira vez que passei por perda de peso. Saudável não é, mas fiz com o melhor controle possível”, conta.
A performance é elogiada pelo escritor Marcos Eduardo Neves, 36 anos, autor da bela biografia Nunca Houve Um Homem como Heleno. “Eu bato palmas para a entrega dele. É uma interpretação soberba”, conta. “Me comprometi com o personagem com a mesma paixão que ele jogou futebol”, garante Santoro.
O filme não é baseado no livro. Diretor e escritor faziam projetos em paralelo e foram reunidos pelo filho único de Heleno, Luis Eduardo. “Colaborei com a pesquisa. Acabou sendo bom pra todo mundo”, revela. Para ele, as particularidades da vida de Heleno de Freitas é que tornam a história dele atraente, como, de fato, é. “Uma biografia de um Zico ou Kaká ia fazer o leitor dormir no terceiro capítulo. É muito boazinha. Com Heleno, sempre surge algo novo”, conta.
Biografia
Heleno de Freitas nasceu no interior de Minas Gerais, numa tradicional e rica família e, desde cedo, mostrava forte personalidade. Se mudou jovem para o Rio com a mãe e os irmãos, após o pai falecer. Gostava de jogar bola, mas queria ser advogado.
Só que o sucesso dentro de campo, os suspiros das meninas e a paixão pelo Botafogo fizeram o mineiro optar pelo futebol. Por paixão mesmo, já que nem precisava do salário. Abastado, tinha carro melhor que o dos diretores e gastava dinheiro em bebidas, cigarros e nos cassinos da época.
Morreu com apenas 39 anos, solitário, decrépito e falido, num manicômio na cidade de Barbacena, em Minas, vítima de sífilis. “O que ficou da essência foi que ele era movido por uma paixão muito grande pela vitória. Se tornou uma obsessão e ele acabou se perdendo no ego e na vaidade”, opina Santoro.
Matéria publicada no Correio* de quarta, dia 28/03/2012
Certos eventos a gente não pode deixar passar. Há alguns anos, Eric Clapton anunciou que não faria mais shows. Entrou num período meio sabático e parou de despejar todo o seu talento com a guitarra – e também como letrista e cantor, pra mim – ao vivo nos palcos do mundo. Pois Mr. Clapton não aguentou e voltou a fazer suas apresentações.
Assim que os shows no Brasil foram marcados, não tive dúvidas que iria. não sou o maior conhecedor do trabalho dele, mas, como guitarrista, não tem como ser admirador do que o inglês ex-Cream faz com as mãos e com a voz. Pois bem, ontem, 10/10, chegou o dia de eu conferir Eric Clapton ao vivo.
Fui no Rio, no HSBC Arena, lugar confortabilíssimo, com um som impecável e uma plateia louca pelos solos de mr. Clapton. Ele já tinha tocado no domingo e teve gente que foi nos dois shows. Comprei o ingresso para um bom local, sentado, a uns 20 metros do palco, acredito. Brinquei com um amigo dizendo que a média de idade do show era 45 anos. Muitos senhores e suas senhoras que agurdavam ver o gênio, mas também jovens admiradores.
Vamos ao que interessa. Para a minha felicidade, Eric abriu o show com Key To the Highway, uma daquelas que ele gravou com om mestre B.B. King no álbum Riding With The King (2000). Depois rolou Goin’ Down Slow e o clássico de Muddy Waters Hoochie Coochie Man. A minha maior expectativa foi logo devidamente saciada com Old Love, com um solo maravilhoso de Eric e outro do pianista Tim Carmon, com teclado que simulava o som de uma guitarra.
Depois de Tearing us Apart, o inglês sentou numa cadeira e começou uma parte acústica do show, começando com Driftin’ Blues, passando pela ótima Nobody Knows You When You’re Down And Out, depois Lazy Down Sally – meio country – e When Somebody Thinks You’re Wonderful. Tive que sair correndo pra pegar uma cerveja. Não dá pra curtir um show desse de bico seco.
Ainda mais com o que viria a seguir. Apesar de amar o riff original, Layla é linda de qualquer forma. Eric Clapton tocou-a de uma forma mais lenta e, até por isso, mais visceral, como vocês podem ver no vídeo abaixo, gravado, na verdade, no show de domingo.
Depois, Badge, e a sequencia que levantou o público com Wonderful Tonight e Before you Accuse Me. Em homenagem ao grande Robert Johnson, não poderia faltar, Little Queen of Spades, e, pra finalizar, com o refrão no gogó do plateia, Cocaine. Cinco minutos esfuziantes de aplausos e Eric Clapton volta para o bis, com Crossroads, no qual o publico das cadeiras foi todo para a frente.
Um show de qualidade absurda, mas que acabou até sendo curto, com 1h40 de duração. Faltaram algums músicas que gosto como San Francisco Bay Blues, Sunshine of your love (do Cream), Walkin’ Blues, Running on Faith e, vá lá, Tears in Heaven. O gênio inglês não se comunicou muito com os brasileiros. Muitos ‘Thank you’ e um ‘obrigado’ de leve. O público queria mais, eu, obviamente também, mas acabou aí mesmo.
Um show daqueles para contar aos netos. Longo o bastante para marcar e curto o suficiente para deixar uma vontade de curtir mais e entrar no primeiro bar de blues que encontrar. Long life to mr. Clapton!
Todo mundo que me conhece sabe que eu adoro comer. Meu pecado favorito, adivinharam, é a gula. Ganha até da preguiça, já que não tenho nenhuma preguiça de comer. Desde o dia 15 até este domingo, dia 28, tá rolando o Salvador Restaurant Week (pra quem tem condições especiais, aconteceu também entre 8 e 14). São 40 ótimos restaurantes – na maioria – com menus promocionais – e alguns exclusivos – ao preço de R$ 29,90 no almoço e R$ 39,90 no jantar. Obviamente que eu fui aproveitar.
Comecei minha empreitada pelo francês Oui, na Bahia Marina, acompanhado de nobre minha amiga Camila Jasmin, ou Japão, para os mais chegados. De entrada, nós dois optamos pelo Souffé au Fromage, especialidade da casa. textura, sabor, um deleite para o paladar. A quantidade é boa, deu até pra encher um pouco.
Como prato principal, eu escolhi o Steak au Poivre, também um dos pratos favoritos dos frequentadores do Oui. Ele vem acompanhado por batastas gratidas, que parecem uma espécie de lasanha pela concepção. Quem não gosta muito de pimenta do reino, não deve se arriscar, já que o sabor forte é típico do molho. Japão optou pelo segundo prato, da foto aí abaixo, o Filet de Sole au Champagne, criação especial do chef do restaurante, Severino Silva, para a promoção. Filé de linguado, molho champagne, lascas de salmão, purê de inhame e muito sabor, segundo minha amiga. Vale ressaltar que a quantidade de ambos os pratos foi muito boa. Já estávamos lotados e ainda falta a sobremesa.
Na sobremesa, ambos optamos pelo Cheesecake de Bailey’s. Eu sou fã do licor, então não tive nem dúvidas que ia escolhê-la. Apesar da quantidade pequena, uma fatiazinha só, deu pra nos deliciarmos. Ah, nossa bebida escolhida foi um vinho italiano Pinot Griggio, que não me lembro exatamente o rótulo. Na teoria, eu deveria beber um tinto, de preferência um cabernet suavignon, pela questão da carne vermelha. Mas Camila só curte vinhos brancos, e aí, fui nesse mesmo.
Cinco estrelas fácil pro Oui. Atendimento ótimo, ambiente excelente, nada o que reclamar. Fica na Bahia Marina, ali na Av. Contorno.
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A segunda parada foi domingo dos pais, no All Saints, em Villas do Atlântico. Tinha ouvido falar bem do local. Menos requintado que o Oui, fui tendo logo uma boa impressão do atendimento. Éramos seis – sem piada – e todos nós tivemos as mesmas boas impressões.
De entrada, fui na Bruschetta Tradizionale, aquela clássica com tomate, alho, manjericão num pão italiano. Bom sabor, talvez pudesse ficar mais um pouquinho no forno. Meu irmão e meu padrasto foram no Chouriço ao Vinho, chouriço assado, flambado ao vinho com páprica, que tava melhor.
Na hora dos pratos principais, bem avantajados, haviam três opções: Risotto ai Funghi Porcini, Calamari alla Chapa e Porco à Mediterrânea. Minha mãe e minha irmã foram no risoto, de sabor forte, porém, excelente! Meu cunhado foi no Calamari e me passou boas impressões, apesar dele ter feito uma mistura doida lá com o risoto de minha irmã.
Eu, meu irmão e meu padrasto optamos pelo porco. Três pedaços de carne com molho à base de vinho branco e tomate, acompanhados de abobrinha, berinjela, cenoura e pimentão grelhados, arroz de castanha e dispensáveis folhas de alface. O sabor estava excelente, mas a textura deixou a desejar de leve. Estava um pouco duro, talvez tenha passado um pouquinho do ponto, mas não chegou a comprometer.
As sobremesas foram panacota, uma espécie de pudim de tapioca com uma calda de morango, e um delicioso brownie com sorvete de creme.
O atendimento foi perfeito. meu padrasto até ganhou uns vinhos de presente. A comida foi ótima e o melhor de tudo é que o All Saints é um restaurante com belas opções no cardápio e bons preços. Na carta de vinhos, são opções de sete países diferentes e apenas um rótulo passa dos R$ 100. Se tiver a oportunidade, não deixe de conhecer.
Ah, para acompanhar esse almoço, escolhemos um vinho verde português, o Vinhas Altas, DOC, 2009. Leve, de aroma frutado, excelente para a comida mediterrânea e um pouco mais temperada.
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O terceiro alvo foi o Café do Forte, também na Bahia Marina. Um menu um pouco menos requintado, apesar da bela localização do restaurante. Fui e e Lívia, para um almoço (o local tem um menu diferente pro jantar).
As entradas são duas opções simples. A Saladinha Italiana é composta de alface verde e roxo, tomate seco, mussarela de búfala, molho de maracujá.. bem simples e pouco criativa. O caldinho cremoso de alho-poró estava melhor. Ao que me parece, tinha um quê de frutos do mar nele, mas não deu para confirmar.
Como prato principal, nós dois escolhemos o Medalhão de filé ao molho madeira com fettuccine Alfredo. A carne estava nota 10. Boa textura, como um verdadeiro filé, e molho na medida certa. Já o fettuccine achei um pouco sem gosto. O molho é feito com bacon,cebolinha e (bastante) manteiga. A massa me pareceu um pouco sem sal e o sabor só melhorava quando o bacon entrava em ação.
Como sobremesas, duas obviedades: pudim de leite e quindim. Não gosto de nenhuma das duas, mas provei. O quindim tinha um gosto de ovo tão forte que só aguentei a primeira colherada. Lívia tem muita mais chancela para falar, já é louca por doces, e não gostou de nenhuma das duas. Deixou metade no prato.
Para acompanhar isso tudo, fomos em sucos de Morango com Laranja, que estava muito bom, talvez o melhor do almoço. Do atendimento, não tenho o que reclamar. Foi tudo muito bom. Acho que Salvador, aos trancos e barrancos, melhora neste sentido.
Amanhã, tô querendo ir no Amado, aproveitar os últimso dias do Salvador Restaurante Week. Quem quiser saber endereços e pratos, é só conferir no site oficial do evento, que desde já recebe meus aplausos pela iniciativa: http://www.restaurantweek.com.br/default.asp?id=48
Com seu bigode alla Super Mario, René Simões chegou ao seu ponto decisivo no Bahia. O jogo de domingo é vital para sua permanência (ou não) no clube. Isso todo mundo sabe. Por mais que seja evidente o bom trabalho que ele desenvolve no dia-a-dia do clube, com treinamentos táticos e de fundamentos, a equipe não rende em campo e, principalmente, não obtém os resultados necessários.
Culpa do jogadores? Também. Mas René, um cara aberto e bom com as palavras, vem sendo cabeça dura nos jogos. Ontem, contra o Vasco, ele já entrou com uma escalação equivocada e, apesar de usar as peças certas que tinha no banco, mexeu mal.
Se a proposta do Bahia era o contra-golpe, um ataque com Souza e Reinaldo é contraditório com isso. Afinal, com essa proposta, são necessárias duas coisas: velocidade e precisão nos passes. Seria mais coerente se René utilizasse o bom passe de Ricardinho no meio e a velocidade de Lulinha no ataque, ao lado de Reinaldo.
O Bahia foi dominado no primeiro tempo porque não soube trocar passes quando tinha a posse de bola. Rifava e ela voltava ao ataque com o Vasco. Essa rapidez pegava a defesa ainda saindo, na maioria das vezes, criando um buraco entre ela e o ataque. Com a boa partida de Lomba, P. Miranda, Titi e Fabinho, o Tricolor conseguiu se segurar.
Na segunda etapa, foi nítida a melhoria na posse de bola. O Bahia também conseguiu fazer com que o Vasco ficasse zanzando na intermediária, só incomodando em chute de longa e média distância e na bola aérea. A entrada de Gabriel foi ótima, mas que deveria sair era Souza. O time ficaria mais leve exatamente quando a equipe cruzmaltina estava pregada.
Ricardinho entrou bem no lugar de Hélder, que se não foi ruim, pelo menos não comprometeu (não lembro muito dele em campo… rs). Parece que quando o pentacampeão está em campo, o Bahia inteiro pensa “vamo tocar a bola”. Coisa óbvia é a equipe crescer de produção. Houve duas boas chances de matar a partida.
Na última substituição, com Jones, era mais uma chance de tirar Souza, que deu o passe (errado) pro gol de Reinaldo, brigou com Dedé e não fez mais nada que eu me recorde. Mas nosso Ned Flanders do Fazendão referiu tirar Reinaldo, já cansado, é verdade.
O gol aconteceu numa lance complicado com direito a falta idiota de Marcone, que continua marcando com os olhos, expulsão do lateral do Vasco, falta em Lomba, o terceiro pênalti de Paulo Miranda em Dedé e muita raiva.
Se tivesse ganho, não seria nenhum injustiça. Muito se fala do ataque, mas ninguém enaltece a defesa. Caso o Bahia saísse vencedor seria porque a defesa tricolor foi melhor que o ataque vascaíno. Enquanto tem gente dentro de campo doida para fazer gol, tem gente que a missão é defender, não é? E um triunfo também é conquista deles, que não permitiram o adversário conseguir marcar gols.
Acho que no Brasil se valoriza pouco isso. O espetacular 5×4 entre Santos e Flamengo foi ótimo para os ataques, mas péssimo para as defesas, que não comemoraram nada.
Por fim, nosso dublê de portuga da padaria tem que pensar bem no que vai fazer domingo., Acho que já passou da hora de colocar Ricardinho e Carlos Alberto juntos em campo desde o início de uma partida. Para isso, acho que ele tem que fortalecer a defesa com Fahel e Fabinho, volantes de mais pegada que Marcone e Diones.
No ataque, tá na hora de, com ousadia, testar uma formação mais flutuante com Jobson e Gabriel. Reinaldo seria outra opção, mas a possibilidade de jogo aéreo é pequena já que nem Ávine nem Marcos conseguem cruzar uma bola certa. Bota um hardcore nesse time, René, tá na hora da galera se instigar pra ganhar. Ou quem vai pra roda de ponga é você.
Um dia desses, numa sexta, dei uma chegada no Balthazar Grill & Bar, ali no Shopping Cidade, no Itaigara. Uma amigas minhas já tinham ido numa outra ocasião e recomendaram o lugar, que tem uma parte mais baixa com mesas maiores e um mezanino, onde a gente fica de frente pro palco.
Quase fui à falência. A comida é muito boa, com destaque para a Bruschetta e a Batata Rosti. A primeira é pouco diferente da tradicional. Ao invés da mussarela ir logo junto do pão italiano (que lá é artesanal) e o tomate e o manjericão, por cima, ela – derretida e em boa quantidade – cobre o pão em fatias maiores. Ainda leva um pouco de salsa, que dá um toque especial. Eles oferecem também uma outra bruschetta, chilena, com salmão, presunto parma, cream cheese e outros ingredientes. Mas, particularmente, só gosto de salmão cru.
A Batata Rosti (ou algo parecido no nome) é uma batata assada, com carne de fumeiro e requeijão, bem parecida com a que antigamente era oferecida no saudoso Beni Gan, restaurantes japonês que tinha no Shop. Iguatemi. Apesar de um tanto pequena, tem um sabor daqueles. A gastronimia do Balthazar é ampla e tem muita coisa ainda para ser provada.
Nos drinks, provei um chamado Mai Tai, com suco de laranja e abacaxi, Run, Licor 43, Frangelico, Cointreau e limonada, se não me engano. A “salada”, por incrível que pareça, é leve, muito boa e, se deixar um tempinho na boca, dá para sentir quase cada um dos sabores que se complementam.
Além do rango, no Balthazar rola uma música de muita qualidade. Blues e jazz de primeira, além de bossa e MPB. Sexta rolou uma banda muito boa, o projeto de blues da cantora Candice Fiais, da Anacê, que tinha o grande CH Straatman no baixo, Ícaro Brito na guitarra, Brian Knave na batera e Juliano no teclado. Etta James, Aretha Franklin e Norah Jones, entre outros, no repertório. Excelente. Cereja do bolo! Amanhã eles tocam de novo. Deu uma vontade da zorra de ir no show de Eric Clapton, em outubro.
Dêem uma chegada:
Balthazar Grll & Bar Av. ACM, Shopping Cidade, Itaigara Tel: 3017-4343
Por trás da bola, da camisa suada – seja ela de qual time for -, dos gols, passes e títulos, do reconhecimento, dos flashes, dos autógrafos, há muita história para contar. Não só as glórias e farras, mas também as lágrimas, a solidão, a decepção e os conflitos.
A vida e obra de arte da bola de 21 dos maiores craques da história do futebol nacional foram reunidas pelos jornalistas cariocas João Máximo e Marcos de Castro no livro Gigantes do Futebol Brasileiro (Civilização/ 464 páginas/ R$ 49,90), obrigatório para quem ama o esporte mais popular do Brasil e sua memória.
Na verdade, o livro é uma reedição do homônimo (e raro) de 1965, com o acréscimo de novos jogadores. Dos 13 originais, apenas Jair da Rosa Pinto ficou de fora, por conta da falta de autorização de seus familiares.
“O Marcos é tradutor do grupo Record, aí o livro estava há tanto tempo fora de catálogo que ele sugeriu à editora que houvesse uma nova edição”, conta João Máximo, 76 anos, e mais de meio século de futebol, entre coberturas, 14 livros e o trabalho como jornalista.
Assim, o time já composto por Friedenreich, Fausto, Domingos da Guia, Leônidas, Tim, Romeu, Zizinho, Heleno, Danilo, Nilton Santos, Garrincha e Pelé ganhou a companhia de Ademir, Didi, Gérson, Rivelino, Tostão, Falcão, Zico, Romário e Ronaldo.
A primeira coisa que a dupla fez na reedição, que começou a ser realizada no início de 2009, foi pagar uma dívida com Ademir e Didi. “Após o livro sair, nós não nos perdoamos. Foi grosseiro, eles eram figuras de destaque nas Copas (Ademir, em 50, e Didi, em 58 e 62). Então, incluí-los foi a primeira decisão que tomamos”, conta Máximo.
A escolha pelos outros novos jogadores, de acordo com o jornalista, veio naturalmente: “Eles estão muito perto da unanimidade na história do futebol. A carreira de todos já estava terminada, menos o Ronaldo que era o único em atividade”. Como o Fenômeno anunciou sua despedida dos campos no início deste ano, a editora teve que correr para atualizar a informação.
Apesar da quase unanimidade, todo brasileiro tem fama de técnico. Então, não surpreende que ainda hajam cobranças aos autores de outros jogadores que ficaram fora da publicação. “A torcida do Flamengo sempre cobra alguém. Agora é o Ronaldinho, mas a gente tem a desculpa de que ele ainda está jogando (risos)”, diz.
Atualizações
Nas páginas de Gigantes do Futebol Brasileiro, histórias curiosas que fogem ao padrão biografia. Exímios na arte de escrever, Máximo e Castro trazem os jogadores para o cotidiano, como se a história deles fosse a de cada um de nós. Nada de muitos números e estatísticas. Além do atleta, o leitor conhece o homem.
Além dos novos perfis, o trabalho dos escritores foi atualizar os perfis mais antigos, afinal muitos dos personagens pararam de jogar e/ou morreram. Além da própria memória e trabalho dos autores, eles utilizaram entrevistas com conhecidos e depoimentos de uns ex-jogadores sobre os outros.
“Com os mais recentes, foi mais fácil, pela mídia que já existia na época. O capítulo do Gérson começa com uma história no vestiário do Vasco em que eu estava presente”, afirma Máximo, que destaca também as histórias de bastidores, como a revelação de Didi que foi ele quem convenceu o técnico Vicente Feola a escalar Garrincha na Copa de 58.
Saudosismo
O leitor mais atento de Gigantes do Futebol Brasileiro vai perceber que quase todos os jogadores no livro, majoritariamente os mais antigos, tiveram suas carreiras nos gramados do Rio.
A explicação é simples. “Nossa geração era muito mais mal informada que a de hoje. O Brasil parecia maior. A televisão acabou encurtando o país”, opina Máximo. É verdade. Nos anos 60, os jornalistas eram muito mais voltados apenas para o futebol de seus estados, o que provocou, inclusive, a pouca divulgação de jogadores nordestinos, por exemplo.
Antes da Taça Brasil, que começou em 1959, no máximo, existiam competições entre seleções estaduais, quase sempre com São Paulo e Rio decidindo o título. “Não tenha dúvida que, se os jogadores não viessem pro Rio, passavam despercebidos pela mídia”, declara o escritor, que acredita que muitos craques se perderam desconhecidos no tempo em outras regiões do país.
Sobre os baianos, o escritor recorda de Léo Briglia, artilheiro do Bahia na Taça Brasil de 59, e do ponta-direita Pedro Amorim (1919-1989), que começou no Bahia, mas fez sucesso do Fluminense, clube do coração de Máximo. “Foi meu primeiro ídolo”, confessa, lembrando dos quase 200 gols marcados por Amorim.
Mesmo saudosista, Máximo evita comparar o futebol atual ao das décadas passadas: “Procuro adaptar tudo que vi ao jogo atual. Não fico pensando que fulano era melhor do que quem joga agora”.
- Não assisti o UFC 131 e a virória massacrante de Junior Cigano sobre Shane Carwin. Sábado tive o aniversário de uma grande amiga e não rolava faltar. Mas pela foto de Carwin, dá para saber que o cataribaiano pesou a mão nele. Agora, para enfrentar Cain Velasquez, Junior vai ter que mostrar que não só o boxe que tá afiado. Qualidade para isso, ele tem.
- O Bahia ainda enfrenta muito problemas táticos. No jogo contra o Atlético-MG, Jancarlos se desgastou no primeiro tempo marcando Mancini e Leandro deitou e rolou na lateral. Depois de muito tempo que René Simões foi corrigir o posicionamento de Thiego. Mas a marcação continua um fecha aqui- abre ali da porra. E Ávine é uma ferrari pra atacar e uma carroça pra voltar pra marcação.
Na frente, Souza está se queimando. Se é ordem do treinador, eu não sei, mas ele voltar pro meio pra tentar roubar bola e iniciar contra-ataque só está fazendo com que ele perca bolas e irrite a torcida. Jobson precisa soltar a bola mais rápido algumas vezes. Acho que o time precisa ter mais toque de bola e tentar enolver mais o adversário com passes rápidos, usando Souza como pivô, se é que le não vai sair para a entrada de Carlos Alberto. A entrada de Jones, há 50 dias fora de combate, foi precipitada. Quanto a René, acho que está cedo para trocar de treinador. Ainda.
- A assessoria informa: “Nos próximos dias 24 e 25 de junho, chega às telas de cinema do país o documentário inédito sobre os 16 anos de carreira do Foo Fighters. O cineasta James Moll,diretor de“Running the Sahara” (2007) e vencedor do Oscar de Melhor Documentário pelo filme “The Last Days” (1998), assina a direção do longa-metragem, que será exibido em digital 2K, no formato de programa duplo. Além da exibição do documentário em 2D (97 min.), os fãs da banda também vão assistir ao show da nova turnê (50 min.), que será exibido em 3D”. O nome dele é Back and Forth
Eu adianto: Vai passar no Iguatemi e os ingressos já estão à venda.
Tava tentando escrever isso aqui desde quarta, mas a rotina tem sido pesada para mim. Queria descrever o que aconteceu na terça passada e que demonstra uma das coisa mais legais do jornalismo. Este é um post digno do Moqueca de Fatos, blog do meu querido amigo e colega Alexandre Lyrio, por falar da nossa profissão.
Queria explicar como consegui o furo da chegada de Daniel Alves em Salvador. Nessas horas tudo tem que dar certo. Percepção, conhecimento, bons telefonemas, um lado bom de ator e até uma boa companhia. Tudo isso junto chama a sorte, já que ela é uma possibilidade matemática que pode ser aumentada ou reduzida.
Quando cheguei na Redação do Correio, umas 11h30, mais ou menos, fui conferir algumas coisas na internet, entre elas, meu twitter. Não fico de olho apenas no que está acontecendo no momento, como também o que aconteceu desde o último post que fiz. Assim descobri um post no novo perfil de Daniel, que ele inaugurou pouco antes da final da Champions League. Lá dizia: “No aeroporto com mi pequenina indo para a terrinha de todos os santos!!! Salvador Bahia Brasil!!”. O post tinha cerca de uma hora.
Acionei o editor Eduardo Rocha e montamos o esquema. A primeira coisa foi entrar no site da infraero para saber quais voos viriam da Espanha e chegariam em Salvador no intervalo de oito ou nove horas – mais ou menos o tempo da viagem de lá pra cá. Existia um da Air Europa chegando 20h22. Ótimo. Mas não para aí. Existiam outra opções? Sim. Uma escala.
Liguei pro escritório do assessor de Daniel. Ele estava voltando de viagem à Europa. “Que horas chega?”. “17h10″. “Tá com Daniel”. “Sim”. Opa. O horário informado foi preciso, 17h10. Era bom checar, apesar de que, se fosse passar em São Paulo, Daniel teria que ter saído da Espanha antes das 6h e não teria como ter postado no twitter àquela hora. Mas vai que o site deu um bug e atrasou a linha do tempo…
Contando o tempo de uma possível escala e que ela só seria possível via TAM, empresa que atende internacionalmente voos vindos da Espanha, ele chegaria aqui no voo das 19h50. Já eram duas possibilidades em meia hora e mais uma 40 minutos depois, já que chegava um voo da TAP de Lisboa.
Tudo certo, fui direto do trabalho no meu carro, separado do fotógrafo Arisson Marinho, e ia pegar Lívia em casa e deixar ela na minha casa, mas atrasou tudo e ela foi junto, o que acabou sendo positivo. Chegando lá no aeroporto, fiquei de campana com Arisson. Com Lívia do meu lado, a aparência de que não estava a trabalho era muito maior.
O que a gente não contava era um outro furo. Na hora em que o voo das 19h50 chegou, o atacante Edu, que tinha sido anunciado pelo Vitória no mesmo dia, apareceu. Avisei a Arisson que registrou a chegada do cara. Liguei pra Redação e avisei, ainda informando que o diretor do Vitória, Oscar Yamato, estava junto. Rendeu uma divertida matéria de Angelo Paz e a foto de Edu na capa. Minutos depois, chegaram os fotógrafos da A Tarde e do Bocão perguntando sobre o jogador. Perderam. O rubro-negro tinha informado que Edu chegaria às 20h30. Aí foi sorte.
Agora, a missão era despistar a concorrência. O voo da Air Europa já tinha chegado e ninguém podia saber da possibilidade de Daniel estar nele. A equipe de Bocão, eu consegui. O fotógrafo da A Tarde não. Arisson avisou: “Esse é puta velha. Se não sabe, só vai embora quando eu for” e ainda inventou 200 desculpas para estar no aeroporto. Não colou. Mais tarde ele decobriu que o cara sabia da chegada do lateral da Seleção.
Então, esperamos as pessoas saírem do voo da Air Europa e nada. A hora passou, o pessoal do voo de Lisboa já estava desembarcando e eu achei que já era. Cheguei a ligar para o desesperado Eduardo dizendo que não ia rolar. Dois minutos depois, avistei um cara saindo rápido com uma criança em cima do carrinho. Eu esperava que Daniel estivesse alinhado, afinal, saiu da Europa. Mas ele não é besta. Deve ter vindo no voo de Madrid, dado um tempo e trocou de roupa para despistar.
Tinha dado certo. Ele saiu em meio a um monte de gente que nem o reconheceu. Até virem os flashes. Daniel esboçou aquele sorriso de “putz, os caras me descobriram”. Já tínhamos nos encontardo no Correio após a Copa e perguntei se rolava conversar. “Pô, tô indo pro estacionamento”. “Então a gente grava no caminho”. “Tá”. O baiano de Juazeiro é um cara boa praça. É um dos melhores do mundo, mas sempre atendeu bem, foi solícito com todos. É conhecido por ser um cara gentil e que não causa transtornos pra ninguém. Exemplar.
A entrevista durou exatos 1:18. Tempo dele andar do desembarque até a entrada do estacionamento. Foi tão rápido que Lívia, que já estava empolgada com o jornalismo às escondidas, nem viu. Minha felicidade não cabia no meu corpo. Como Daniel só saiu do desembarque depois das 21h40, a foto não saiu no A Tarde do dia seguinte. Já no Correio…
Dizer que um show é igual ao outro é mentira. Por mais que um repertório seja igual, que até o local e as companhias sejam igual, o sentimento é sempre diferente. Após assistir o show de Paul McCartney em São Paulo, no último mês de novembro ( a resenha está aqui: http://www.correio24horas.com.br/blogs/confraria/?p=150), repeti a dose domingo passado no Rio. A turnê era a mesma, o palco e a banda também. O repertório? Quase igual. As companhias também, com o grande diferencial que minha noivinha Lívia, estava comigo.
Mas, com Tio Paulinho, nunca nada é igual. A começar pelo local. No Rio, existem muito menos fãs loucos de Paul, parece que o show é como um espetáculo cultural qualquer. Tive essa mesma sensação nos shows do Radiohead e do Pearl Jam. Você circula com maior facilidade, não passa por aperto, dá para sentar, ir no banheiro e voltar sem problema. Pelo menos na pista. Por isso, mesmo chegando mais tarde, fiquei num melhor lugar.
Zé e Paula, meus fiéis companheiros de SP, foram também. Zé é doente por Paul ehehehe. Sabe todas as músicas dos Beatles que ele iria tocar, conhece o trabalho solo e com o Wings. Antes de Tio Paulinho iniciar os primeiros acordes, ele já sabia a música. E vibrava com canções como 1985. Mas a presença de Lívia tornou o show muito mais especial, até pelas canções mais românticas tipo The Long and Winding Road e Something – que fizeram as lágrimas rolarem novamente – , entre outras. Ele se amarrou no show, apesar de conhecer apenas algumas coisinhas dos Beatles.
Além dessas, Paul tocou clássicos como Yesterday, Sgt. Peppers, Get Back, Let it Be, Day Tripper, All My Loving (que me emocionou de novo) , I’ve Just Seen a Face, Blackbird, Eleanor Rigby, entre outras do Fab Four, e canções do Wings que conheço como Jet, Ben on the Rune, claro, Live And Let Die. Mas o momento especial mesmo foi em Hey Jude.
Surpreender um cara de 68 anos e 50 de carreira não é uma coisa fácil. E o público do Rio conseguiu. Tanto que o próprio Paul comentou sobre o fato em seu blog pessoal. No final da música, na hora em que começa o Na-Na-Na de fato, milhares de pessoas da pista prime levantar cartazes escrito “NA”. Paul, no piano, tomou um susto e continuou cantando. Um espetáculo à altura desse gênio mundial. Conferiam duas fotos:
Zé, dodói, ainda foi no segundo show. Eu cheguei a me arrepender de comprar passagens e ingresso pro show, já que já tinha ido e tive uns gastos imprevistos esses dias, mas após a última música, valeu tudo. Do trem lotado rumo ao subúrbio carioca, ao engarrafamento humano na hora da saída, as poucas horas dormidas e a viagem de volta a Salvador. Tio Paulinho tem dessas coisas. Meus filhos saberão.
Repertório do show
“Hello, Goodbye” (The Beatles)
“Jet” (Wings)
“All My Loving” (The Beatles)
“Letting Go” (Wings)
“Drive My Car” (The Beatles)
“Sing The Changes” (The Fireman)
“Let Me Roll It” (Wings) / “Foxy Lady” (Jimi Hendrix)
“The Long and Winding Road” (The Beatles)
“Nineteen Hundred and Eighty-Five” (Wings)
“Let ‘Em In” (Wings)
“I’ve Just Seen a Face” (The Beatles)
“And I Love Her” (The Beatles)
“Blackbird” (The Beatles)
“Here Today”
“Dance Tonight”
“Mrs Vandebilt” (Wings)
“Eleanor Rigby” (The Beatles)
“Something” (The Beatles)
“Band on the Run” (Wings)
“Ob-La-Di, Ob-La-Da” (The Beatles)
“Back in the U.S.S.R.” (The Beatles)
“I’ve Got a Feeling” (The Beatles)
“Paperback Writer” (The Beatles)
“A Day in the Life” / “Give Peace A Chance” (The Beatles)
“Let It Be” (The Beatles)
“Live and Let Die” (Paul McCartney & Wings)
“Hey Jude” (The Beatles
bis
“Day Tripper” (The Beatles)
“Lady Madonna” (The Beatles)
“Get Back” (The Beatles)
bis 2
“Yesterday” (The Beatles)
“Helter Skelter” (The Beatles)
“Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band / The End” (The Beatles)