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No gol, Fernando tava pegando tudo até enjoar aquela bola esquisita, batendo no chão, para nascer o primeiro gol do Icasa. O empate no Barradão foi suado, veio com gol de pênalti de Neto Baiano.
Depois, Fernando deu outro mole, no empate com o Paraná, uma bola doida cruzada pelo alto, ele não segurou e no rebote, o adversário empatou.
O Vitória teve também um goleiro Felipe Alves se não me engano, que parecia que tava jogando com gol aberto. Tomou sapeca de quatro diante do Goiás por causa dele.
Douglas já merecia ter ganho a posição de Viáfara desde o Campeonato Baiano. Fez boas defesas e é um goleiro-goleiro mesmo, não tem proposta de sair jogando, máscara zero, joga pro time.
Precisa treinar mais saídas do gol, principalmente nos escanteios. Quando a bola vier pelo alto na pequena área, tem de ser dele.
Lateral direita, Nino Paraíba tem muito pique e pode melhorar muito nos cruzamentos. Mas foi uma opção de apoio do Vitória em muitos jogos. Deixa sempre um buraco atrás, por isso, seu êxito depende também de uma boa cobertura do volante que cai pelo lado direito.
O Vitória tem um jogador de Seleção como opção, Romário, mas parece que tem um problema com empresário e o clube não investe de com força nesse jovem talento.
A zaga sempre foi um problema a campanha inteira. Alison fez algumas boas partidas mas nunca deixará de passar desconfiança por sua forte identificação com o Bahia. Maurício não é bom na cabeça e quando vai cercar o adversário geralmente faz falta, sem necessidade. E essas faltas nas imediações da área ou mesmo mais na intermediária são fonte de sufoco e sobrecarga para a defesa, pois vem chuveirinho ou então jogadas pelas pontas. Terminou o Vitória com a zaga definida com Jean, experiente, e Gabriel Paulista, esforçado.
Lateral esquerda teve Fernandinho, muito irregular. altos e baixos.
Ueliton começou mal depois deu sangue; Neto Coruja fez péssimas partidas, jogou umas duas boas na reta final, uma delas contra o Criciúma (vitória por 3×1); Charles Wagner e Zé Luis não responderam afirmativo quando foram chamados na hora do vamo-ver e erraram lances capitais, principalmente Zé Luis. Não foi só na absurda derrota para o São Caetano, na penúltima partida (2×1); antes, contra o mesmo São Caetano, ele foi expulso sem necessidade e o time paulista conseguiu o empate de 2×2, lá.
No ataque, Rildo poderia ter contribuído mais, se não fosse aquela loucura da expulsão na derrota para o Boa. Neto Baiano deu sangue, parece até que pegou um afeto pelo clube, e quando se precisou dele, não errou não. Mas Fábio Santos é um jogador melhor, se posiciona melhor, cabeceia melhor, dá o corpo para o zagueiro advérsário, protege a bola. Marquinhos foi tudo de bom até se machucar e ficar fora da reta de chegada.
A torcida, altos e baixos também, acompanhando o time na irregularidade. Muito imatura, muitas vezes prejudicou o time vaiando quando era para aplaudir. Quando o Barradão passa de 5 mil pessoas, já fica preocupante porque o público excedente desta quantidade torna-se muito exigente, como se fosse consumir o clube, em uma opção de lazer e entretenimento.
Precisa assumir a condição de torcida mesmo e não de público.
O técnico Benazzi arrumou o time. O Vitória tava horrível, sem padrão nenhum.
Terminou a campanha dando pra escalar o time. Preto jogou direitinho. No meio-campo, um monte de trintões bons de bola, Geovani, Geraldo, Lúcio Flávio… Xuxa fez uns golzinhos.
E é bom lembrar que tudo seria bem diferente se o bandeirinha não anulasse errado um gol de Xuxa quando tava 1×0 contra o São Caetano.
Aí, nada estaria errado e os jogadores seriam heróis hoje.
O resultado empobrece totalmente a filosofia do futebol. Precisamos aprender a pensar o futebol sem olhar pro placar.
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Shedra Brasil 2011 – S.E. Dzigar Kongtrul Rinpoche
Sua Eminência Dzigar Kongtrul Rinpoche, um dos mais respeitados e célebres mestres do budismo tibetano de sua geração,dará ensinamentos no período de 8 a 14 de novembro de 2011, das 19âs 21 horas, no Hotel Porto Bello, em Ondina – Salvador-Bahia. Estes ensinamentos são sobre um texto compacto e vívido que cobre todo o caminho Mahayana, em 123 versos – “Carta a Um Amigo”, de Nagarjuna.
Nasceu na Índia, cresceu em um ambiente monástico e recebeu treinamento intensivo em todos os aspectos da doutrina budista.
Em 1989, Rinpoche mudou-se para os Estados Unidos com sua esposa e filho, e em 1990 iniciou um mandato de cinco anos como professor de filosofia budista na Universidade de Naropa. Rinpoche fundou a organização MSB (Mangala Sri Bhuti) que está centrada na sabedoria e na prática da tradição Longchen Nyingthing da linhagem Nyingma.
Atualmente, Dzigar Kongtrül Rinpoche está desenvolvendo um projeto da criação de um Shedra* aqui em Salvador. Na série da Shedra, os ensinamentos são oferecidos de uma forma sistemática com a finalidade de aumentar o estudo e conhecimento do Dharma. A Shedra está direcionada/aberta para toda a comunidade Budista Brasileira.
*Shedra: é um curso tradicional de educação superior . Tem como objetivo aprofundar nos ensinamentos budistas, usando estruturas de textos, terminologia e lógica.
Informações sobre o evento:http://rinpochenobrasil.blogspot.com/ ou com
Sarah Gomes
Centro Budista Guna Norling
Organização Mangala Shri Bhuti
Travessa Pedra da Sereia, 24E – Rio Vermelho – Salvador – Bahia
Telefones: (71) 8856-9139/9997-6230
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As principais joias do tesouro esportivo baiano são duas: Taça Brasil de 59 e Copa União de 88.
Ambas estavam ao alcance das mãos na bonita festa pela passagem dos 80 anos do Bahia.
Mais valiosa que as duas taças só a presença de uma grande amiga das antigas.
Fica aqui o agradecimento a Margarida Neide pela gentileza desses dois cliques históricos.
Aqui embaixo, a Taça Brasil conquistada em 29 de março de 1960, aniversário de Salvador.

Outra preciosidade: Copa União, conquistada em 19 de fevereiro de 1989

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Né todo time que pode ter um filmaço como é o Bahia Minha Vida.
Compartilho aqui a felicidade da comunidade tricolor com o sucesso no cinema.
Que a sétima arte possa registrar os momentos maravilhosos do futebol.
É um encontro positivo de duas das mais preciosas manifestações culturais dos brasileiros.
Um brinde a Déa e a Katiely, duas tricoloras de primeira divisão!
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Por Carlos Santana
Um dos maiores clássicos do país acontecerá neste domingo, dia 21, em Pituaço.
Se encontrarão Bahia e Santos.
Estes dois times vêm se enfrentando desde 1936 num amistoso no saudoso Estádio Arthur Morais, Campo da Graça, quando a equipe santista venceu por 2×1.
De lá para cá muitos jogos.
Alguns destaques como a inesquecível decisão do título brasileiro de 1959, que escolheria o primeiro representante brasileiro para a Libertadores quando o tricolor venceu no Maracanã, em 29/03/1960 pelo placar de 3×1: o Bahia encheu os olhos dos brasileiros com um futebol de amor a camisa, garra e determinação.
Após este jogo, vieram mais duas decisões envolvendo estas duas equipes.
Em 1961, um empate (1×1) e uma vitória (5×1) deram o título brasileiro ao Santos de Pelé e em 1964 com duas vitórias (6×0 e 2×0) o time peixeiro conquistou mais uma vez o brasileiro.
Um jogo que os tricolores não gostam de ouvir falar foi o realizado na Vila Belmiro em 1968 valendo pela Taça de Prata. Escore Santos 9×2.
Houve também o jogo em que o rei Pelé contabilizava 999 gols em 1969.
Fonte Nova lotada empate de 1×1, o rei não marcou, estavam na sua cola o zagueiro Nildon e o meia Baiaco (autor do gol do Bahia).
O goleiro Jurandir estava numa tarde de “graça”.
Ainda pela Taça de Prata em 1970, no Batistão em Aracaju, Santos 5×1.
Pelo Campeonato Brasileiro, instituído a partir de 1971, estas duas equipes se enfrentaram 24 vezes, com 10 vitórias do Bahia, 10 do Santos e 4 empates.
Detalhe: Só dois empates de 0×0, é sinônimo de que gols é o que não faltam neste clássico.
Em toda a história entre Bahia e Santos este jogo de Domingo será o 50º.
1971 – Bahia 0×0
1972 – Bahia 0×2 (Nenê, Edu)
1975 – Santos 0×2 (Mickey, Thirson)
1976 – Santos 0×0
1977 – Santos 0×1 (Altimar)
1978 – Bahia 3×0 (Beijoca2, Douglas)
1986 – Bahia 3×0 (Sandro2, Claudio Adão)
1987 – Santos 0×1 (Sandro)
1988 – Bahia 5×1 (Zé Carlos2, Charles, Cassio, Marquinhos, Sócrates)
1989 – Santos 3×1 (Paulinho2, Ernani, Ronaldo Silva)
1990 – Santos 1×0 (Almir)
1991 – Bahia 1×0 (Jorginho)
1992 – Bahia 0×2 (Paulinho, Dinho)
1994 – Santos 3×0 (Macedo, Silva, Paulinho Kobayachi)
1994 – Bahia 2×1 (Neto, Marcelo, Raudinei)
1994 – Bahia 3×2 (Guga, Paulinho Kobayachi, Uéslei3)
1995 – Santos 3×2 (Camanducaia, Cilinho, Jameli, Jean, Raudinei)
1996 – Bahia 1×1 (Wladimir, Vagner)
1997 – Santos 3×1 (Robson Luiz, João Santos, Arinélson, Dutra)
2000 – Santos0x1 (Jorge Wagner)
2001 – Santos 5×1 (Viola3, Cleber, Russo,R óbson)
2002 – Bahia 1×1 (Robson, Léo)
2003 – Santos 4×0 (Douglas, William, Jerry, Fabiano)
2003 – Bahia 4×7 (Robinho2, Diego2, Léo,William,Fabiano, Preto, Cícero, Didi2)
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A fotógrafa e navegadora de Capbreton, na França, Julie, esteve no Estádio Barradão.
Queria porque queria conhecer uma praça esportiva brasileira e visitou o Manoel Barradas.
Com olhar tranquilo, captou algumas pinturas de pouco movimento.
E registrou o que não se viu divulgado em outras mídias: o protesto da turma de Franciel.
Aqui, alguns dos momentos da visitante ilustre que passou despercebida na torcida do Vitória.

Monsieur Igô, com a camisa de Arturzinho, título estadual de 93, e madamoiselle Julie, com a camisa do título de 1980, originalmente vestida por Tadeu Macrini.

Visão geral do Barradão parecendo uma pintura, na hora do Hino Nacional.

Será que a galera de Franciel poderia explicar melhor pra Julie o que quer dizer esta história de ‘política pés na lama’?

No final do jogo, teve coro de “Ei, Alexi, vá não sei o quê… ” Ficaria chato tentar traduzir para a fotógrafa francesa.

Clima de café à beira do Rio Sena. O olhar da francesa não se importou com os lances do jogo.
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O Senhor do Bonfim foi sensível às súplicas da Musa Katiely e o resultado tá lá no placar: 3×1.
Para comemorar o sucesso da Operação Colina Sagrada, Sexta-feira passada, o Página Ímpar publica, aqui, na íntegra, um ping com a coelhinha da sorte do Bahia.
PI – O que você sente ao vibrar junto com a torcida do Bahia?
KK- Uma energia positiva, com emoção e sensação maravilhosas.
PI – O que dizem os torcedores do Vitória quando sabem que você é musa tricolor?
KK – Eles falam que eu sou muito linda, mas que eu deveria ser musa do time deles.
PI - Nem todo mundo lida bem com a ideia de ter de aguentar ver a namorada muito exposta na mídia. A azaração da galera é geral. Como seu namorado reage às gracinhas da concorrência?
KK – Essa pergunta é sem resposta, pois estou solteira, sem namorado
PI – Pra você, o Bahia será tricampeão brasileiro? Qual a melhor colocação que você vê para o Bahia na sua bola de cristal?
KK – Sim, em primeiro lugar.
PI – Quem é seu craque preferido atualmente? E qual o jogador que mais te lembra o Bahia na história do clube?
KK – Para mim é toda equipe, porque eles jogam em conjunto. Bobô é o maior jogador.
PI – Qual o jogo do Bahia que você não esquece?
KK – Quando meu time subiu para a série A. Essa foi inesquecivel.
PI – Que presente você gostaria de dar a cada um dos torcedores do Bahia?
KK – O título de musa do Brasileirão 2011
Katiely Kathissumi em números:
altura:1,70
busto: 89
cintura:72
quadril:102
manequim: 42
calçado: 38

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Nesta Sexta-Feira, a Musa da Bamor, Kathiely Kathissumi, teve a ideia de visitar a Igreja do Bonfim.
Deixou sua residência em Stella Maris, por volta de 3 e meia da tarde e chegou a Colina Sagrada, alguns engarrafamentos depois.
O objetivo da musa baiana é fazer um pedidinho ao Senhor do Bonfim para dar uma força.
É mais um alento para o Tricolor quebrar o jejum e vencer o Figueirense, amanhã.
Mais baiana que a miss da Bamor, impossível: curte acarajé com pimenta e tudo.
Mais baiano que o Senhor do Bonfim, impossível: Sentinela Imortal da Bahia.
Aqui, alguns bons momentos do alto astral que a Musa Kathiely captou e gerou na sua visita de Sexta-Feira, dia de Oxalá. As fotos são de Julie, navegadora francesa que está dando um tempinho em Salvador, antes de voltar pro mar rumo a Capbreton.
Simpatia total, esta enfermeira talentosa foi logo olhar o amigo vendedor de medidas do Bonfim.
Fé não há de faltar jamais em quem acredita no talento tricolor como lição de vida.

Os fãs colaram logo assim que ela chegou ao adro da Igreja. Esse ficou com um risão imenso!
Controle de bola e haja medidas do Bonfim pra garantir que nada vai dar errado.
Retrato da Bahia: a musa mais baiana e tricolor e a Igreja que representa nossa religiosidade.
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… e o Bahia amanheceu entre os quatro últimos da Série A.
Mas não há de ser nada: quem tem uma torcida dessa, não tem o que temer.
Que venha o Vasco! (e o Figueirense, o Palmeiras, o Inter, o Santos…)
É hora de o Bahia mostrar toda a garra de bicampeão brasileiro.

Parabéns aos amigos da Bamor pela força que dão ao Bahia a cada jogo.
Grato a Hélio Ferraro pela boa ideia de divulgar o talento tricolor.
E sucesso para a musa tricolor Kathiely Kathissumi!

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Décio Torres Cruz
Sábado à noite. Ligo a televisão e fico chocado com as imagens do massacre e atentado na Noruega. Ainda atordoado com as atrocidades que vejo no canal de notícias da BBC, fico mais atônito quando a repórter anuncia que Amy Winehouse foi encontrada morta em sua casa. A notícia me atingiu como uma pancada que soltei um grito de surpresa, ainda sem saber qual notícia era pior. A segunda parecia ser uma tragédia há muito anunciada devido ao estilo de vida que ela escolhera. Mas ninguém queria ver a tragédia acontecer. Corro pro facebook e escrevo: “Duas tragédias consecutivas: o massacre/atentado em Oslo, e o mundo perde uma das vozes mais bonitas e diferentes dos últimos tempos. Morrem 92 anônimos na Noruega, jovens vidas ceifadas, cada um com sua história, cedo interrompida. Morre Amy Winehouse aqui em Camden Town, um dos meus lugares favoritos, apenas com 27 anos. E ficamos cada vez mais estupefatos com a insanidade humana, e cada vez mais tristes com perdas de grandes artistas”.

Sobre a primeira notícia, discorro depois, pois merece um texto à parte. Comento agora a morte de Amy, essa pobre alma sofrida, que tanto me lembra Janis Joplin. Quando morre um talento artístico, começam sempre as comparações com as mortes de outros. No facebook comentavam a coincidência de tantos artistas morrerem aos 27 anos. Imediatamente, fico pensando como a imprensa iria noticiar isso.
Um amigo comenta a glamourização da mídia em torno de artistas troublemakers [causadores de problemas] e sua morte precoce, transformando-os em mártires, mitificando-os em lendas e divindades, esquecendo-se que eles são modelos seguidos por muitos jovens e da inevitável associação entre uso das drogas e talento, irreverência e inovação. Memórias de adolescente voltam à minha mente e recordo duas manchetes sobre a morte de Elis Regina: em uma delas, uma revista de grande circulação nacional dava como capa: “A tragédia da cocaína”. Outra: “Adeus, Elis!” A primeira utilizava um discurso conservador, culpando a vítima da tragédia e aproveitando a oportunidade para desenvolver uma propaganda antidrogas. A segunda prestava uma homenagem à grande artista, de forma poética, até na escolha da foto da capa. E eu me perguntava: Será que devemos cercear talentos apenas por suas escolhas na vida?
Descobri Amy por acaso, através de um amigo, quando o visitava em Belo Horizonte. Imediatamente me apaixonei por sua voz e comentei com ele que aquela voz era de um dos talentos mais inovadores que havia aparecido no cenário musical do século XXI, combinando a tristeza jazzística do soul à la Billie Holiday com a diferença de uma voz única, mesclando a rouquidão de Joplin com um timbre só seu. Embora não fosse fã, gosto dela e fiquei muito triste com sua partida.
Ontem decidi visitar o local onde ela morava em Camden, um dos meus lugares favoritos de Londres, uma meca de descolados, alternativos, hippies, turistas do mundo inteiro, e também de londrinos. Existe um restaurante brasileiro chamado “Made in Brazil” na área, mas estava fechado. Vou ao mercado de comidas e descubro um quiosque brasileiro. Pego a comida e sento nas lambretas que servem de cadeiras nessa espécie de refeitório comunitário aberto, olhando para o canal de águas tranquilas que atravessa o bairro. Depois, tento descobrir onde era a Camden Square. Pergunto a uma vendedora simpática, ela indaga se busco a praça onde Amy Winehouse (cujo sobrenome ironicamente traduz-se como “casa de vinho”) vivia e me indica a direção.
Ando alguns quarteirões até chegar a uma praça tranquila e cercada, onde crianças brincam alheias ao que se passa por ali. No outro extremo, diviso um grupo de pessoas em volta de um dos gradis da praça. Aproximo-me e começo a ler as mensagens. A primeira logo me emociona: “Obrigado, Amy, você fez uma velha roqueira querer brincar outra vez, viver novamente, você inspirou tantas pessoas e tantas mais que virão. Você continua a viver. Beijos.” Mensagens similares se espalhavam pelo chão, e pessoas, como eu, fotografavam tudo, para registrar aquele momento. Taça de vinho, maço de cigarros e latas de cerveja também compunham o cenário, homenagem de fãs que queriam homenageá-la com elementos de seu vício. E eu, com um olhar baiano, não pude deixar de associar essa homenagem com as oferendas aos orixás, deixados nas esquinas de Salvador.
Ando em direção à casa dela. Uma frágil fita de plástico demarca o território onde um grupo maior de pessoas, fãs e repórteres, se posiciona. A polícia havia isolado a área em frente à casa que dá para uma passagem para a praça. Uma árvore serve de limite para o isolamento e território para outras homenagens. Nessa árvore, alguém postou vários papéis, onde se lê uma mensagem em inglês, com erros de ortografia típicos de falantes nativos que trocam as formas “you’re” [você está] por “your” [seu] devido à semelhança fonética: “Your breaking my heart, Your tearing it apart, so fuck you! I love you” [Você tá quebrando meu coração, você tá partindo ele em pedaços, então foda-se/dane-se! Te amo]. Mais cedo, os pais dela haviam vindo ali, leram as mensagens depositadas ao redor da árvore e falaram com os fãs. Desvendo uma bandeira brasileira entre as mensagens. Com o uso desnecessário de um artigo definido em inglês, a mensagem dizia: “Amy Winehouse, o Brasil te ama. Descanse em paz”, seguida do nome dos dois autores. Outra dizia: “Brasil ama Amy”, o verbo amar representado por um coração. Um desenho representava Amy em forma de uma santa, aludindo ao sagrado coração de Jesus. Lembro do comentário de meu amigo sobre mitificação e martirização. Relaciono a palavra fã a fanatismo. Será que logo vão propor sua beatificação?
Havia silêncio e muita tristeza em volta, até mesmo do pessoal da imprensa. Bem em frente à casa de número 30, dois policiais montam guarda e outros quatro seguranças se postam em frente às casas vizinhas, dois em cada uma. Fico imaginando em qual delas mora um vizinho que um dia foi reclamar do barulho que ela fazia, tocando de noite. Quando ela comprou a casa no bairro, os vizinhos temiam assédio da imprensa que, por ironia, só surgiu com sua morte.
Os papparazi e repórteres buscam novidades. Um deles, ao meu lado, entrevista um amigo dela para um canal de TV. O entrevistado fala que ela sempre visitava o seu restaurante e conta como um dia ela cozinhou para ele, de sua simplicidade e generosidade para com os amigos. Outra repórter, caneta e caderno na mão, procura saber quem é o entrevistado, a celebridade do momento, todos à espera de um evento, de um assunto jornalístico. Nada acontece. De repente, forma-se um círculo e todos se voltam para um fã que acabava de chegar e desembrulhava um quadro com a imagem dela que ele havia pintado. Ele posa para as fotos, conseguira seus segundos de fama. Outra fã, cabelos à la Amy, depositava flores no chão. Ninguém prestou atenção nela, que depois de um tempo, foi-se embora com a pessoa que a acompanhava.
Em outra árvore, alguém havia deixado um cartaz, com um poema/letra de música intitulado “Oh Amy, Why?” O uso incorreto de uma estrutura inglesa demonstra que foi escrito por algum estrangeiro. Leio o poema/música:
“Esperamos e de joelhos rezamos. Sua súbita partida lhe deu alento. Esperamos e rezamos, unidos. O jeito que você nos deixou não é suicídio. A verdade não vai mudar o modo como sentimos. Oh Amy, por quê? Por que isso aconteceu? Você era tão jovem, com um dom, tão talentosa? Você devia ter ficado conosco. Ficado conosco por gerações. Um dia, pensei comigo mesmo, isso é só um pesadelo, a noite passará e tudo ficará, é apenas um grito matinal. Um dia, pensei comigo mesmo, talvez o mundo esteja dormindo. A noite passará e a realidade será redentora. Mas você se foi de verdade. Oh, Amy, por quê? Por que nos deixou? Deixem dizer o que querem, não nos importamos, deixem escrever o que ousarem, não ligamos. Nada disso importa agora que você se foi. Por que não lhe ajudaram durante sua abstinência? Agora faremos com que sua música sobreviva, faremos com que seu legado viva, nada vai mudar o modo como sentimos. Te amamos Amy, amamos pra valer.
Emocionado, olho em volta, e também me pergunto: “Por quê?” Decido voltar para casa. Não sou fã, nem repórter à procura de notícias. Passo novamente pela praça cercada, onde, apenas a alguns metros de um carro com antenas parabólicas de uma rede de televisão, crianças continuam brincando como se nada daquilo estivesse acontecendo ao seu redor.
Lembro do texto de Antonin Artaud sobre Van Gogh, “o suicidado da sociedade”. Quem ou o quê “suicidou” Amy? O antigo namorado, Blake Fielder-Civil, hoje preso, que a levou às drogas (de acordo com jornal local, antes de conhecê-lo, ela era careta e detestava até mesmo o cheiro de maconha)? A infelicidade pelo término da relação? O sucesso inesperado? O término com o namorado recente? A mídia? A tristeza e vergonha de se ver retratada de forma tão negativa e degradante? A ganância de empresários que a forçaram a fazer o seu último show em Belgrado sem que ela tivesse condições? O fracasso desse show, para sempre eternizado no youtube sem que nada mais pudesse reverter cenas patéticas do seu próprio desespero no palco por não conseguir cantar? O cancelamento forçado de toda a sua turnê? Possíveis problemas financeiros daí decorrentes? A ânsia de viver tudo ao máximo a qualquer custo? A causa física da morte ainda é um mistério para a polícia, e o resultado da autopsia ainda vai levar algumas semanas para ser divulgado, mas as pessoas se esquecem da causa emocional que pode destruir uma alma em frangalhos. Essa, contudo, jamais será conhecida.

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