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Colunistas

 

Nelson Cadena


Disque-Otário

09.09.2010 | Atualizado em 09.09.2010 - 09:40

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Descobri, no feriadão da Independência, um serviço telefônico contratado por uma rede de televisão, um quiz cultural eletrônico, cujo nome desconheço, mas que minha intuição diz deve ter sido registrado nos cartórios de São Paulo e no Instituto Brasileiro de Marcas e Patentes com o nome de Disque-Otário. O Disque é da rede de TV, o otário somos nós.

 

Aliás, o otário sou eu que, a conselho de uma amiga, liguei para o número que aparecia na telinha, supostamente para identificar três imagens destoantes de um conjunto exibido; uma questão relativamente fácil para o bom observador. Identificadas as imagens, ganharia, na hora, R$ 3 mil. Assim simples, insistia minha amiga, eu ligo e você fala: "Ouvi dizer que temque responder um par de perguntas antes de entrar no ar e você é bom nisso".

 

Sugestão atendida, liguei de pronto para o Disque-Otário, que logo quis saber se era falsa ou verdadeira a afirmativa de que o chiclete destrói os dentes; apressado, fui responder que era certa, para então ficar sabendo que minha resposta era inválida. Eu não sabia de pesquisas recentes sobre o assunto que sugerem que mascar chiclete protege a placa bacteriana. Eu hein! Mesmo desapontado com a minha ignorância nesses assuntos, logo me animei quando acertei a questão a respeito da inauguração da nova capital do Brasil, em abril de 1960, pelo presidente Juscelino, resposta afirmativa, segundo a moça do telefone que numerava cada pergunta, não sei o seu intuito.

 

Lá pelas tantas, e bote tantas nisso, eu já tinha respondido 75 perguntas, 69 acertos, um índice que me parecia razoável para preencher as condições que a apresentadora de televisão dizia necessárias para entrar no ar e ganhar, não mais os R$ 3 mil, mas, a essas alturas, R$ 4,5 mil. O prêmio engordava com acréscimos pontuais de trezentos reais após cada break comercial; a apresentadora esbanjava generosidade com os telespectadores. Daqui a pouco, dizia, vocês poderão entrar no ar, mas, antes, deverão responder umas perguntinhas ao telefone.

 

A moça quis saber se era falsa ou verdadeira a afirmativa de que Louis Pasteur era um renomado cientista francês; quis saber ainda se era verdadeira, ou falsa, a afirmação de que Dom Pedro II governara o Brasil desde 1840, quando antecipada a sua maioridade, até 1889, quando deposto; perguntou ainda se era verdadeira a sentença de que o Brasil fora um dos últimos países do mundo a acabar com o regime escravagista. Perguntou essas e outras questões sobre economia, medicina, comunicação, história, religião, filosofia, matemática... A moça do telefone, sempre solícita, me informava que eu já tinha respondido 125 perguntas, 113 acertos, segundo minhas contas.

 

Enquanto isso, a apresentadora de TV engordava o pavão mais um pouquinho, o prêmio, a essas alturas, valendo R$ 4,8 mil, pronta para atender o telefone. "É você agora, a ligação entra direto", bradou a minha amiga no meu ouvido, entusiasmada com a minha informação de bastidores sobre o número de questões validadas.

 

Mas, quem entrou direto foi um outro telespectador que, assim, de repente, identificou as três imagens e levou para a casa o prêmio que já era meu, segundo minha colega. Ainda aturdidos com o desfecho, o celular piando nos trouxe de volta à realidade. Minha amiga que conferiu logo jura que a mensagem da operadora era: "Chamada de 49 minutos". Eu, que estava semóculos, vi e li diferente. Para mim, estava escrito: “49 minutos, seu otário”.

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Cleber

Eu não sei ainda como proibiram esse serviço. Susto maior você terá quando sua conta chegar. Imagino quantas crianças também devem cair nesse golpe. Abs

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Flavia

O prêmio é de R$ 1.000,00 mas a sua conta será de R$3.000, porque a ligação tem que ser para celular e de outro estado
#ninguemebesta

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Leow

Pelo que sei, essa TV já tomou varios processos por causa disso. O Disque-Otário é um sucesso, pelo menos pra TV.

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