Vamos combinar uma coisa? Para cada ondinha que você pula eu tomo um gole. A noite de Reveillon é só mais um motivo para beber. Até porque, eu não conto a vida de ano em ano. Se for para dividir o tempo, prefiro que seja de quatro em quatro anos. Eu conto a vida em Copas do Mundo, amigo. A cabeça não está em 2012, mas em 2014.
Por isso, uma pergunta, como diz Portelinha, tem apertado minha mente. Como é que a cidade da cerveja quente quer sediar o maior espetáculo da terra? No último feriado de Natal, fiquei preocupado.
Tinha tudo para ser um daqueles dias para rebater a noite anterior. O sol sorriu com vontade no dia 25, lembram? Lá em casa, dessa vez, não rolou escaldado de peru. Os que suportaram a ressaca sugeriram os bares da vida para beber mais e provar comida da boa.
Eram 16h do horário de Verão quando puxamos as cadeiras na mesa de um bar na Barra. Claro, pedimos uma gelada. Repito: eram 16h. Ao abrir a primeira (e a última), o garçom largou sem dó.
- Senhor, a nossa cozinha está fechando. O senhor deseja alguma coisa?
Peraí. Se eu desejo alguma coisa? Eu desejo tudo que eu tenho direito, meu velho. Desejo o Verão de Salvador e o que ele tem pra oferecer. Nesse momento, de frente para o morro do Cristo, de cara para esse espelho d´água e para o farol lá na ponta, desejo um filé com fritas para acompanhar minha sede.
- Infelizmente, senhor, nossa cozinheira já foi embora. E vamos fechar o bar daqui a pouco…
Tudo bem, o pessoal queria ver a família. Mas olhe para as ruas lotadas de turistas e baianos. E se o dono prometesse uma contribuição extra na caixinha do pessoal?
- Ah, aí eu trabalhava feliz…
Tem horas que essa mentalidade de província, de estabelecimentos que não gostam de ganhar dinheiro, me irrita profundamente. Arlindo, primo sempre exigente, perdeu a paciência e queria voltar pra casa. Júnior, sobrinho de 27 anos que tinha vindo de Sergipe, já pensava em pegar a Linha-Verde e beber em Atalaia.
E eu perguntando: é essa cidade sem ousadia empresarial, onde a primeira cerveja é também a saideira, que quer fazer a Copa do Mundo? Ulisses, amigo paciente, insistiu que mudássemos de bar. Difícil era encontrar algum aberto. Achamos em Patamares. Não gosto de cerveja que rima com “ruim”, mas não tem tu vai tu mesmo.
E pra comer? O escondidinho foi bater na mesa ao lado. A porção de bolinhos nunca veio, mas entrou na conta. Os pastéis estavam sem identificação. E se Maria Clara, alérgica a crustáceos, mordesse o de caranguejo? Juro que tudo seria perdoado se a cerveja estivesse gelada. Mas não, a bicha tava espumando até quando inclinava o copo na hora de servir.
Tá na hora desse pessoal fazer um estágio no Ponte Aérea, a cerva mais perfeita de Salvador. Até Jamanta do Bagacinho, que faz milagre com dois freezers, poderia ajudar. Na minha opinião, o maior problema de Salvador para a Copa não é o metrô, nem a segurança, menos ainda o aeroporto. O nosso maior desafio é a melhoria dos serviços, a cerveja gelada. Para quem está preocupado com 2012, feliz ano novo.
* Texto originalmente publicado no dia 31 de dezembro, na coluna de esportes de sábado do jornal CORREIO, na qual eu substituo o secretário de redação Paulo Leandro durante suas férias.
A infância da gente é como um baú cheio de relíquias. A diferença é que, ao meter a mão lá no fundo, só se descobre saudade. No meu caso, por mais que o tempo passe, quero manter tudo intocado, como deixei vinte e poucos anos atrás.
Minha relação com o futebol, por exemplo, é infância pura. Jamais vou abandonar a paixão rubro-negra que meu avô me ensinou a ter. Que saudade dele e daquela camisa do Vitória que ele e minha avó me deram quando eu tinha uns 7 anos. Lamento tanto não ter guardado.
No momento em que escrevo esse texto, às 17h desta terça-feira, recebo uma notícia difícil. “Xan, tia Magui foi embora”, disse, por telefone, minutos atrás, meu pai. O que sinto com a perda de uma pessoa tão querida é um misto de tristeza e nostalgia. Isso porque tia Magui é a tia da minha infância.
Sabe aquela tia em quem todos confiam quando querem se livrar de crianças como eu durante as férias de verão? Parece que estou ouvindo a voz dela: “Xanxan, onde você pegou tantos piolhos? Será possível um negócio desses?”. De quem mais, além de seus pais, se ouve uma frase como essa a não ser da tia da sua infância?
A casa de tia Magui, na Ilha de Itaparica, era o sonho de qualquer menino. Semanas seguidas de pão com ovo e Nescau no café da manhã, disputadas partidas de futebol e vôlei antes do almoço, praia à tarde e, à noite, jogos de tabuleiro ou brincadeiras criadas por nós. Tia Magui estava sempre por perto, alimentando nossos sonhos e distribuindo regulagens.
O maior presente que tia Magui me deu foi a convivência com a própria filha, Aline (Ninha), prima de espírito solidário e, como a mãe, de um inabalável bom-humor. A renca estava sempre junta. Eu, Ninha (com quem formava dupla imbatível de vôlei de grama no terreno da mesma casa), Dedeco, Nado, Janjão, Luisinho, minha irmã Gabriela, Marquinhos e Ricardo, só para lembrar os que tinham idades parecidas.
É isso… Não sei muito o que escrever. Só queria deixar uma homenagem. E dizer que, apesar de lamentar o distanciamento e o fato de ultimamente nos vermos apenas em grandes eventos de família, tia Magui será sempre uma das intocadas relíquias do baú da minha infância. Devo a ela boa parte da alegria que vivi naquele período. Obrigado, tia Magui.
Que responsa! Substituir Victor “Xumi” Uchôa na sua coluna rubro-negra semanal é uma das mais difíceis missões de minha vida. Mas o cara é meu amigo e eu sou Vitória. Amigo e o Vitória, caros leitores, não se trai. Não há sub-secretária de saúde que mude isso.
O desabafo de ontem da ex-primeira-dama me fez refletir sobre o matrimônio do Vitória com sua torcida. Pelo que ela narrou dos 27 anos que passou ao lado do prefeito, enxerguei semelhanças com a campanha do time nessa Série B. Ao longo da temporada, o Vitória e o torcedor viveram um casamento com muitos períodos de crise, mas também felicidades, usando palavras da própria ex-mulher de João.
As semelhanças, porém, param por aí. No final das contas, temos muito mais a ensinar ao casal recém-separado do que o contrário. Em momento algum, o rubro-negro de verdade deixou de acreditar. Mesmo o “jovem” Cecílio e até Brendo, da cantina da Rede Bahia, jamais abandonaram totalmente as esperanças. Andaram cabisbaixos, é verdade, mas nunca pensaram em se aventurar numa relação extraconjugal com outras cores que não a rubro e a negra.
Diferente do que aconteceu nos “subterrâneos” da política baiana, não houve pulada de cerca. Nos aplausos ou nas vaias, na saúde dos gols de Fábio Santos ou nas falhas doentes de Fernando (aquela contra o Paraná não me sai da cabeça), a nação rubro-negra está com esse time até a morte. Seu Adaílton, que morreu do coração durante Vitória X Barueri, é uma das provas disso.
Certo é que, em dado instante, deve ter rolado uma “DR” dentro do elenco.
Enquanto no Thomé de Souza o prefeito se lambuzava com sua Mônica Lewinsky, na Toca do Leão o pessoal parou para discutir o relacionamento com a bola. Alguém deve ter chamado todo mundo de corno e tudo mudou de repente. Parece até que os apelos de Victor nesse espaço foram ouvidos.
De uns jogos pra cá, a defesa começou a subir. Jean arrancou as raízes que o prendiam no chão e Gabriel Paulista passou a arrepiar como o zagueiro da música de Jorge Ben. O meio-de-campo se acertou e o ataque, até sem Marquinhos, tá concluindo melhor. Só Benazzi continua inventando. Mas, a essa altura, a gente desculpa porque o time está vencendo. E, como se sabe, trair e ganhar é só começar.
Por isso, depois dessa virada espetacular rumo à elite, você vai precisar de uma boa desculpa para não ir ao Barradão nesse sábado. Temos que lascar o São Caetano em banda com casa cheia, nem que para isso você coloque em risco seu próprio casamento. Tente negociar com a patroa (ou patrão). Se ela ou ele, ainda assim, chiar, faça como a ex-primeira-dama. Diga que você é livre e daqui pra frente vai viver a sua vida. Porque o Vitória não se trai. Simplesmente se ama.
*Texto originalmente publicado na coluna semanal de Victor Uchôa no site do CORREIO
É a pergunta que me fiz enquanto escrevia a matéria sobre a mulher que disse ter encontrado um passarinho dentro de uma lata de Fanta Laranja (Leia Aqui). Ficamos sabendo do fato através de um conhecido de um colaborador do CORREIO, que estava no mesmo restaurante em que a professora Ana Critina França Costa, 44, almoçava na terça-feira passada.
Aliás, dona Ana é aparentemente uma pessoa correta. Não parece ter motivos para inventar uma loucura dessa. Particularmente, acredito em tudo o que ela relata. Ainda assim, a única certeza que tenho nessa história é que nunca me deparei com reportagem tão intrigante.
Também conversei com um diretor industrial da Coca-Cola. Ele me explicou passo a passo como se dá o transporte, a limpeza e o enchimento das latas na fábrica de Simões Filho, pertinho de Salvador. Me pareceu um sistema quase infalível. Quase.
Bom, dona Ana deu queixa na delegacia do consumidor. Vamos esperar o resultado da perícia, que sai em 30 dias. Mas, independende do que o Departamento de Polícia Técnica (DPT) vai dizer, acho difícil qlguém responder como aquele passarinho foi parar ali.
Depois de cumprir em uma hora um percurso que costumo fazer em 10 minutos, cheguei ao trabalho sorrindo e cantarolando nessa manhã chuvosa. Ninguém entendeu nada. Aí expliquei. “Nada como poesia, romantismo e futebol para salvar seu engarrafamento”. Quando, em plena avenida Garibaldi, uma inevitável sensação de estresse começou a surgir, aumentei o som na faixa Meu Esquema, da banda pernambucana Mundo Livre/SA. A letra vai logo abaixo do vídeo.
Meu Esquema Mundo Livre S/A
Ela é meu treino de futebol
Ela é meu domingão de sol
Ela é meu esquema
Ela é meu concerto de rock’roll
Nação, minha torcida gritando gol
Minha Ipanema
Ela é meu curso de anatomia
Ela é meu retiro espiritual
Ela é minha história
Ela é meu desfile internacional
Ela é meu bloco de carnaval
Minha evolução…
Galega
Tento descrever o que é estar com você
Princesa
Todos vão saber que eu estou muito bem com você
Ela é minha ilha da Fantasia
A mais avançada das terapias
Meu Playcenter
Ela é minha pista alucinada
A mais concorrida das baladas
Meu inferninho
Ela é meu esporte radical
Poderosa, viciante, mas não faz mal
Meu docinho
Ela é o que meu médico receitou
Rivaldo Maravilha mandando um gol
Minha chapação…
Esse é meu novo apelido, divulgado por Alan Rodrigues. Ele faz referência à propaganda da Nissan que recentemente reverberou em todo o Brasil: “Xande Maldito”, é como estão me chamando. Sou o pônei infernal, o cavalinho chato e maçante que aborrece tabelionatos, ofícios, enfim, as unidades extrajudiciais de Salvador.
Tudo porque, ontem, quando a repórter Florence Perez tentava repercutir reportagem do CORREIO sobre uma tabeliã envolvida em mais um caso de corrupção, essa mesma senhora referiu-se a mim da seguinte forma: “Esse Alexandre é um maldito. Deve ser trauma de cartório!”. Sábias palavras, Dra. Solução, digo, Conceição.
Reprodução/Arquivo CORREIO
Assim como todo cidadão baiano que um dia precisou dos serviços que vocês prestam, tenho trauma mesmo. Minha cruzada contra a corrupção nos cartórios começou em 2009, precisamente no dia em que resolveram me cobrar R$450 de taxa extra por um registro de imóvel. Infeliz o jornalista que não se torna um pônei maldito na vida de quem tá errado.
Arte/CORREIO
De lá pra cá, das pessoas denunciadas em reportagens minhas, uma funcionária foi demitida, uma outra acabou suspensa por 90 dias, um policial militar foi afastado, dois despachantes foram investigados e, agora, a senhora, responde sindicância. “Xande, maldito; Xande maldito, lá-lá-lá-lá-lá-lá!”.
Não esqueço o dia em que Matheus Carvalho, hoje referência do jornalismo esportivo baiano, me chamou em um canto da Faculdade de Comunicação da Ufba (Facom) e disse. “Você é o novo repórter do programa No Campo do 4″. Era apenas segundo semestre na graduação e tremi. Um final de semana depois, saía para fazer matéria no Fazendão e Toca do Leão.
Foi aí que conheci o homem que, defendem alguns, revolucionou a história do Vitória. Eu, que o entrevistei várias vezes, não consigo pensar assim. Na minha visão, Paulo Carneiro sempre foi sinônimo de brutalidade e autoritarismo. Digo isso mesmo com todos os problemas que o clube enfrenta hoje. Nada, nem a diretoria que está aí afundando o time na Série B, poderia ser pior.
Apesar disso, acho que fiz meu papel de jornalista e consegui dosar bem a mão nessa reportagem-perfil sobre sua saída do rubro-negro. Uma espécie de prós e contras de PC como presidente que eu resgato do You Tube. O ano era 2005 e eu ainda me aventurava na TV Aratu, a tv do Galinho. Bons tempos e eternas saudades da equipe de rua de Elizeu Godoy, formada por mim, pelo cinegrafista Robson Mello e pelo auxiliar Lourival Félix.
O Leão andava meio sumido do Moqueca. Mas um trecho da coluna semanal do rubro-negro Victor Uchôa, publicada ontem, me faz retornar com o único assunto que tem me atormentado mais do que minhas dívidas. O texto é um resumo do que tem sido o Vitória na série B.
Foto: Arisson Marinho
“Depois da derrota por 3 a 2 para a Portuguesa, a assessoria de imprensa do Vitória publicou no site do clube um resumo do jogo intitulado “Infelicidade”, verbete aí aplicado com o sentido de má sorte. Ou seja, na Toca do Leão, incompetência mudou de nome – e de significado”