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Colunistas

 

Hugo Brito


Hugo Brito: Satélite democrático

02.02.2012 | Atualizado em 02.02.2012 - 04:25

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O Brasil começa a se preparar para entrar no mundo dos nano-satélites. O nome lembra a nanotecnologia que é a construção de minúsculas máquinas. No caso estamos falando de pequenos satélites que pesam entre 1 e 10 quilos, bem menos que os convencionais que ultrapassam 500 quilos. Os nano-satélites parecem com um grande cubo mágico, aquele brinquedo em que temos que deixar os lados com cores iguais. Eles medem cerca de 15 centímetros de cada lado e prometem revolucionar o uso do espaço.


O nascimento
O projeto nasceu em 1999 na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, com o nome de Cubesat, ou seja, satélite cubo. O primeiro foi lançado em 2001. Hoje já são mais de 50 em órbita. Dentro de cada um deles uma placa mãe de computador e outros equipamentos usados em pesquisas.  O objetivo inicial de construir satélites tão pequenos é permitir que universidades ou centros de pesquisa possam desenvolver os aparelhos e lançá-los a custo baixo usando artifícios como os lançamentos em conjunto de  vários nano satélites pegando carona, inclusive, em missões espaciais destinadas a lançar os irmãos grandes destes equipamentos, os megassatélites.


Nasa
A agência espacial americana já estuda a colocação de áreas dentro dos foguetes de lançamento de grandes satélites para agilizar o processo de envio dos menores e com isso viabilizar o crescimento da quantidade destes novos equipamentos.  A explicação de todo esse interesse é simples. Cada nano satélite custa em média US$ 100 mil, valor que, mesmo somado ao custo médio de um lançamento – algo em torno de US$ 250 mil -, é bem menor que o que se gasta num satélite profissional de comunicação que chega a custar mais de US$ 300 milhões. É claro que os pequenos não podem, pelo menos por enquanto, fazer o serviço dos satélites grandes. Mas conhecendo a evolução tecnológica do nosso mundo, não é difícil prever que boa parte do que só grandes e caros satélites podem fazer em breve deve ser executado pelos equipamentos mais compactos.


No Brasil

No ano passado, cientistas brasileiros já passaram pelos primeiros treinamentos que marcaram o início do projeto Conasat. Este projeto planeja montar um sistema de nano satélites para monitoração do meio ambiente, dentro do Sistema Brasileiro de Coleta de Dados Ambientais. O Brasil ainda não tem uma data precisa para o lançamento dos seus primeiros nano satélites, mas só o fato do país já estar se preparando é um ótimo sinal.


Futuro dos satélites anões
Especialistas acreditam que cinturões ou “constelações” de nano-satélites, como já está começando a ser chamada a futura formação de centenas destes equipamentos na órbita, vão poder “democratizar” o espaço, barateando sistemas de comunicação e facilitando estudos científicos que poderão ir muito além do simples monitoramento do clima. Empresas poderão, por exemplo, ter sua própria rede de pequenos satélites ligando suas sedes e escritórios, fazendo coletas de dados e oferecendo serviços de forma eficiente e, o melhor, bem mais barato. A vida média de um nano-satélite não deve ultrapassar cinco anos, bem menos que a de um dos grandes, que pode ser de décadas. Mas nada de preocupação.

Uma das características exigidas nos projetos é a capacidade de desintegração total do aparelho em uma possível reentrada na atmosfera da terra  caso ao fim de sua vida útil ele venha a cair, o que é uma possibilidade bem remota já que geralmente satélites que param de funcionar viram lixo espacial  e em média apenas uma pessoa em cada bilhão de habitantes é atingida por ano por alguma espécie de detrito espacial. Saiba mais no site crn2.inpe.br/conasat/ ou cubesat.org.

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