Quem quisesse também poderia chama-lo de Zé do Rádio. Antes de fechar qualquer matéria, principalmente do Vitória, José Carlos Mesquita ficava ligado nas resenhas esportivas, com um olho no teclado Olivetti, que depois virou PC, e o ouvido no radinho de pilha vermelho e preto, sempre apoiado entre o ombro e a orelha direita. 

Depois de um início de carreira na Tribuna da Bahia, Mesquitinha foi repórter de esportes do antigo Correio da Bahia por mais de 20 anos. Setorista do Vitória, tinha um texto minuciosamente informativo. Mesquita levava uma rotina de trabalho entre tapas e beijos com o editor Luiz Diniz, mais conhecido como Dente.

Quando o chefe dizia precisar de 30 linhas para completar o espaço da página, Mesquita lhe apresentava 60 linhas, às vezes 80. “É para dar margem de corte, Dente”. Diniz bradava, mas logo depois voltavam às boas. Uma coisa é certa. Não havia ninguém mais bem informado das coisas do futebol, principalmente do rubro-negro. Mesquitinha não gostava de tomar “bola nas costas” . Ficava nervoso quando alguém lhe dava um furo jornalístico.

Levei um choque quando soube hoje de sua morte, aos 61 anos. O consolo foi ver o Campo Santo lotado. Uma multidão formada por familiares, amigos, cronistas esportivos e jornalistas foi dar o último adeus a Zé do Rádio. Pena que tinha tempo que não o encontrava por aí, Mesquitinha. Perdemos o contato. A vida é assim mesmo… .

Comments Nenhum comentário »

A reportagem publicada no domingo sobre o número absurdo de assaltos, roubos de carros e arrombamentos em Stella Maris, a qual dividi assinatura com Florence Perez, parece que deu resultado. Ainda que a PM tenha dito na própria matéria que apenas vai intensificar as blitze na região, a prefeitura divulgou nota ontem prometendo que vai tomar algumas medidas para melhorar a segurança.

Penumbra na maioria das ruas de Stella facilita ação de bandidos/Foto: Robson Mendes

A Sesp, por exemplo, garantiu que vai requalificar a iluminação das ruas, uma das principais reivindicações dos moradores. A Limpur e a Sucop disseram que vão realizar a limpeza de terrenos baldios e as podas das árvores, que contribuem para a ação de bandidos.

Bairro é um paraíso dentro da cidade/Foto: Antonio Saturnino

É muito gratificante quando o seu trabalho dá resultado. Espero que as promessas sejam, de fato, cumpridas. E que não sejam apenas medidas paliativas, mas permanentes. Estamos de olho.

Comments Nenhum comentário »

Repararam na manchete de segunda-feira, dia 11 de março, do jornal O Imparcial, de São Luís. Pois é. No Maranhão, parece que eles utilizam a sigla do estado nos títulos. Aqui, muito raramente. Mas, nesse caso, o resultado foi uma apologia ao genocídio de médicos. Será que ninguém conseguiu enxergar que o “Ma” (de Maranhão) com o “tem” criou uma espécie de cacófato? O editor de capa deve ter ficado sem saber onde enfiava a cara no dia seguinte.

Comments Nenhum comentário »

Fiquem tranquilos Raul, Elvis, Beatles, Nirvana, Led Zeppelin, Pink Floyd, Jimi Hendrix e Chico Science! Esse japinha de dois anos mostra que o rock está muito longe de morrer.

Comments Nenhum comentário »

Foto: Divulgação

Foi no Carnaval do ano passado. No final do arrastão da quarta-feira de cinzas, suando feito cuzcuz, colei em Brown para ver se extraía alguma coisa . Durante a rápida entrevista que o cacique me concedeu, alguém que trabalhava para a assessoria dele registrou essa imagem aí de cima. Pura ilusão de ótica esse beijo do cacique. Mas, se fosse de verdade, receberia com o maior orgulho.

Bom, só queria fazer uma homenagem ao baiano que encantou Hollywood e foi indicado ao Oscar. Aliás, na minha leiga opinião, Real in Rio, música fruto da parceria de Carlinhos com Sérgio Mendes, dá de dez a zero na composição que venceu na categoria melhor canção original, Man or Muppet, do filme Os Muppets. “Não tenho essa vaidade de ser o primeiro”, disse Brown, de quem sou cada vez mais fã.

Comments Nenhum comentário »

Foto: Socorro Araújo

Como eu, ela também ama o espírito chistoso e cheio de pulha do povo baiano. A revisora do CORREIO, Socorro Araújo, deu uma de retratista e “bateu uma” foto sensacional no domingo de Carnaval, no Pelourinho. Para mim, a melhor imagem registrada na festa. Ah, se ligue no detalhe do papel higiênico, escrito bem pequenininho, em vermelho.

Comments Nenhum comentário »

 
“Ele fez o que todo homem já fez um dia. Terminou com a federal no início do verão, escaldou tudo no Carnaval e agora vai ver o que é que dá. Ficam condenando o cara só porque é prefeito. Comigo ele ganhou muitos pontos” (Frase de um grande amigo) 

Foto: Valter Pontes/Divulgação

Comments 2 comentários »

Recebi esse cartaz da prefeitura de Santo Antonio de Jesus no primeiro dia de Carnaval. Que antecedência!

Comments Nenhum comentário »

A passarela do Campo Grande é o único ponto do Circuito Osmar que tem atenção da mídia

Nenhuma câmera de TV mostrou. Os fotógrafos também não clicaram. Só quem estava ali, atrás do trio, testemunhou o momento único. O cantor Xexéu e o filho, Ian, cantando juntos, acompanhados por Denny, Ninha, Amanda e Brown. Xexéu relembrou os maiores sucessos da época em que era a maior estrela da Timbalada.

Era início da avenida Sete de Setembro e o encontro, no domingo, emocionou a todos. Ao mesmo tempo, foi mais uma prova de que, apesar do sucesso do Carnaval do Centro esse ano – com atrações de peso como Brown e Chiclete apostando no trajeto – ainda falta a mídia valorizar o circuito tradicional.

Tirando a passarela onde ficam as emissoras, no Campo Grande, as lentes ainda não dão a devida atenção ao extenso Circuito Osmar. O restante do trajeto é simplesmente esquecido. Nem mesmo a Praça Castro Alves, símbolo do Carnaval, tem recebido estrutura de TV, rádio ou jornal. O próprio encontro de trios, que esse ano reuniu nada menos que Moraes Moreira, Luiz Caldas e Pepeu Gomes, além de Saulo, praticamente não teve transmissão ao vivo. Apenas a estatal TV Educativa se arriscou a mostrar tudo em tempo real.

Como revitalizar o Carnaval do centro sem a mídia? Só ela pode mostrar o que o mais tradicional circuito da folia ainda tem a nos oferecer. É o Carnaval dos moradores da cidade, dos banquinhos na porta de casa, das disputas Ba x Vis nas sacadas dos prédios. “A gente não vê uma emissora de TV por aqui. Quantos registros importantes não se perdem. O mundo pode se acabar na Avenida e ninguém vê”, disse, indignado, Florisvaldo Freitas, 47 anos, morador da Avenida Sete.

Comments Nenhum comentário »

Sempre me perguntei sobre como a gente deixou a coisa chegar a esse ponto. Os blocos e bandas estão ficando milionários usando a rua, espaço público, espaço nosso. Por isso, assino embaixo (se é que minha assinatura vale alguma coisa) o texto de Messias Bandeira, publicado nessa sexta de Carnaval, no Terra Magazine. Aí está ele na íntegra.

Cordas e Camarotes: cinturões da exclusão

Messias Bandeira / Músico e professor da Ufba

A recente declaração de Bell Marques (Chiclete com Banana), justificando a manutenção das cordas no carnaval de Salvador, é o sintoma mais aparente do preconceito de classe que subsiste na Bahia. A novidade é que, ao expressar publicamente sua índole, Bell aperta, até o último buraco, o cinturão da exclusão na maior festa popular do mundo.

Poderíamos dizer que se trata de uma fala isolada, um deslize. Não é o caso. O carnaval dá relevo a uma situação sistêmica da desigualdade em Salvador. Bell Marques e sua turma acentuam a discriminação, empurrando as cordas e o preconceito contra aqueles que, ironicamente, deram-lhes palco, prestígio e riqueza.

O silêncio de outras estrelas da axé music diante de tal declaração é um aval ao apartheid pretendido por muitos blocos, camarotes e suas correias de transmissão instaladas nos órgãos e secretarias da (des)governança da cidade de Salvador. Eles não podem continuar dando as cartas. E o município não pode amesquinhar-se ante aqueles que operam no submundo do esquema marqueteiro.

Da aviltante “popcorn experience” – acreditem: um cercado que permite aos ilustres pagantes dos camarotes a vivência do carnaval no asfalto “sem se misturar” – ao sequestro dos espaços públicos por alguns camarotes, tudo parece nos expulsar do carnaval.

Não carrego ilusões. O carnaval baiano não é a festa da igualdade. No limite, ele subtrai o distanciamento físico de estratos sociais, falseando uma equidade que, na realidade, se apresenta apenas de forma simbólica durante 6 dias. Ou seja: entre “chupar um geladinho na corda” e apreciar um drink no espaço gourmet do camarote, há um imenso abismo. Inclusão social? Capitalismo de estado? Qual? Aquele que oferece 9.837 m2 ao Camarote Salvador e 0,6 m2 ao isopor de cerveja?

É bem verdade que o carnaval não será o locus da superação de disparidades sociais históricas. Trata-se de uma festa. Mas é exatamente por isso que o vetor mercadológico deveria estar submetido ao core cultural da festa. E não o contrário. O carnaval também é um campo de disputa política. Cordas e camarotes até podem ser justificáveis em algumas situações. No entanto, usá-los como forma de opressão é inaceitável.

Bem, eu poderia fugir do carnaval e virar as costas pra tudo isso. Mas estarei ali, ocupando o espaço público, na companhia de cidadãos que querem celebrar o carnaval, que exigem respeito e dignidade. E não apenas porque pago os meus impostos – o que me reduziria a um simples consumidor de serviços públicos. Mas, sobretudo, porque vivo nesta cidade.

Minha fórmula? Abaixem as cordas e desçam do camarote. Venham viver não a “popcorn experience”, mas a “human experience”. Depois de 35 anos pulando atrás do trio de Dodô e Osmar, eu garanto: além de uma atitude cidadã, é muito mais divertido!

Comments 1 comentário »