![]() | Hagamenon Brito, crítico musical do CORREIO desde 1993. É fissurado por canções, livros, filmes, TV, gatas e ornitorrincos |
|
28/12/2008 17:28:00
Melhores de 2008
|
||||||||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||||||||
|
Adriana Calcanhotto: Melhor cantora e álbum nacional (Maré) do ano
Não sou o escritor inglês Nick Hornby (Alta fidelidade), mas também adoro listas. Elas são pop e banais. Então, eis os Melhores de 2008 para o blog PopHead, numa mistura de relevância artística (João Gilberto), importância factual (a histórica eleição de Barack Obama para a Presidência dos EUA: um negro na liderança do país #1 do mundo), fatores mercadológicos e gosto pessoal, claro. Na temporada em que a Bossa Nova comemorou 50 anos, o mestre João Gilberto deixou o seu retiro e fez quatro concertos no país (um no Rio, dois em SP e um em Salvador, no Teatro Castro Alves, dia 5 de setembro). A mesma efeméride reuniu Roberto Carlos e Caetano Veloso pela primeira vez num (excelente) show, em homenagem ao maestro Tom Jobim, apresentado no Rio e em São Paulo (e já disponível em DVD e CD). A crise financeira que abalou o capitalismo (sistema econômico e social imperfeito, mas o melhor já criado) mundial no segundo semestre não tem nada a ver com o rock brasileiro, mas o segmento encolhe a cada temporada nos últimos anos. De meados dos 90 para cá, o BRock perdeu espaço e revelou poucos nomes de grande apelo popular (algo fundamental em qualquer gênero). De quem é a culpa? Do mainstream, que se renova na velocidade de uma tartaruga? Do grande público jovem, que prefere balada regada a axé e sertanejo, pois o importante não é a música em si, mas a muvuca para ficar e beijar na boca? De parte do indie rock que, diante da falência da indústria fonográfica tradicional, acha que internet é tudo? Da falta de carisma de uma geração, salvo raras exceções? Nenhuma das alternativas? Enquanto o emo mais que discutível de grupos como NX Zero seguiu conquistando as garotinhas, a compositora Adriana Calcanhotto reiterou o seu talento pop cult/MPB com o álbum Maré e o homeboy Marcelo D2 aumentou a dose de guitarras do seu já consolidado samba rap com A arte do barulho. Entre os veteranos, Ney Matogrosso desafiou o tempo mostrando boa forma física e artística com o show Inclassificáveis; e Maria Bethânia uniu-se à dama cubana Omara Portuondo num belo espetáculo. As melhores coisas do pop & rock, porém, foram da matriz anglo-saxão, só para variar. Entre elas, a estréia do grupo nova-iorquino Vampire Weekend com um álbum sensacional (não editado no Brasil) repleto de influências oitentistas de Peter Gabriel e Talking Heads. Duas outras boas estréias: a cantora galesa Duffy (mix do visual de Brigitte Bardot com o vocal de Dusty Springfield) e a dupla americana MGMT (o show no Tim Festival, no Rio, foi chato, mas o álbum é 10!). Duas bandas já consagradas geraram muita notícia: Metallica, que voltou com tudo com Death magnetic; e Coldplay, que transformou Viva la vida no álbum de rock mais vendido de 2008 (mais de 2 milhões de CDs e 500 mil unidades virtuais desde o lançamento, em junho). Na cena de Salvador, Cof Damu (pelo selo Som Livre Apresenta) e Aguarraz, ambas com garotas nos vocais, se destacaram com trabalhos melódicos, enquanto Vivendo do Ócio foi a revelação e assegurou álbum na Deckdisc, em 2009, com produção de Rafael Ramos (Pitty, Capital Inicial, Dead Fish). Outros destaques: o surgimento do prêmio Bahia de Todos os Rocks, Messias produzindo o BoomBahia Festival (e preparando estréia solo) e Ricardo Cury, ex-baterista da brincando de deus, mostrando talento como cronista pop no livro Para colorir. No mercadão da axé music, nada de novo (a não ser que você tenha interesse em subprodutos como Voa a Dois): apenas Claudia Leitte reunindo 700 mil pessoas na Praia de Copacabana, Rio, em fevereiro, para gravar DVD/CD; e factóides para manter determinados artistas em evidência na mídia. E mais: já faz tempo que o axé virou música das classes média e alta (daqui e de outras capitais) através de festas e carnavais fora de época: quem representa hoje o pensamento da maioria do jovem soteropolitano de periferia (e não só dela) é o pagode de grupos como Psirico e Fantasmão (e, em menor dimensão, o hip hop). No ano em que perdemos o patriarca Dorival Caymmi, o homem que praticamente inventou a canção brasileira, podemos ver bons e variados shows internacionais. A temporada acabou com a rainha-mãe do pop Madonna empolgando todo mundo no Rio e em São Paulo. Já a sucessora do trono, Britney Spears, lançou o maneiro Circus e parece que pôs a cabecinha loura no lugar (o que Amy Winehouse ainda não conseguiu). Confira nossos eleitos abaixo e prepare-se para Alanis Morissette (31 de janeiro, no Festival de Verão Salvador) e Radiohead. Finalmente no Brasil, a cultuada banda inglesa se apresenta em março, no Rio (dia 20, na Apoteose), e em SP (22, na Chácara do Jockey), com abertura do grupo alemão Kraftwerk, pai da música eletrônica moderna. * * * - Personalidade nacional: João Gilberto - Personalidade internacional: Barack Obama - Álbum nacional: Maré – Adriana Calcanhotto - Álbum internacional: Vampire Weekend – Vampire Weekend - DVD nacional: Samba meu – Maria Rita - DVD internacional: Certifiable – The Police - Música nacional: Desabafo – Marcelo D2 - Música internacional: Time to pretend - MGMT - Cantor nacional: Ney Matogrosso - Cantor internacional: John Legend - Cantora nacional: Adriana Calcanhotto - Cantora internacional: Duffy - Revelação nacional: Mallu Magalhães - Revelação internacional: Vampire Weekend - Banda nacional: .... (nenhuma mesmo!) - Banda internacional: The Killers - Show nacional: Roberto Carlos & Caetano Veloso cantam Tom Jobim (Teatro Municipal do Rio) - Show internacional: Klaxons (Tim Festival - Rio) - Rapper nacional: Marcelo D2 - Rapper internacional: Jay-Z - Filme nacional: Meu nome não é Johnny (Mauro Lima) - Filme internacional: Batman – O Cavaleiro das Trevas (Christopher Nolan) - Programa de TV nacional: A favorita (Globo) - Programa de TV internacional: Ugly Betty (Sony) - Para sempre na memória – Dorival Caymmi, Waldick Soriano, Paul Newman, Heath Ledger, Isaac Hayes, Bo Diddley e Henri Salvador.
Top 10 Nacional 1. Adriana Calcanhotto – Maré 2. Marcelo D2 – A arte do barulho 3. Milton Nascimento e Jobim Trio – Novas bossas 4. Roberto Carlos e Caetano Veloso e a música de Tom Jobim 5. Omara Portuondo e Maria Bethânia 6. Wilson Simoninha - Melhor 7. Lenine – Labiata 8. Rosa Passos – Romance 9. Ed Motta – Chapter 9 10. Zeca Baleiro – O coração do homem-bomba – Vol.1
Top 10 Internacional 1. Vampire Weekend 2. MGMT – Oracular spectacular 3. The Killers – Day & age 4. Duffy - Rockferry 5. Kings of Leon – Only by the night 6. Jay-Z – American gangster 7. TV On The Radio – Dear science 8. John Legend – Evolver 9. The Last Shadow Puppets – The age of the understatement 10. Gnarls Barkley – The odd couple
Confira o clipe de Oxford comma, do Vampire Weekend (EUA), revelação e melhor álbum internacional do ano:
|
||||||||||||||||||||||
|
25/12/2008 18:40:00
The Killers voltam a cair na dança
|
|||||||||||||
|
|
|||||||||||||
|
A banda The Killers é de Las Vegas, a capital americana do jogo, mas adoraria ter surgido na Inglaterra. Mais precisamente, na Londres dos anos 80, época do New Order (The Killers, aliás, foi extraído do nome de uma banda fictícia de um vídeo do New Order), Depeche Mode, The Cure, Duran Duran, Pet Shop Boys... O primeiro álbum, Hot fuss (2004), era cheio de influências dançantes do pós-punk e do synth-pop dos 80. A banda (que fez o show mais eletrizante da etapa carioca do Tim Festival, em 2007) estreou com o pé direito: vendeu cinco milhões de cópias e emplacou os poderosos hits Somebody told me e Mr. Brightside. No trabalho seguinte, Sam's town (2006), o quarteto liderado pelo bom vocalista Brandon Flowers se aproximou do rock americano tradicional (citaram até Bruce Springsteen e Bob Dylan como inspirações). O álbum vendeu quatro milhões de cópias e fez o grupo abrir shows para U2 e se acostumar a tocar para platéias de 40 mil pessoas. Em Day & age (Universal Music), porém, o novo disco de estúdio, The Killers resolveram retornar às 'raízes' oitentistas britânicas. Para isso, chamaram o produtor Stuart Price, colaborador de Madonna em Confessions on a dance floor (2005). O primeiro single, Human, por exemplo, é uma bela pop song para as pistas e bem poderia ter sido gravada pelo duo gay Erasure nos 80. The Killers é banda do tipo ame ou odeie. Gosta de refrões fortes, de sintetizadores (e guitarras), da afetação glam - e tudo isso tem de sobra em Day & age. Confira o videoclipe de Human:
|
|||||||||||||
|
23/12/2008 14:06:00
Little Joy no Brasil (em CD e show)
|
||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||
|
Maneiríssimo projeto americano de rock formado por Fabrizio Moretti (baterista dos Strokes), Rodrigo Amarante (Los Hermanos) e a vocalista Binki Shapiro, o Little Joy terá seu primeiro álbum lançado no Brasil na segunda quinzena de janeiro pelo selo Som Livre Apresenta (nos EUA e na Inglaterra, o CD saiu dia 4 de novembro). Junto com o álbum, o Little Joy desembarca no Brasil para quatro apresentações: Porto Alegre (Bar Opinião, dia 27 de janeiro), São Paulo (Clash Club, dia 28), Belo Horizonte (Freegels, dia 30) e Rio (Circo Voador, 6 de fevereiro). No palco, o Little Joy conta com o reforço de Matt Romano (bateria), Todd Dahlhoff (baixo) e Noah Georgeson (guitarra e teclados).
|
||||||||||||||||
|
22/12/2008 14:26:00
O ano em que eu subi a montanha
|
|||||||||||||
|
|
|||||||||||||
|
Natal. Ano-novo. Tudo outra vez, mas nunca igual. Nada se repete no mundo, embora isso nem sempre seja perceptível. Desde o nascimento até a velhice, o roteiro muda todo dia e o longa-metragem só termina com a morte. A produção estoura o orçamento, um técnico adoece, o ator principal briga com o diretor... Acalmado o pulso, tranqüilizo a insensata aceleração de meu coração. Açoito a palavra para que a emoção não engula a memória. Não quero que nada transborde, porque significaria que há momentos que não dependem de mim, que são superiores a mim. Hoje, não sei se a vida inteira é um assédio a esses clarões. Felizmente, esses clarões são cada vez menos freqüentes. Comentando sobre isso com um reverendo amigo, ele disse que esses relâmpagos emocionais são necessários ao crescimento do espírito, embora sejam dolorosos muitas vezes. Como um corte no dedo quando estamos descascando uma laranja com uma faca grande. Tenho deixado tantas coisas para trás nos últimos anos que chego a desconfiar do meu passado. Vivi realmente certas situações? Freqüentei aqueles lugares que parecem saídos de um road movie? Amei corpos que já estão decompostos? Beijei os cabelos brancos daquela senhora que me chamava de filho? Tenho deixado de fazer coisas que me davam prazer – e que, agora, perderam a graça. Tornaram-se repetitivas. Tenho deixado de fazer coisas que me deixavam em dúvida - e que, agora, revelaram de vez a sua face incômoda. Tornaram-se dispensáveis, como amigos do passado que já não têm nada a dizer. Lutei contra o tempo durante anos. Na adolescência, quando os dias demoravam a passar, quis me matar. Uma sensação de náufrago em alto mar. Para recuperar a paz escorrida na ampulheta, fiz um contrato com o velho senhor do destino: em troca da perda da ansiedade, ofereci amor incondicional. Deu certo. * * * De vez em quando aquela recordação volta ao coração. Então, canto Hallelujah, de Leonard Cohen, alongando as notas ao final das frases. Perco o sentido do olfato, os músculos da minha nuca endurecem, como se tivessem cãibras, mas eu recordo da promessa que fiz quando me recuperei do último clarão. Numa certa fase eu fui o garoto mais inteligente da cidade. Todos comentavam as minhas notas altas, o meu interesse por literatura, mitologia e música. Eu era o orgulho da família e dos fantasmas que habitavam os oito quartos do casarão. Agora, fecho os olhos e tenho dificuldade em lembrar das suas feições. * * * Estou no alto da montanha, perto dos penhascos,caminhando. Lá embaixo, a cidade é uma cratera a fervilhar. A minha vida, nem tanto. O trânsito parou completamente. Helicópteros imaginários da polícia cortam o céu feito aves de rapina. Parecem prontos a regurgitar jovens soldados a qualquer momento. O meu coração acelera, como se eu escutasse a sua voz doce. Sento na beira do rochedo e balanço as pernas. Gosto de flertar com a possibilidade de me atirar, de conjeturar sobre o corpo caindo no vácuo e ver o filme de minha vida se desenrolar em poucos segundos antes do baque no chão. Fim ou recomeço? * * * Natal. Ano-novo. Tudo outra vez, mas nunca igual. Como o amor que eu sinto por você.
Foto/'Wentworth Miller'/ator
|
|||||||||||||
|
19/12/2008 13:15:00
U2: álbum novo e reedições de luxo
|
||||||||||
|
|
||||||||||
|
Agora é oficial: a Universal confirmou que a superbanda U2 lança seu novo álbum de estúdio, No line on the horizon, dia 2 de março. Composto e gravado em várias partes do mundo (Marrocos, Irlanda, EUA e Inglaterra) e produzido pelos fiéis Brian Eno e Daniel Lanois (com produção adicional de Steve Lillywhite), No line on the horizon é o sucessor de How to dismantle an atomic bomb (2004), que vendeu 9 milhões de cópias. Enquanto isso, chegam às lojas brasileiras as reedições dos três primeiros álbuns do U2: Boy (1980), October (1981) e War (1983), marcados pelo som pós-punk que tanto impacto causou na época. Os relançamentos são caprichados: vêm no formato caixinha/CD duplo com áudio remasterizado e fotos raras. O CD 1 traz o disco original, enquanto o 2 reúne lados-B de estúdio, faixas não lançadas e remixes. O CD 2 de Boy, por exemplo, tem as faixas Speed of life, Saturday night e Cartoon world, descartadas na época, e uma releitura de I will follow, que não chegou a ser lançada. Cada álbum custa R$49,90, em média.
|
||||||||||
|
19/12/2008 11:56:00
A Camorra não brinca em serviço
|
||||||||
|
|
||||||||
|
Nascida em Nápoles, na Itália, a Camorra é a organização criminosa que mais mata pessoas no continente europeu. Diferentemente da máfia siciliana, ela não luta contra o Estado e a lei: os negócios são a prioridade de tudo e eles incluem extorsão, prostituição, tráfico de drogas e de armas, falsificação de roupas, elétricos e eletrônicos, e eliminação de lixo industrial. Há dois anos, o jornalista Roberto Saviano ousou escrever um livro-reportagem sobre a superorganização, Gomorra (Editora Bertrand Brasil, R$ 39/350 páginas) e, desde então, vive sob proteção policial porque foi jurado de morte (os criminosos prometeram matá-lo até o fim deste ano). Dirigido por Matteo Garrone, vencedor do Grand Prix no Festival de Cannes 2008, indicado ao Globo de Ouro e candidato italiano a uma indicação ao Oscar, o filme Gomorra é a adaptação do livro e a grande estréia cinematográfica da semana (em Salvador, está em exibição no moderno e novo Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, na Praça Castro Alves). De modo cruel e verdadeiro demais, como uma espécie de neo-realismo contemporâneo, o longa-metragem conta cinco histórias intercaladas de personagens ligados ao crime organizado. Não existe glamour em nada, tudo é feio e sujo: das ruas e condomínios da periferia de Nápoles aos protagonistas, num retrato perturbador. A realidade das pessoas que vivem nas regiões dominadas pela Camorra é infernal. Elas praticamente não têm alternativa a não ser baixar a cabeça diante de um poder que tudo vê e que cobra cumplicidade e participação.
|
||||||||
|
16/12/2008 12:55:00
D2 segue modernizando o passado
|
|||||||||||||
|
|
|||||||||||||
|
Marcelo Maldonado Gomes Peixoto, 41, o D2, começou a fazer história na música brasileira na década de 90 com o Planet Hemp, banda de hip hop e rock que chegou a ser presa em Brasília, em 2 de novembro de 1997, sob a acusação de fazer apologia às drogas. Na seqüência, ele experimentou a mistura de rap e samba e, nessa onda, transformou o seu segundo trabalho solo, À procura da batida perfeita (2003), no melhor álbum de um artista pop brasileiro nesta década. Depois de se aprofundar na estética rap e samba em três álbuns de estúdio e mais um Acústico MTV (2004), criando uma marca própria, D2 resolveu embaralhar novamente as pedras do seu dominó. Na companhia do fiel colaborador Mario Caldato Jr. (Beastie Boys, Jack Johnson, Marisa Monte) e estreando na EMI, ele retomou as guitarras roqueiras dos tempos do Planeta Maconha e adicionou a influência do funk carioca ao seu novo álbum, A arte do barulho. O primeiro single, Desabafo, não revela a influência roqueira de Arte do barulho. O ritmo é um legítimo hip hop sampa de D2, com o ótimo refrão sampleado de Deixa eu dizer (Ivan Lins/Ronaldo Monteiro), samba gravado por Cláudia nos anos 70. Afinal, a tal batida perfeita é um direito conquistado e continua sendo o eixo central da música do compositor. Os riffs de guitarra de Alexandre Vaz aparecem mais fortes, sim, na faixa título, em Fala sério (com participação de Mariana Aydar) e em Vem comigo que eu te levo pro céu, que termina com sampler de A Gaga de Ilhéus, sucesso do YouTube. Com mais peso na ambiência da sua sonoridade e explorando com habilidade os efeitos de Fernandinho Beat Box e as programações e os scratches do DJ Nuts, D2 segue querendo modernizar o passado, como Chico Science falou. Algumas letras reiteram a marra do cantor e, às vezes, ele se repete na atitude (e na autocelebração), como se continuasse mandando recados para desafetos como BNegão. Mas, no resumo da ópera rapper de D2, isso (ainda) não atrapalha. E, como no peito de todo malandro sangue bom também bate um coração, o cantor fica romântico em Ela disse (com participação de Thalma de Freitas) e meio soul em Minha missão (com canja vocal de Roberta Sá). Outros convidados que pegam o bonde de Marcelo D2 em A arte do barulho são Seu Jorge, a funkeira Zuzuca Poderosa (na ótima Meu tambor), o mestre Marcos Valle, o rapper americano Medaphor e o filhão Stephan Peixoto (em Atividade na laje). Confira o clipe de Desabafo:
|
|||||||||||||
|
15/12/2008 18:51:00
Doce vampiro teen
|
||||||||
|
|
||||||||
|
Fenômeno adolescente da temporada (especialmente, entre as garotas), o filme Crepúsculo - adaptação do livro homônimo que já vendeu mais de 25 milhões de cópias - estréia nesta sexta-feira em Salvador. Nos EUA, onde estreou dia 21 de novembro, o longa-metragem dirigido por Catherine Hardwicke já faturou US$ 150 milhões. O filme mostra Isabella Swan (Kristen Stewart), uma garota insatisfeita com a sua aparência física que se muda da ensolarada Phoenix para a chuvosa Folks, no norte do país, para morar com o pai. Ela se apaixona por Edward Cullen (Robert Pattinson), o cara mais bonito e misterioso da sua escola. Na verdade, um vampiro. Misturando Romeu & Julieta, vampirismo, um elenco jovem e atraente, ação e uma trilha sonora esperta (Muse, Paramore, Perry Farrell, etc), Crepúsculo (Twilight, em inglês) já garantiu uma seqüência para 2010.
|
||||||||
|
12/12/2008 16:24:00
Snow Patrol mudou para melhor
|
||||||||||||||||
|
|
||||||||||||||||
|
Depois de vender 4,5 milhões de cópias de Eyes open (2006), o Snow Patrol retorna bem com A hundred millions suns (Universal), álbum que teve a maior parte do material gravado no Hansa Studios, em Berlim, mesmo local onde David Bowie gravou os antológicos Low (1977), Heroes (1977) e Lodger (1979). Adeptos da fidelidade partidária ao espírito do indie rock torcem o nariz para o Snow Patrol, banda cuja maioria dos integrantes é irlandesa, mas foi formada em 1997, em Dundee, na Escócia. Acusam o grupo do vocalista e guitarrista Gary Lightbody de mudar de sonoridade de acordo com as conveniências do mercado. Este vosso escriba digital até entende o argumento dos detratores, mas compreende também que a banda mudou para melhor e tem um trunfo importante no rock: sabe compor canções para serem entoadas em grandes arenas. Certamente, a banda não teria descoberto isso se continuasse no selo Jeepster. Foi pelo Jeepster, o mesmo que revelou Belle and Sebastian, que a banda lançou os seus dois primeiros trabalhos, Music for polar bear (1998) e When it´s all over we still have to clear up (2001). Os discos, editado no Brasil pela Trama, passaram batidos com seu estilo indie rock até simpático, mas banal. Contratada pela Polydor, selo da Universal Music, a banda fez um upgrade artístico com Final straw (2003), cuja estética (romântica e melancólica) muitos quiseram colar a do Coldplay (que, antes de tornar-se uma superbanda, era acusada de pegar carona na sonoridade do Radiohead). Embalado por boas canções como Spitting games, Run e Chocolate e, claro, pelo poder promocional de uma major, o Snow Patrol vendeu 2,2 milhões de cópias e conquistou o cobiçado mercado dos EUA. E veio Eyes open (2006), que escancarou as portas do sucesso com camadas de guitarras melódicas e pianos, criando um som pop entre o suave e o denso. O Snow Patrol dificilmente irá entrar para a história do rock (o que, aliás, poucos conseguem). Mas o novo álbum, A hundred millions suns, reitera a habilidade do quinteto britânico em criar belas e radiofônicas composições. Confira o videoclipe de Take back the city, filmado no leste de Londres e dirigido por Alex Courtes (o mesmo de Seven nation army, do White Stripes):
|
||||||||||||||||
|
12/12/2008 13:40:00
Ação pós-11 de setembro
|
||||||||
|
|
||||||||
|
'Não confie em ninguém' é uma das regras básicas da CIA (agência central de inteligência americana). Na execução de uma missão, um agente não deve se afeiçoar a ninguém, tem que confiar apenas em si mesmo, mas sempre cumprindo ordens dos seus superiores, que, às vezes, esquecem radicamente do valor humano. Em Rede de mentiras (Body of lies), o diretor Ridley Scott (Gladiador) vai mais longe e engloba os indivíduos do interior da organização nessa regra de autoproteção, criando um thriller abalado por conspirações o tempo todo. Uma sensação de desconfiança instala-se tanto no espectador quanto no personagem central, Roger Ferris (Leonardo DiCaprio/foto), um agente da CIA que vai à Jordânia em busca de informações que possam levar à captura de um terrorista. Ele trabalha sob as ordens de Edward Hoffman (Russell Crowe), seu supervisor que se encontra a milhares de distância. Além, Ferris coopera com o serviço de inteligência da Jordânia e tanto a sua vida como a de quem ama correm perigo. Há quem procure ver Rede de mentiras como uma produção, digamos, séria, sobre o terrorismo internacional pós-11 de setembro. Menos, por favor. Com roteiro de William Monaham (Os infiltrados) e baseado no livro do jornalista David Ignatius, o filme é, sim, um thriller muito eficiente - não mais do que isso. Na verdade, sete anos depois dos ataques terroristas aos EUA, Hollywood já transformou o assunto em um forte subgênero. Em sua ação globalizada, o personagem de Leonardo DiCaprio bem poderia ser parente de James Bond ou Jason Bourne.
|
||||||||
|
12/12/2008 10:50:00
O primeiro DVD da Guerreira
|
||||||||||
|
|
||||||||||
|
Maior cantora brasileira de samba, mas também ótima intérprete de outros gêneros, Clara Nunes ganha seu primeiro DVD, que chega às lojas na próxima semana pela EMI. Terminados os processos de recuperação de áudio e vídeo, o precioso material pertencente aos arquivos do Fantástico (Globo) mostra a artista interpretando clássicos como Canto de areia, Portela na avenida, O mar serenou, Nação, Macunaíma e Guerreira. São videoclipes feitos numa época (entre os anos 70 e 80) em que não havia efeitos especiais ou grandes recursos tecnológicos. Mineira que soube incorporar a baianidade visual feminina do candomblé, com suas várias pulseiras de prata, patuás e vestidos brancos, Clara Nunes morreu há 25 anos em decorrência de um choque anafilático durante uma cirurgia de varizes.
|
||||||||||
|
11/12/2008 11:18:00
Alanis, uma mulher de atitude
|
||||||||
|
|
||||||||
|
Quando Alanis Morissette, 34, iniciar sua apresentação no Festival de Verão Salvador, no dia 31 de janeiro, o público soteropolitano estará diante da maior visita profissional de uma pop star à capital baiana, tão carente de shows internacionais. Sim, porque a cantora e compositora canadense entrou para a história do show business em 1995, quando seu álbum Jagged little pill vendeu 30 milhões de cópias (500 mil no Brasil) e se tornou recordista mundial de um estreante, além de faturar quatro Grammy. Curiosamente, Jagged little pill não foi o primeiro álbum da vida de Alanis. Antes, ainda morando no Canadá e adolescente, ela lançou dois obscuros discos de pop dançante. Esperta e de olho no futuro, ela foi para Los Angeles, conheceu o produtor Glenn Ballard e mudou de estilo: abraçou o rock com letras confessionais e cheias de atitude, cantadas com raiva e emoção. O sucesso You oughta know marcou uma geração de boas garotas más com sua letra atrevida, na qual a cantora mandava um recado para o seu ex-boyfriend. E que recado:' Quero que você saiba que estou feliz por vocês/ Não desejo nada além do melhor para vocês dois/ Uma versão mais velha de mim/ Ela é pervertida como eu?/ Ela faria sexo oral com você no cinema?/ Ela fala eloqüentemente?/ E ela teria seu filho?/ Tenho certeza de que ela seria uma mãe excelente...'. A vinda de Alanis Morissette à Bahia é parte da turnê brasileira de promoção do seu mais recente álbum, Flavors of entanglement (Warner), lançado em junho. No trabalho, produzido por Gus Sigsworth (Björk, Madonna, Britney Spears), a artista retoma a agressividade que marcou a sua fase inicial (e que gerou uma série de clones planeta afora, incluindo a conterrânea Avril Lavigne).
|
||||||||
|
10/12/2008 16:15:00
Britney vende 505 mil CDs numa semana
|
||||||||
|
|
||||||||
|
Circus, de Britney Spears, entrou direto para o topo da parada americana de álbuns com 505 mil cópias vendidas em uma semana. Apenas quatro outros artistas venderam mais de meio milhão de discos na semana de lançamento nos EUA desde 1991, quando o atual ranking da revista Billboard entrou em vigor: 2Pac, 50 Cent, Garth Brooks e Jay-Z. Trata-se do quinto álbum de Britney a estrear em primeiro lugar nos EUA. Na frente da blondie (que inicia nova turnê em 2009), na ala feminina, estão apenas Barbra Streisand (oito vezes), Madonna (sete), Mariah Carey e Janet Jackson (seis).
|
||||||||
|
9/12/2008 12:08:00
Oops! Britney acertou, novamente
|
|||||||||||||||||||||
|
|
|||||||||||||||||||||
|
Entre o final de 2006 e o começo de 2008, Britney Spears protagonizou a maior sucessão de escândalos de uma pop star americana em muitos anos. Foi ao fundo do poço, literalmente. Ainda assim, ela conseguiu lançar seu melhor álbum: Blackout. Conduzida por produtores quentes como Nate 'Danja' Hills (pupilo de Timbaland) e a dupla sueca Bloodshy & Avant, e tendo a sagacidade de ironizar o caos pessoal e a sua relação com a mídia e a sociedade americana, o que Britney fez, na verdade, foi um dos melhores trabalhos de pop dance da década. O próprio descontrole emocional da cantora (raspou a cabeça, foi flagrada sem calcinha em festas, foi internada duas vezes para avaliação psiquiátrica, perdeu a guarda dos filhos...) minou a maior repercussão que Blackout merecia. O CD vendeu 2 milhões de cópias, o pior desempenho de quem acumula números grandiosos: 62 milhões de álbuns comercializados desde a sua estréia, em 1999. Mas, sob o controle (profissional e pessoal) serrado do pai desde fevereiro, Britney iniciou um processo de recuperação que muitos julgavam quase impossível. Após premiações por Blackout nas festas das MTV(s) dos EUA e da Europa, e da ótima recepção do single Womanizer, a cantora lançou seu sexto álbum de estúdio, Circus (Sony BMG), no último dia 2, quando fez 27 anos. Circus não atinge o nível de excelência pop de Blackout, mas é um bom álbum. Trata-se de um desdobramento estético de Blackout na repetição das colaborações com Danja e Bloodshy & Avant, em algumas letras com sacadas irônicas e até na escolha da faixa-bônus (Radar, que era a terceira canção do disco anterior), mas com a diferença de que a cantora reduziu a voltagem e retomou a alta dose de sacarina dos dias de adolescente em baladas como My baby e Out from under. Felizmente, essas baladinhas não chegam a comprometer o espetáculo de Circus. Na faixa-título, ela canta: 'Há apenas dois tipos de pessoas no mundo/ Os que chamam atenção e os que observam/ Bem querido, eu sou do tipo de garota que faz acontecer/ Não gosto de ficar para trás/ Preciso ser a número um'. Em outro ótimo e dançante momento, Kill the lights, um MC anuncia a entrada de Britney dizendo: 'Senhoras e senhores, nós interrompemos nossa programação de dance music/ Para trazer-lhes um boletim especial da Intercontinental Radio News/ Nossa princesinha do pop, agora rainha do pop, tem um anúncio especial que ela gostaria de fazer...'. Na canção, ela tira onda com os paparazzi (os indiscretos fotógrafos de celebridades). E como Britney deve se identificar com os dramas e maluquices da colega inglesa Amy Winehouse, ela convida ainda para a pista em If u seek Amy, música sobre uma garota que todos querem encontrar e que dizem estar 'saindo da linha'. Garotas boas vão para o céu, garotas más vão para qualquer lugar, pois não.
| |||||||||||||||||||||