MP quer fechar abrigo que salva as crianças no Largo da Madragoa

Fernanda Cunha, estudante de jornalismo da FIB/Estácio

O Ministério Público já avisou: a Creche Escola Minha Avó Flor tem de fechar. O motivo é muito simples: desde 2007 a instituição não atende às exigências mínimas para funcionamento. Como ainda não saiu a liminar para fechamento da creche, as crianças continuam a chegar.

A creche abriga hoje cerca de 100 crianças, encaminhadas pelo Conselho Tutelar ou deixadas pelos próprios pais. O MP alega que a casa está fora dos padrões já que a casa não tem quartos, banheiros e área de lazer adequados.

Edna, mãe de Carlos Henrique, diz que se sente muito segura em deixar seu filho na creche. “Quando venho buscá-lo, ele sempre tem coisas boas para contar. Fala do quanto se divertiu e aprendeu com Vó Flor. Sinto muito pelo sufoco que ela está passando agora.”

Além das crianças que entram e saem da creche todos os dias, há também aquelas que os pais levam para passar o dia e nunca mais voltaram para buscar, é o caso de Lucas.

“Minha mãe disse que eu ia gostar daqui, que iam cuidar de mim e que era para eu esperar ela me buscar. Mas ela não veio e Vó disse que eu posso ficar aqui esperando. Não sei que dia ela chega.”

São para essas crianças que Vó Flor se motiva todos os dias. “Tenho fé, minha filha, Deus não há de deixar isso acontecer. E para onde vão meus meninos? Quero que eles fiquem comigo. Eu cuido deles.”

Chegando ao Largo da Madragoa, na Ribeira, é possível encontrar crianças e jovens se divertindo com os seus familiares.

No imóvel logo em frente, uma realidade familiar bem diferente. Lá está localizado o orfanato e creche Minha Vó Flor, fundado em 1978 pela aposentada Florenice Gomes Macedo, 74 anos, a Vovó Flor. O orfanato abriga 63 crianças e jovens de oito meses a 19 anos.

O orfanato funcionou 12 anos em Água de Meninos, onde Dona Florenice morava, e quatro anos no Bonfim. Segundo ela, a entidade foi para a Ribeira porque o número de crianças abrigadas aumentou. “Essa casa é maior e dá para os meninos ficarem mais à vontade”.

Dona Florenice declarou que nunca teve pretensão de inaugurar o orfanato e que tudo aconteceu naturalmente: “As pessoas me pediam para tomar conta de seus filhos porque não tinham condições de criar”.

A coordenadora e voluntária Nanci de Souza, está há 15 anos na entidade e disse que o orfanato funciona graças a doações voluntárias de moradores do bairro.

A creche recebe doações em alimentos e dinheiro, depositado em conta bancária, para ajudar no aluguel da casa que é de R$ 1.116. Nanci não disse, mas o total das despesas podem chegar a três vezes este valor, se acrescentadas as contas de luz, água e os gastos com medicamentos e alimentação.

Segundo Nanci, as doações não são fixas. “Eles ajudam, mas não todo mês, eles podem vir hoje e no outro mês não aparecer mais”, afirmou ela.

As crianças vêm de várias localidades de Salvador e Região Metropolitana, como Camaçari, Subúrbio Ferroviário e a região da Avenida San Martin e entorno.

Nanci afirmou que o abandono e a falta de condições financeiras dos pais são freqüentes.

As crianças têm aulas de espanhol e capoeira com professores voluntários e saem para passear e brincar no largo todos os fins de semana com os “padrinhos” da creche que se responsabilizam por uma ou mais crianças durante um determinado tempo.

Segundo a coordenadora, as crianças são encaminhadas ao orfanato pelo Conselho Tutelar e quando chegam à instituição recebem orientação psicológica devido aos problemas sociais que passaram.

Além disso, Nanci afirmou que muitas crianças chegam com sérios problemas de saúde. “Já vi criança chegar aqui com os olhos amarelos de hepatite. E outros com muito verme, nesse caso encaminhamos logo a clínicas que contribuem com a gente”.

Serviços

Como chegar: Todos os ônibus que vão para a Ribeira passam no Largo da Madragoa.

Telefone para contato: 3312-1701

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