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Colunistas

 

César Romero


César Romero: Campos do conhecimento

22.01.2012 | Atualizado em 22.01.2012 - 04:27

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A crítica de arte é um ramo da literatura. Em sua maior extensão, se dá pela palavra escrita, nos aproximando do individual e do coletivo. O objetivo é envolver o público num ritual de ideações e percepções, buscando a formação de um pensar reflexivo e um observar diferenciado para o sensível.


No século XVIII, quando a importância da imprensa era fato concreto, as contribuições escritas sobre arte ganharam fôlego. Geralmente, livros de arte são caros, mas, buscando resolver esse impasse, são criadas versões mais simples com o mesmíssimo conteúdo, sem capa dura, papel cuchê e pequeno número de policromias.


Embora nosso país tenha sido um dos últimos do mundo a ter imprensa, o número de editoras vem crescendo com mais de 1,3 mil empresas trabalhando. No mundo globalizado, a competitividade faz parte do cotidiano. Conhecimento
é poder.


No Brasil, temos algumas iniciativas estabelecendo relações mais estreitas entre o livro e o leitor como: Leia Brasil, Programa Nacional de Incentivo a Leitura, Leitura e Cidadania, Livraria Móvel, Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil e Educação Continuada. Todas, mesmo de forma pálida, falam de arte.

Desde janeiro de 2010, o mercado editorial de arte cresceu em 3%, algo significativo.


Neste período de férias, pode-se recomendar alguns livros, que certamente situam a existência contemporânea. A exemplo de Diante de Uma Imagem, de Sandra Regina Ramalho e Oliveira, pela Editora Letras Contemporâneas, com considerações inicias do escritor e crítico de arte Péricles Prade, um dos intelectuais mais preparados do Brasil. Os escritos de Sandra Regina abordam uma aliança tríplice envolvendo cultura, arte e imagem, em regime de aproximações conceituais. A busca dos sentidos em Diante de Uma Imagem traz possibilidades em várias áreas do conhecimento como a Psicologia, História da Arte, Filosofia, Antropologia, Sociologia e Semiótica.


Documentos visuais necessitam de interpretações das imagens para que se estabeleça uma alfabetização visual mais precisa, pois na visualidade trata-se de linguagens. O livro traz profundas reflexões sobre a originalidade das marcas estéticas, e como  decodificar sua compreensão e desenvolvimento. Tudo aquilo que é perceptível ao olhar é imagem e torna-se necessário buscar sua síntese. Um trabalho escrito de forma assertiva e simples, com o objetivo de ser lido por um número maior de interessados.


Outro trabalho interessante e atualíssimo é Sobre o Ofício do Curador, organizado por Alexandre Dias Ramos para a Zouk Editora, com textos de Cauê Alves, Rejane Cintrão, Walter Zanini, Paula Braga, Tadeu Chiarelli, Mabe Bethônico, Glória Ferreira e Cristina Tejo. É preciso distinguir curador de organizador de exposições. É necessário ao exercício da curadoria conhecimento sedimentado de arte, saber escrever, definir a principio um conceito, um sistema de ideações lógicas e defensáveis. Curador é tomar para si a responsabilidade de cuidar. Estar conectado com o pensamento de artistas para quem trabalhe e produzir documentações que possam servir a posteriores debates e formar instrumentos de pesquisa. Trabalhos na área do conhecimento nunca podem ser dados por concluídos. O espaço do aprendizado é eterno.


Ainda deliciar-se com Matisse e Picasso, os artistas mais notáveis do século XX. Um estudo curioso de Yve-Alain Bois. Grande conhecedor da obra dos dois, com elegância e solidez, descreve a rivalidade e o respeito entre eles. Ambos costumavam provocarem-se com “réplicas”, uma busca civilizada de comunicação e superação. Reconheciam-se como grandes artistas e tinham medo de possíveis fragilidades entre seus trabalhos.


O livro conta a maneira de ver de cada um, seus sistemas criativos e conflitos, a busca de superação. O intimismo de Matisse, a extroversão de Picasso, os instantes sentimentais. Interessava ao primeiro a identificação, ao outro a interpretação. Matisse e Picasso é comovente. Uma história da convivência entre eles por mais de meio século. O debate e embate teria sido uma força estruturada para ambos.

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