Em cartaz na Aliança Francesa de Salvador, Ladeira da Barra, a mostra individual de Lydia Sepúlveda, Brinquedos Quebrados, até 27 de setembro. Nesta exposição, nomeada Brinquedos Quebrados, Lydia Sepúlveda dá continuidade à série apresentada ano passado na Galeria Prova do Artista, Impulso Quântico, quando, de forma abstrata, revelava estímulos visuais intuitivos e fazia alusões aos quatro elementos fundamentais da natureza.
Brinquedos Quebrados lhe trouxe maior intimidade com o fazer, gestos soltos, ação sobre as cerdas dos pincéis, que modula entre maior e menor intensidade, em veladuras de curta ou longa extensão, invadindo ou não outras áreas corantes. Nessas ações, os gestos subjugados a movimentos rítmicos criam sinfonias de cores. Camadas em superposições amortecem ou avivam os espaços contaminados.
Lydia tem grande afinidade pelo branco, uma não-cor, que se presta a dividir campos coloridos ou ainda emprestar sua dramaticidade ao conjunto. O branco é a soma de todos as matizes do espectro solar, de uso difícil, daí a maioria dos artistas fugir dela. Poucos conseguem bons resultados com os brancos. Lydia navega entre eles com grande desenvoltura, transformando-os em protagonista de suas narrativas visuais. Nessa mostra, ela limita sua paleta de cores para aprofundar-se nas escolhas, dando-lhes maior visibilidade. As cores de apoio são insinuadas entre azuis, verdes, ocas e magentas. O preto contorna alguns planos, criando motivações tão somente insinuadas de cunho representativo da natureza. Sugerem árvores, flores, frutos, fugindo ao óbvio e contando com a subjetividade do observador. A utilização de acúmulos de pigmentos sobrepostos cria um forte empaste, emprestando à pintura um corpo material em leves ondulações.
Os trabalhos são em médios e grandes formatos, causando impacto luminoso.
Lydia Sepúlveda é economista de formação. Vem de uma família que sempre valorizou o conhecimento e a arte. Atuou no incentivo a projetos culturais na área governamental e na iniciativa privada na Bahia. Participou da elaboração e implantação do Projeto da Casa Anísio Teixeira, em Caetité. Esteve envolvida no apoio ao desenvolvimento e fomento das mais diversas linguagens artísticas e culturais. Trabalhou no Museu de Arte Moderna da Bahia e sentiu-se atraída para a pintura. Começou autodidaticamente, para depois estudar com o artista plástico Murilo Ribeiro.
Pinta há seis anos. Tem em seu currículo duas individuais e algumas coletivas, como Exposição Sant’Ana – Imagens Seculares e uma História com Novos Olhares, realizada no Museu de Arte da Bahia (2010) e Centro de Cultura e Arte (Cuca) da Universidade Estadual de Feira de Santana (2011), em Feira de Santana. Coletiva na Ornare de São Paulo, com os artistas plásticos Ivald Granato, Carlos Araujo, Eduardo Kobra, Daniel Azulay, dentre outros. Neste ano, foi selecionada e participou do Salão de Arte em Arceburgo – Minas Gerais.
Lydia Sepúlveda está próxima ao expressionismo abstrato, termo usado em 1952 pelo crítico H. Rosenberg para situar um movimento que teve início em Nova York no pós-Segunda Guerra Mundial. Foi o primeiro estilo de pintura especificamente americano a obter reconhecimento mundial.
A pintura de Lydia Sepúlveda parece muito com seu jeito pessoal de ser, é fruto corporal de sua vibrante energia, espontaneidade, forte presença e intensa alegria. Os impulsos motrizes e o apurado senso de observação ligam a atividade física pulsante e manchas orgânicas. Na realidade, todo o processo legitima a interação entre o intuitivo e como domá-lo através da razão, para que o produto final se baste. Valha por ele mesmo.
As cores entre linhas pretas formam emaranhados que afastam qualquer significação lógica. A realidade desintegrada oferece uma epiderme ambígua, sem pontos focais. Liberdade para improvisações e heranças arcaicas.
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