Depois de 20 dias se qualquer evento do UFC (o que nos dias de hoje parece uma eternidade), o maior evento de MMA do planeta volta neste sábado. Mas antes de palpitar sobre o UFC Fight Night: Bader x St. Preux, vou opinar sobre alguns fatos ocorridos nos últimos dias no meio do esporte:

Jones x Cormier

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Jones e Cormier fizeram um papelão (foto: MMA Fight Corner/reprodução)

Claro que o adiamento da luta é ruim para os fãs, mas chamo a atenção mesmo para a briga entre os dois lutadores durante uma coletiva dias atrás. Sem entrar no (de)mérito de quem é o culpado, mais uma vez, grandes nomes do MMA contribuem para ‘queimar’ o esporte. E, enquanto outros lutadores e alguns fãs comemoravam o entrevero para a mídia, eu pensava naqueles que precisam buscar apoio empresarial para levantar um evento do esporte. Qual empresa vai querer correr o risco de expor sua marca correndo o risco de dois adultos se estapearem numa coletiva porque não conseguem segurar seus hormônios no lugar?

Dizer que é bom para as vendas em PPV é ser imediatista e, mais, ser egocêntrico, já que são os eventos menores que alimentam o UFC com seus lutadores. Só atletas que já se destacam em outros esportes, TALVEZ, estreiem direto no evento desse porte. Jones e Cormier deram pano para manga para os imbecis das caixinhas de comentários e um passo atrás para acabar o preconceito contra o MMA.

Sonnen e o doping

Oh, novidade, Chael Sonnen sempre se dopou. Opa, tenho outra: não é só ele, né? A máxima das academias de que “quem cresce sozinho é planta” é (era) levada  a sério por alguns, além daqueles que fazem a reposição hormonal. Não dá pra cravar se A ou B usa, mas aquele papo que corre na ‘rádio corredor’ é de que o uso de substâncias proibidas acontece com um bom planejamento e com uma parada de acordo com a antecedência da luta para que o atleta não seja pego no exame pós-luta, mais ou menos como o próprio Sonnen disse. Quando o UFC começou a fazer testes durante treinamentos, mais de um mês antes da luta, o bicho pegou. Agora, andar no fio da navalha é mais perigoso ainda.

Bruno Carioca e seu novo adversário

Radicado na Bahia, Bruno Carioca já tem um novo adversário no UFC. Na sua terceira luta no evento (perdeu para Krzysztof Jotko e venceu Chris Camozzi), ele enfrentará o canadense Elias Theodorou no UFC Fight Night: MacDonald x Saffiedine, em 4 de outubro, no Canadá, pelos pesos médios. Theodorou venceu o TUF Nations em abril e está invicto. Bruno tem 14 vitórias e uma derrota. Pelo que me marece, é um cara que gosta do jogo em pé, ao contrário do brasileiro, que é mais de chão. A princípio, o plano de luta tem que passar por isso.

And now… 

Vamos os palpites!

CARD PRINCIPAL
Peso-meio-pesado: Ryan Bader x Ovince St. Preux: St. Preux por KO no 1º round (sim, é um chute!)
Peso-leve: Gray Maynard x Ross Pearson: Pearson, por TKO no 2º round
Peso-médio: Tim Boetsch x Brad Tavares: Tavares, por decisão unânime
Peso-meio-médio: Seth Baczynski x Alan Jouban: Jouban, por decisão dividida
Peso-pesado: Shawn Jordan x Jack May: May, por TKO, no 1º round
Peso-pena: Thiago Tavares x Robbie Peralta: Peralta, por TKO no 2º round
CARD PRELIMINAR
Peso-mosca: Jussier Formiga x Zach Makovsky: Formiga, por finalização no 3º round
Peso-galo: Sara McMann x Lauren Murphy: Sara, por decisão dividida
Peso-médio: Sam Alvey x Tom Watson: Alvey, por decisão unânime
Peso-mosca: Frankie Saenz x Nolan Ticman: Ticman, por decisão dividida

 

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O catarinense Júnior ‘Cigano’ dos Santos, radicado em Salvador, está doido para voltar a lutar no UFC. No entanto, o ex-campeão dos pesos pesados da organização ainda tem muito treino pela frente antes de voltar ao octógono.

Já recuperado de uma fratura no dedão da mão esquerda, que o tirou de uma luta contra  Stipe Miocic em maio, Cigano voltou a treinar há poucos dias e ainda está se readaptando à rotina. Nesse papo exclusivo com o CORREIO, o ‘cataribaiano’ explica seu momento atual no UFC, as mudanças que teve ao resolver treinar também no Rio de Janeiro, fala da relação com o público, entre outros assuntos. Confira!

*No Correio de hoje, a entrevista está editada. Aqui ela vai na íntegra.

Como estão sendo os treinos no Rio e qual a melhoria que você tem conseguido no seu jogo?

A intenção foi pra realmente ter uma forma de treinamento diferente, aprender outras formas também, até porque eu estava há muito tempo aqui na Bahia. O professor Dedé Pederneiras lá no Rio é conhecido por ser um bom estrategista e era um pouco do que eu achava que ia me ajudar. Aliás, ainda acho. Acho que o maior ganho tem sido nisso. O chão deles lá que é muito forte e nessa questão da estratégia, no jeito que eles veem a luta. O professor Dedé tem uma experiência muito grande com isso e é interessante ver o jeito que ele lê as lutas, pra elaborar a nossa estratégia sempre.

Ele viu algo que você não tinha percebido?

Sim. Alguns pontos de vista que são dele e que eu poderia ter usado sim. Formas diferentes do que eu costumava ver e do que meus treinadores, (Luiz) Dórea, Yuri Carlton, entre outros, costumavam ver aqui. (A necessidade de) Uma estratégia, vamos dizer, mais agressiva do que normalmente era.

Como aconteceu a lesão na mão? Você já está 100%?

A lesão aconteceu durante um sparring. Acabei socando um dos meu parceiros de treino e acabei tendo uma fratura no primeiro metacarpo. E não foi uma fratura completa, rachou o osso até um pouco mais da metade, mas não desgrudou, o que foi bom porque não precisou de cirurgia. Se eu ficasse treinando mais um pouco ia descolar, então aí ia ser cirúrgico. Então, o cuidado foi de imobilizar e, depois de um determinado tempo, fazer fisioterapia. Já fiz toda essa parte, então, agora a mão tá 100%, já voltei aos treinos. Tô batendo, claro, sempre com alguma precaução pra não avançar além da linha. Tomando um certo cuidado, mas já tô treinando boxe, batendo bem. A lesão que realmente me tirou da luta foi a da mão, mas tiveram algumas outras que eu acabava sentindo. O que é normal de um treinamento para uma luta acontecerem pequenas lesões, machucados. Então acho que foi bom ter parado esse tempo pra dar uma recuperada. Agora é readaptar ao treinamento, o que leva um determinado tempo para o seu corpo. Tô todo doído aqui. É normal na volta aos treinos, fiquei dois meses parado. Acho que faz parte esse tipo de coisa.

Foto de Mauro Akin Nassor/CorreioJá existe um adversário em vista? De repente, você pretende voltar a lutar até o fim do ano?

Não tem uma luta em vista ainda. Fui em Las Vegas e conversei com o Joe Silva agora e perguntei quando eu estaria apto a lutar novamente, até como uma forma de pressionar um pouco também. Eu sempre deixo claro que eu amo fazer o que eu faço e não estaria nessa situação se não fosse realmente necessário. Em outubro, faz um ano da minha última luta e isso tem me frustrado muito. Quero voltar logo mas, infelizmente, tenho que cuidar das lesões antes e eu expliquei tudo isso pra eles. Que não era um parecer médico, que eu não sou médico, mas eu acho que eu estaria apto em Novembro, mais pra segunda quinzena. Mas dependendo de como forem os treinamentos, talvez na primeira quinzena, eu posso estar voltando a lutar.

Você ia lutar no Brasil, o que acredito que é um sonho seu. Você tem a expectativa de nessa próxima luta ser aqui de novo? Pediu isso ao UFC?

Eu não pedi, mas tinha demonstrado, antes de tudo isso acontecer, minha vontade de lutar no Brasil pra eles e não foi à toa que eles tinham fechado essa luta aqui. Eu estava feliz de estar lutando aqui novamente. O início da minha carreira foi no Brasil e queria voltar como um lutador mais consagrado no UFC, com o apoio da torcida. Participei de alguns eventos aqui no Brasil e o público realmente joga os lutadores para frente, dá uma carga extra de motivação. Eu queria sentir isso também. Ainda quero. Tenho certeza que em breve o UFC vai estar fechando alguma coisa. Agora que passou a Copa, a gente tem vários estádios, temos aqui a Fonte Nova, então acho que um UFC na Bahia seria perfeito, maravilhoso pra mim lutar aqui. Espero que num futuro breve isso aconteça.

O que você pensa que precisa fazer pra recuperar o cinturão dos pesados do UFC?

Acho que entender um pouco mais o que tem acontecido. Hoje o que a gente vê são os americanos se destacando. Antigamente, a gente tinha o talento, tinha o coração do brasileiro, que vai lá, não desiste nunca e busca a vitória a qualquer preço. O que eles fizeram? Levaram grandes treinadores brasileiros para ensinar a eles o jiu-jitsu, aprenderam a técnica e já competem no mesmo nível quase em todas as artes marciais contra todo mundo. E eu acho que o que eles têm a mais e estão acrescentando é a inteligência, a experiência em competição de alto nível, como Olimpíada. Na coisa de você fazer um treinamento bem pensado para que, quando chegue o dia da luta, você possa mostrar sua melhor performance. Acho que nesse aspecto a gente tá perdendo um pouco porque a gente tá muito no negócio do coração ainda. Como o cara é lutador, acha que funciona tudo na tora, vai empurrando, que é garra. Não é só isso. Tem que ter uma parte estratégica, um treinamento mais pensado, mais elaborado para aquele adversário específico. Nisso eles têm ganhado bastante da gente.

Você acha que isso falta a você? Essa experiência de ter passado por campeonatos universitários como eles têm lá e isso servir como uma forma de preparação para as diversas situações dentro de uma luta?

Com certeza. Acho que isso é um ganho que eles têm e a gente não tem qualquer perspectiva de se comparar a eles, à experiência que eles têm desde a escola, quando eles começam a competir. Muitos atletas de wrestling treinam desde criança. Então a experiência que eles têm em competição é muito grande. No meu caso mesmo, meu primeiro envolvimento com arte marcial foi com 21 anos, ou seja, antes a única coisa que eu tinha feito era jogar bola nas aulas de Educação Física. Nesse sentido aí, eles têm muito mais experiência, mais ganho que a gente. Com certeza. Hoje eles estão usando isso, usando todas as armas que têm, contra todo mundo. E tem funcionado. Os resultados têm mostrando isso.

Esse é o grande motivo para o Brasil não ter tantos campeões no UFC como tinha antes? Chegamos a ter quatro campeões. Hoje em dia só tem José Aldo.

Acho que sim. Hoje, o MMA é um esporte que tá crescendo muito, cada dia mais, ganhando espaço no mundo todo, como um grande esporte e se tornando uma profissão. Então, os caras estão levando muito à sério, pra vida deles. Tem havido um cuidado muito grande e isso tem dado resultado. A gente tem o talento, tem o coração, mas, no todo, precisa de uma elaboração maior nos treinamentos, uma estratégia maior pra chegar nos resultados positivos e é o que eles têm feito.

Na sua opinião, o que existe no Brasil e nos Estados Unidos é muito diferente em termos de preparação e estrutura para o lutador?

Com certeza. Os Estados Unidos estão muito na frente nesse sentido. Tudo para eles acontece de uma forma mais fácil, eles apoiam bastante o esporte, principalmente, quando os resultados vêm chegando.  O Brasil não investe na formação de um atleta. Apoia quando o atleta já é renomado. Acho que, nesse sentido, os EUA fazem diferente, investem desde o início para que você queira competir, buscar ser vitorioso.

O que você acha dessa expansão do UFC pelo mundo?

Acho que é para isso que a gente está trabalhando. Nós, atletas do MMA, a organização, temos trabalhando muito para que aconteça isso, esse reconhecimento, essa expansão do esporte. Acho que isso, aos poucos, vem acontecendo. Acho ótimo porque são oportunidades maravilhosas. Aqui no Brasil, por exemplo, não é todo mundo que joga bola bem. Tem alguns que preferem lutar e se dão bem com isso (risos). Eu, por exemplo, nunca joguei bola bem.  Nem quando era criança. Mas na luta me encontrei e consigo desenvolver legal. Eu só tive essa oportunidade de mudar minha vida, de mudar quem eu era, porque eu encontrei a luta. Espero que essa expansão que o MMA tá vivendo proporcione esse tipo de coisa muito mais para garotos e garotas.

Foto de Mauro Akin Nassor/Correio

Obviamente que essa expansão trouxe uma exposição muito para os lutadores como você, Anderson Silva. São participações em eventos, matérias na televisão… Será que, em determinado momento, a exposição pode ter tirado o foco de vocês no esporte?

Acho que depende muito de cada um.  Não é questão de tirar a atenção do esporte. Não acho que o Brasil tenha sofrido esses resultados recentes por causa da exposição que está tendo. Porque acho que só fortalece. Já que não há investimento, hoje em dia, um atleta só consegue se dedicar à profissão quando ele tem apoio de patrocinadores, que conseguem alavancar para que ele se dedique aos treinamentos e, consequentemente, continue trabalhando a imagem dos patrocinadores da melhor forma possível. Acho que isso, na verdade, é uma coisa boa já que não existe o investimento no esporte. Então, não acho que isso tem tirado o foco dos lutadores. Ao contrário, tem motivado um pouco mais a querer chegar lá. ‘Ah, eu quero ser um grande lutador, pra conseguir grandes resultados e ter grandes patrocínios e ser reconhecido e poder aparecer no fantástico, aparecer na televisão’.

Mas, por outro lado, isso aumenta a pressão.

Aumenta mas acho que, no início, por ser novo, essa pressão incomodava mais. Mas, hoje em dia, acho que é muito normal para os atletas de MMA serem entrevistados. A gente pode ver isso pelo TUF, por exemplo. O TUF nos EUA tem uma audiência muito boa, mas os atletas saem ainda tentando formar uma carreira, tentando se tornarem realmente conhecidos no UFC. Aqui no Brasil, quando tem um TUF ou alguma coisa assim, os atletas já saem muito famosos porque passa na Globo e acaba que a exposição é muito grande. O próprio Dana White falou isso, que o atleta tem se cuidar muito para que isso não atrapalhe sua performance, no seu foco que deve ser a luta. Acho que já está tendo um trabalho muito legal. Os treinadores já estão todos cientes disso, que está acontecendo esse tipo de coisa. Está tendo um trabalho muito legal na conscientização dos atletas para que continuem focados no que realmente interessa que é o resultado positivo na hora das lutas.

Por falar no TUF, Cara de Sapato é seu sparring e venceu a última edição. O que você pode falar sobre ele?

É um menino realmente incrível. Gente boa demais. A gente começou a treinar jiu-jitsu juntos com o professor Yuri Carlton. Eu tinha 21 anos e ele tinha 16. A nossa amizade nasceu ali. Depois, eu comecei a me interessar mais pelo MMA e treinar boxe, ter minhas lutas profissionais e ele foi pra Paraíba. Lá, ele começou a desenvolver o jiu-jitsu dele e desenvolveu de uma forma que ele se tornou um dos principais lutadores de jiu-jitsu do mundo. Não é à toa que foi bicampeão mundial. Aí ele voltou aqui pra Bahia, a gente se encontrou de novo, começou a treinar junto e houve esse interesse dele pelo MMA. Ele aprende tudo muito rápido, uma característica que eu também tenho, e se desenvolveu no boxe também. O professor foi conseguindo algumas lutas de MMA para ele e ele foi se saindo muito bem, usando o ótimo jiu-jitsu que tem e, à vezes, buscando o nocaute também. Uma outra habilidade que ele acabou descobrindo foi a mão pesada. E aí teve essa oportunidade dele participar do TUF, contra adversários que já tinham muito mais experiência lutando. E ele, um menino que tinha acabado de iniciar no mundo do MMA, foi lá e mostrou toda a vontade que tinha. A juventude acho que também ajudou bastante. Ele tem uma motivação muito grande, acredita muito nele mesmo. Acho que isso é fator básico para você se tornar um grande campeão. E hoje está muito bem. Venceu de uma forma contundente uma final de TUF, que, como falei, envolve uma exposição muito grande, uma ansiedade, uma pressão também. Ele soube lidar muito bem com isso. Foi lá e conseguiu uma vitória bonita sobre um cara super-experiente, que é o Vitor Miranda. Então, acho que ele tem uma carreira muito bonita pela frente e espero que ele se dedique cada vez mais. Tem treinado comigo lá no Rio também, aprendido cada vez mais e vem desenvolvendo as suas técnicas e eu, realmente, acho que em breve, sem demorar muito mesmo, ele vai estar entre as cabeças da categoria, até disputando o cinturão. No TUF, ele foi peso-pesado, mas ele vai descer pro 93kg. E o professor está conversando com ele que, depois que ele estiver mais acostumado, descer até pra 84kg.

Você se magoou com os comentários das pessoas nas redes sociais depois da segunda derrota para Cain Velasquez?

Não. Eu não costumo me apegar aos comentários negativos. Se tem dez negativos e um positivo, eu vou ler aquele positivo e vou ficar feliz por ele. Sou um cara assim, o máximo positivo que eu posso. Hoje em dia, para um atleta chegar bem preparado numa luta, é um processo muito grande, muitas coisas tem que dar certo pra você chegar numa luta e dar tudo certo. A gente só tem ganho experiência nesse sentido e, a partir daqui, as coisas só vão melhorar e eu espero que os comentários também melhorem (risos). Uma coisa que tenho que agradecer muito são as pessoas que me seguem (nas redes sociais), que torcem por mim porque, independente do que falem, do que aconteça, eu sempre tenho um apoio muito grande de muita. Agradeço a essas pessoas o máximo que eu posso

Tem algum recado pros nossos leitores?

Até o fim do ano, se Deus quiser, estarei lutando e vou contar com a torcida de todos novamente. Quero dizer que meu sonho continua em ser campeão e acho que tenho muitas condições pra isso. Vou trabalhar para que isso possa acontecer e não demore muito. E, na chegada aqui em Salvador, ter o carro de bombeiros e a galera toda que esteve lá na primeira vez!

 

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Apesar de não ter parado durante a Copa do Mundo, é evidente que as atenções ao MMA foram diminuídas durante o período da maior competição de futebol do mundo. Ainda assim, ninguém parou de treinar, se dedicar e ainda rolou tempo para troca de animosidades, vide os casos Mendes x Aldo x Mendes e até Pezão cutucando Overeem após o holandês tripudiar (até merecidamente) a Seleção Brasileira.

Nesta quarta, rola o UFC Fight Night: Cerrone x Miller, em Atlantic City (EUA), com sete brasileiros no octógono, incluindo o baiano Hugo Wolverine. Mas, antes, um pequeno retrospecto. Durante o período do Mundial, aconteceram cinco eventos do UFC. Apenas pude acompanhar o UFC 175 com mais cuidado, pois estava de folga. Nos outros, vi uma luta ou outra.

Em especial, vi Frankie Edgar – um atleta que tem minha admiração profunda – atropelar BJ Penn. O havaiano teve, de uma vez por todas, a certeza que seu tempo (e quem excelente tempo!) nas competições de MMA de primeira linha já passou. O amigo Felipe Paranhos até comparou – com um belo texto – a surra de Edgar com a goleada sofrida pelo Brasil.

Sobre Lyoto Machida, bato no ponto de que era muito cedo para uma disputa por cinturão dos médios. Apesar da qualidade do baiano radicado no Pará, ele ainda precisa se acostumar com o ritmo de uma categoria mais rápida que os meio-pesados. Este processo nem sempre é simples. O jogo de contra-ataque tende a funcionar menos ainda entre os médios. Vale lembrar que as duas lutas de Machida nos médios, antes de lutar contra Weidman, haviam sido contra lutadores ex-meio-pesado (Muñoz e Mousasi). Deu no que deu. O brasileiro demorou de ter atitude e ficou pra trás. Ainda assim, o americano, para mim, é o campeão de pior nível do UFC. Um dono de cinturão nota 6,5 que não me convenceu ainda.

***

Nesta quarta, a partir das 19h30 (canal Combate, como sempre), o UFC Fight Night: Cerrone x Miller traz sete brazucas: Edson Barboza, John Lineker, Leonardo Macarrão, Lucas Mineiro, Gleison Tibau, Claudinha Gadelha (na estreia do peso palha feminino) e o baiano Hugo Wolverine, a quem daremos maior atenção aqui.

Josh Hedges/Zuffa LLC

Wolverine precisa usar seu striking

Hugo pega o americano Alijmain Sterling, invicto e perigoso. Aos 24 anos, o ianque venceu suas nove lutas, quatro por decisão, quatro por finalização e uma por nocaute. Só por esses dados já dá pra perceber que o cara gosta de luta de solo. Seus quatro triunfos no chão foram com mata-leão, adivinhem, a técnica preferida dele.

Sterling é sete anos mais novo do que Wolverine o que pode fazer diferença na movimentação. Mas não espere ele tentar encarar o poder de striking do baiano de frente. A tendência é que o americano busque o clinch sempre para bater e tentar levar para o chão para usar seu wrestling e jiu-jitsu. Claro que Wolverine possui conhecimento no solo, mas seu diferencial é na luta em pé, onde pode conseguir maior vantagem para vencer o combate. Afinal, é pupilo de Luiz Dórea, exímio treinador de boxe.

***

Por falar em Bahia, vale lembrar que em 24/8 rola a volta do Imperium MMA, agora como Grand Prix, no Peso Galo. Será a primeira eliminatória da categoria com oito lutas (e mais duas reservas). O evento vai acontecer no Clube Espanhol, reinaugurado no mês passado. Passarei mais detalhes em breve.

***

Por fim, vamos aos palpites pro UFC Fight Night: Cerrone x Miller:

CARD PRINCIPAL
Peso-leve: Donald Cerrone x Jim Miller – Miller, por decisão unânime
Peso-leve: Edson Barboza x Evan Dunham – Barboza, por KO no 2º round
Peso-meio-médio: Rick Story x Leonardo Macarrão – Macarrão, por TKO no 1º round
Peso-leve: Joe Proctor x Justin Salas – Proctor, por decisão unânime
Peso-mosca: John Lineker x Alptekin Ozkilic – Lineker, por TKO no 1º round
Peso-pena: Lucas Mineiro x Alex White – White, por TKO no 2º round
CARD PRELIMINAR
Peso-leve: Gleison Tibau x Pat Healy – Tibau, por decisão unânime
Peso-galo: Jessamyn Duke x Leslie Smith – Leslie, por decisão unânime
Peso-galo: Aljamain Sterling x Hugo Wolverine – Wolverine, por decisão dividida
Peso-leve: Yosdenis Cedeno x Jerrod Sanders – Cedeno, por TKO no 3º round
Peso-palha: Cláudia Gadelha x Tina Lahdemaki – Cláudia, por TKO no 2º round

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Dei uma melhorada no palpitão do último UFC. Infelizmente, como eu previ, Glover Texeira perdeu. Mas alguns resultados foram bem surpreendentes, como a vitória de Daron Cruickshank sobre Eric Koch.

Sem mais delongas, vamos ao palpitão pro UFC 173

 

CARD PRINCIPAL
Peso-galo: Renan Barão x TJ Dillashaw: Barão por TKO no 2º round
Peso-meio-pesado: Dan Henderson x Daniel Cormier: Cormier por decisão unânime
Peso-meio-médio: Robbie Lawler x Jake Ellenberger: Lawler por TKO no 2º round
Peso-galo: Takeya Mizugaki x Francisco Rivera: Rivera por decisão unânime
Peso-leve: Jamie Varner x James Krause: Krause por finalização no 1º round
CARD PRELIMINAR
Peso-leve: Michael Chiesa x Francisco Massaranduba: Chiesa por decisão unânime
Peso-leve: Tony Ferguson x Katsunori Kikuno: Ferguson por KO no 1º round
Peso-galo: Chris Holdsworth x Chico Camus: Holdsworth por decisão dividida
Peso-leve: Al Iaquinta x Mitch Clarke: Iaquinta por decisão unânime
Peso-leve: Anthony Njokuani x Vinc Pichel: Pichel por decisão dividida
Peso-pena: Sam Sicilia x Aaron Phillips: Sicilla por KO no 1º round
Peso-meio-médio: David Michaud x Li Jiangliang: Michaud por finalização no 1º round

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Essa brincadeira de palpite é legal. Contanto que não seja envolvendo dinheiro! No meu primeiro palpitão, para o UFC 172, acertei só um resultado em cheio (Gomi x Vallie-Flagg), mas chutei certo outros cinco vencedores (Jones, Rockhold, Miller, Benavidez e Bethe). A gente vai melhorando!

Abaixo vão os palpites para o UFC Fight Night: Brown vs. Silva, amanhã, a partir das 19h30, em Cincinnati, nos EUA.

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CARD PRINCIPAL

Peso-meio-médio: Matt Brown x Erick Silva – Brown por KO no 2º round
Peso-médio: Costa Philippou x Lorenz Larkin – Philippou por decisão unânime
Peso-leve: Erik Koch x Daron Cruickshank – Koch por TKO no 1º round
Peso-meio-médio: Neil Magny x Tim Means – Means por decisão dividida
Peso-pesado: Soa Palelei x Ruan Potts – Palelei por KO no 1º round
Peso-mosca: Chris Cariaso x Louis Smolka – Smolka por decisão dividida

CARD PRELIMINAR

Peso-médio: Ed Herman x Rafael ‘Sapo’ Natal – Sapo por finalização no 1º round
Peso-mosca: Kyoji Horiguchi x Darrell Montague – Horiguchi por decisão unânime
Peso-meio-médio: Yan Cabral x Zak Cummings – Cabral por finalização no 2º round
Peso-galo: Eddie Wineland x Johnny Eduardo – Wineland por TKO no 1º round
Peso-pena: Manny Gamburyan x Nik Lentz – Gamburyan por decisão unânime
Peso-leve: Justin Salas x Ben Wall – Salas por decisão unânime
Peso-meio-médio: Anthony Lapsley x Albert Tumenov – Tumenov por KO no 2º round

 

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Não é o que eu quero que aconteça, mas o que eu acho que vai acontecer. Tomara que eu erre na luta principal!

 

CARD PRINCIPAL

Peso-meio-pesado: Jon Jones x Glover Teixeira –  Jones por TKO no 2º round
Peso-meio-pesado: Phil Davis x Anthony Johnson – Phil Davis por decisão unânime
Peso-médio: Luke Rockhold x Tim Boetsch – Rockhold por decisão unânime
Peso-leve: Jim Miller x Yancy Medeiros – Miller por finalização no 2º round
Peso-pena: Max Holloway x Andre Fili – Fili por decisão dividida
CARD PRELIMINAR
Peso-mosca: Joseph Benavidez x Tim Elliott – Benavidez por TKO no 1º round
Peso-leve: Takanori Gomi x Isaac Vallie-Flagg – Gomi por decisão unânime 
Peso-galo: Jessamyn Duke x Bethe Correia – Bethe por decisão dividida
Peso-leve: Danny Castillo x Charlie Brenneman – Brenneman por finalização no 2º round
Peso-galo: Chris Beal x Patrick Williams – Williams por TKO no 1º round

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Infelizmente, não consegui assistir o primeiro capítulo do The Ultimate Fighter 3 Brasil. Só comecei a assistir o reality show a partir do segundo capítulo, que foi ao ar no último domingo, na TV Bahia. Minha primeira impressão foi boa. Acho que o nível dos lutadores já pareceu um pouco melhor do que o ruim TUF 2. Destaque para Márcio Lyoto, da Team Tavares. Mostrou ser bom no chão e também na trocação. Meu favorito aos título do TUF 3 desde já.

Outros lutadores também chamaram a atenção: Vitor Lex Luthor, dono de boa técnica em pé, e Marcos Pezão. A luta entre Warlley Alves e Wendell Negão, que tinha tudo para ser a melhor tecnicamente, me decepcionou bastante. Alguns amigos, que viram o 1º episódio, elogiaram os lutadores Paulo Borrachinha e Antonio Cara de Sapato.

Este último, para quem não conhece, é pupilo de Luiz Dórea na Academia Champion e sparring de Júnior Cigano. Multicampeão de jiu-jistu, Cara de Sapato, mostrou estar afiado no chão em sua curta carreira como lutador de MMA. São três vitórias, todas elas por finalização. Paraibano e radicado em Salvador, o peso-pesado tem 24 anos e agora buscar aprimorar seu jogo em pé. Ao que parece, tem o que falta a Cigano no  momento, experiência em torneios, já que disputou diversas competições de jiu-jitsu. Falta colocar em prática em lutas de nível maior.

***

Por falar em Cigano, houve uma notícia do site do Canal Combate de que o ‘cataribaiano’ havia saído da Champion Team para se juntar à Nova União. Mas a história não era bem assim. Como vocês devem saber, a mídia carioca – e a paulista – adora puxar sardinha para eles próprios, então, vangloriar a academia de Dedé Pederneiras faz parte do pacote da moral. Essa é a opinião de uma fonte minha, que pediu anoinimato, próxima a Dórea.

Cigano continua atleta da Champion e apenas fará alguns treinos na Nova União enquanto morar no Rio. Lá também passará até mais tempo treinando na Team Nogueira, já que a equipe dos irmãos Minotauro e Minotouro possui mais atletas de peso alto, enquanto a Nova União é especializada em pesos mais leves.

Outra notícia em relação ao time de Dedé Pederneiras que nos interessa. O peso mosca baiano Jafel Filho, de Juazeiro, foi contratado pela academia carioca. Ele já vinha sendo observado pelo treinador de José Aldo, Renan Barão e Eduardo Leone, mas recebeu o aval mesmo após a Shooto 46, em Lauro de Freitas, quando fez uma ótima luta contra Daniel Rodrigues, vencendo no 3º round por finalização. O juazeirense tem um cartel 3-0, com duas finalizações e um nocaute técnico.

 

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A frase acima não é minha, é de André ‘Dedé’ Pederneiras, técnico da dupla José Aldo e Renan Barão na academia Nova União, no Rio. Campeão dos penas do UFC, Aldo encara Ricardo Lamas no evento deste sábado, fazendo a preliminar da luta de Barão, campeão dos galos, que tem uma parada dura pela frente: o americano Urijah Faber.

Dedé, de 46 anos, 6º grau de faixa preta de jiu-jitsu e eleito melhor técnico de MMA do mundo em 2010, esteve na Bahia na última sexta para acompanhar o Shooto 46, primeiro evento da marca da qual é o presidente no Brasil a ser realizado no estado. O Ginásio de Lauro de Freitas recebeu um bom público com uma bela estrutura. Só faltou um telão pra galera ter mais detalhe dos combates quando estes fossem pro chão. O calor é culpa da época e da ventilação precária do ginásio.

Lá, Dedé bateu um papo rápido com o blog. Confira:

CORREIO COMBATE: Não tenho como fugir dessa pergunta. Por quê a demora para o Shooto vir à Bahia?

Dedé Pederneiras: Na verdade, estava faltando um parceiro (Zé Mario Team e empresários da cidade). A gente arrumou agora e fez um excelente show. Com essa parceiria e a gente vai voltar com certeza novamente.

Reprodução/Twitter

André ‘Dedé’ Pederneiras

CC: Você está no MMA há muito tempo e colhe os frutos de um investimento realizado há mais de uma década. Acreditava que o esporte chegaria a esse nível algum dia? 

DP: Se eu disser isso, eu tô mentindo. Na verdade, eu acreditava que ia crescer, não sabia que ia crescer tanto. E hoje estou colhendo os frutos, como você falou, daquilo que fiz há um tempo atrás.

CC: O que você pode falar da preparação de Aldo e Barão há uma semana da luta?

DP: Eles estão superbem para a luta. Só não ganham se Deus não quiser. Bem eles estão.

CC: O que mudou no treino de Barão a partir da saída de Dominick Cruz (que se machucou) e entrada de Urijah Faber como adversário?

DP: A vantagem de ser o Faber é porque é um atleta que a gente já estudou há um tempo atrás (UFC 149, em 2012, no Canadá). Então, a gente tem um know-how de como lutar com ele. Não que a luta vai ser a mesma, mas a gente já tem um conhecimento de como lutar.

CC: Júnior Cigano começou a treinar com vocês lá na Nova União na semana passada. Como aconteceu essa ‘parceria’?

DP: Ele tá começando a treinar lá de vez em quando, vai ver se consegue colher alguma coisa que possa beneficiar ele no jogo dele. Pra gente é ótimo. Assim como a gente está ensinando, a gente está aprendendo também. É bom pra todo mundo.

***

Só consegui chegar ao Shooto na antepenúltima luta. Me surpreendi com o ótimo público que encheu o Ginásio Municipal de Lauro de Freitas. Como disse, a estrutura está excelente, só falta um ou dois telões, no alto, para que o pessoal pudesse acompanhar as lutas com mais detalhes, principalmente quando elas fossem pro chão. Gostei muito da penúltima luta, entre Jafael Cavalcante e Daniel Rodrigues. Nível bom de solo e bom preparo físico de ambos os atletas.

Já na luta principal, foi mais raça do que técnica. Jurandir Sardinha começou parecendo um ventilador em cima de Geraldo Cocão: batendo com a guarda totalmente aberta. Acho que o conquistense teve mais calma, mas acabou indo pro chão. Sardinha, empurrado pel público, tentou por diversas vezes a guilhotina e não conseguiu.

Foto: Viviane Sales / Shooto Brasil

Cocão foi o vencedor da luta principal da noite do Shooto 46

Quando a luta voltou a ser de pé, Cocão fez o óbvio: esperou Sardinha vir, esquivou e acertou um direto. Lona. Aí foi só sacramentar a vitória no chão. Detalhe que o árbitro deixou o conquistense bater demais com o lutador local já desacordado. E, vendo o replay, o cara nem interrompe a luta. Quem para de bater é Cocão. Lamentável!

Sei que, se o árbitro interrompesse quando Sardinha ainda tivesse alguma chance, o público ia querer matá-lo, mas o que ele fez colocou em risco a saúde do atleta. Tanto que Sardinha ficou muito tempo ainda ‘em alfa’ no octógono.

No geral, tenho que parabenizar a Zé Mário Team e todos os envolvidos pela iniciativa e organização. Que venham outros Shootos!

 

 

 

Resultados:

Geraldo Júnior “Cocão” venceu Jurandir “Sardinha” por nocaute aos 3m50s do primeiro round
Jafael Cavalcante venceu Daniel Rodrigues por finalização (mata-leão) a 1m32s do terceiro round
Silmar Rodrigo venceu Marcos “Biriba” Tanajura por decisão unânime
Valto “Ciclope” Ribeiro venceu Cleuber Cabral por finalização (kata-gatame) a 1m09s do terceiro round
Eric “Panterinha” dos Santos venceu Clécio “Fantasma” Pereira por nocaute técnico aos 3m23s do segundo round
Tyago “Buda” Nascimento venceu João Nogueira Domingos por nocaute técnico aos 2m05s do primeiro round
Shely “Pilão” Santana venceu Aloísio “Homem Fera” Adson por nocaute técnico aos 2m39s do primeiro round
Cleiton Ramos Pereira venceu Marcos Silva por decisão unânime
Marcus Figueiredo venceu Maxsuel Giraldo por decisão unânime

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O ano de 2014 começou bem para o MMA na Bahia. Logo agora, nos dois primeiros meses do ano, teremos edições dos dois maiores eventos do esporte em solo local: Shooto e Jungle Fight. Uma pena só que a (falte de) estrutura de Salvador faça com que ambos sejam realizados em cidades menores, ainda que próximas à capital. Esse fato pode diminuir o alcance do público pela dificuldade de locomoção.

O Shooto 46 rola amanhã, dia 24, no Ginásio Municipal de Lauro de Freitas, a partir das 20h. O Jungle Fight 65 acontece em 2 de fevereiro, na Arena Madre, em Madre de Deus, como parte do projeto Madre Verão. A ‘peleja’, como diria minha avó, começa às 20h30. Ambos terão transmissão do canal a cabo Combate. O Jungle ainda passará também no Sportv e terá transmissão internacional pela ESPN 3.

Além dos eventos, a outra boa notícia é que o WFE, que, há dois anos, chegou num nível muito bom de reconhecimento e de qualidade de lutas, vai voltar. Acredito muito no trabalho de Luiz Fernando, a quem conheço nem sei desde quando e que é um cara persistente no mundo do MMA, e de sua equipe para que o evento baiano tenha um público mais cativo ainda nesta retomada.

NA RAÇA

Voltando ao Shooto, ele acontece num momento em que a relação entre a Zé Mario Team, de Zé Mario Benedicts, e a carioca Nova União, de Dedé Pederneiras, está num ponto muito legal para o MMA baiano. Foi através dessa parceria que Bruno Carioca chegou ao UFC (uma pena que tenha perdido a primeira luta). Dedé é o idealizador do Shooto e partiu de Zé Mario trazer o evento para cá.

“Você convive no meio, sabe que a gente tem a necessidade de bons eventos”, me disse Zé Mário, que confidenciou que contou com o apoio de um aluno que é empresário para trazer o Shooto. “Com certeza a maior dificuldade é a falta de apoio. A gente é patrocinado só por gente do meio do MMA mesmo”.

O próprio ginásio de Lauro de Freitas, apesar de recém-reinaugurado, não tem a estrutura necessária para receber um vento desse tipo e o pesseoal da ZMT vai se virando. “Em Salvador, a gente não tem nem onde fazer. Nem na Fonte Nova é possível. Estamos aqui aos trancos e barrancos, mas vai dar tudo certo”, confia. MMA aqui é assim, na raça!

Zé Mário buscou colocar no card lutadores que ele acredita que podem dar um salto a mais dentro do MMA. Amanhã, estarei lá pra conferir o evento e dar essa força. Se você puder, faça  igual a mim, vá também e leve um bocado de amigos. Os ingressos custam R$ 20 e a mesa com quatro lugares (com estacionamento privativo e serviço de bar) sai por R$ 300.

O card é esse:

Jurandir Sardinha X Geraldo ‘ COCÃO’ Júnior

Jafael Cavalcante X Daniel Rodrigues ‘SANTA CRUZ’ (RN)

Silmar Rodrigo (RN) X Marcos Tanajura ‘BIRIBA’

Cleuber Cabral X Valto ‘CICLOP’ Ribeiro

Clécio Pereira X Eric dos Santos de Jesus

João Domingos x Tyago Nascimento ‘BUDA’ (RN)

Aloisio Adson ‘HOMEM FERA’ x Shely Santana

Marcos Silva x Cleiton Pereira

Maxsuel Giraldo x Marcus Figueiredo

Foto: Viviane Sales / Shooto Brasil

ARENA ESPECIAL

Já o Jungle Fight 65 é uma parceria do evento com a prefeitura de Madre de Deus, que, nos últimos anos, tem promovido o Madre Verão, reunindo música, esportes e atividades, para a população local durante a estação quente. São apenas 63 km de distância de Salvador e vale dar uma chega lá de dia, curtir um pouco a praia (que é legal) e depois assistir ao Jungle, que acontecerá numa arena especial montada para o projeto.

“Estamos todos muito felizes de irmos pela primeira vez para Madre de Deus, na Bahia. Espero que a chegada do Jungle Fight incentive ainda mais a prática do MMA em Madre de Deus e no estado todo. Essa iniciativa é muito importante para mostrar a força e a importância desse esporte e do nosso evento, que é o maior da América Latina”, afirmou Wallid Ismail, presidente do evento, através de sua assessoria de comunicação.

O card do Jungle contará com diversos atletas da Champion Team, de Luiz Dórea, treinador Júnior Cigano e Hugo Wolverine, entre outros. Mas a luta principal será entre dois atletas de fora: Thiago Trator, do Amapá, defende o cinturão dos leves (70kg) contra Ary Santos (RJ). Achei o card bem interessante.

Thiago Trator (Mikito Team) X  Ary Santos (Arena Champs) - Cinturão 70KgJunior Orgulho (Champion Team/ Nordeste JJ) X Michel “Demolidor” Pereira (Base MMA club)Renato Velame (Champion Team) X Nildo Katchal (Roxo Strike)Lucio Curado (Popó Fight Team) x Alexandre Cidade (Team Tavares)

Kleber Orgulho (Champion Team) X Wendres “Godzila” da Silva (Pitbull Brothers)

Rodrigo Taigra (Gracie Barra Bahia) X  Eliseu “Capoeira” (CM System)

Leonardo Laiola “Caveira” (Champion Team) X Luciano Benício (Nova União)

Fabricio “Negao” Jonas (Nova União) X Alex Miudinho (Champion Team/ Nordeste JJ)

Lantyer Ribeiro “Mão de Pedra” (Team Madre Fight) X Italo Araujo (Champion Team)

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 No começo, o Ultimate Fighter Championship parecia ter saído das telas de cinema. O primeiro evento, em novembro de 1993, reunia lutadores de artes marciais diferentes num torneio com quartas, semis e final disputadas no mesmo dia.

O objetivo era mostrar qual das artes era superior. A ideia havia vindo da familía Gracie, comandada pelo mestre de jiu-jistu Hélio Gracie, que realizou pequena adaptações à arte oriental secular. Sempre muito confiantes, os Gracie queriam mostrar a força do jiu-jitsu brasileiro.

Conseguiram. Afinal, Royce Gracie se sagrou o primeiro campeão do UFC. Naquele dia, teve de tudo. Kickboxing, boxe, sumô, caratê, savate, tae kwon dô… e poucas regras: round único, nada de luvas obrigatórias, quimonos eram permitidos.

O evento foi um sucesso mas a violência chocou. Tanto que o vale-tudo, já que a sigla MMA (artes marciais mistas, em inglês) só surgiria mais tarde, começou a ser proibido em diversos estados americanos. Foi aí que entrou em cena Dana White e os irmãos Fertitta.


O trio que comprou o UFC à beira da falência deu aquilo que faltava à organização: profissionalismo e uma visão de mercado inteligente. Juntos, eles criaram mais regras e conseguiram, assim, a licença para que o evento voltasse a acontecer na maioria dos estados americanos.

O reality show The Ultimate Fighter (TUF), em 2005, em que lutadores pouco experientes, competiam para conseguir um contrato foi fundamental para o UFC conquistar o público. Ao mostrar o dia a dia dos lutadores, White & cia. humanizaram aqueles que eram tidos como brutamontes sem neurônios. O formato de reality show, consagrado com o Big Brother, por exemplo, foi de fácil entendimento para os americanos.

Faltava, então, o mundo. A grande sacada foi começar pelo vizinho Canadá e pelo Brasil, com sua quantidade enorme de lutadores e sendo um mercado econômico em franca ascensão. Para conquistar os canadenses, o UFC investiu em George St-Pierre. O campeão dos meio-médios é hoje, talvez, o maior ídolo do Canadá e maior vendedor de pay-per-views do evento.

O UFC chegou ao Brasil por tabela, comprando o decadente Pride e, com ele, os contratos dos maiores lutadores nacionais. O nocaute no mercado brasileiro veio apenas em 2011, no evento que colocou Anderson Silva e Vitor Belfort frente a frente. A partir daí, o UFC se estabilizou no país com eventos em diversas cidades e uma versão nacional do The Ultimate Fighter.

Nos seus 20 anos, o UFC já tem os principais planos claros. Expandir-se para os maiores mercados longe da América: Rússia, China e Índia que, juntos possuem mais de um terço da população mundial. O número de lutadores russos subiu e o gigante asiático receberá uma versão do TUF, assim como em terras indianas.

Por quê o crescimento? Simples. O UFC é uma organização bem planejada que profissionalizou algo que sempre foi inerente ao ser humano desde seus primórdios: o gosto pela luta. E faz isso com respeito ao público e uma grande dose de marketing. É uma questão de tempo até suas metas serem alcançadas. Pouco tempo.

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