Publicidade
Salvador, 16 de maio de 2012
chuva e sol
chuva e sol

máx. 29º
min. 23º

Alta00h54
Baixa06h58
Alta13h04
Baixa19h24

  • orkut
  • twitter
  • facebook
  • youtube
  • rss
  • classificados correio
  • cadastre-se
  • login

Colunistas

 

Nelson Cadena


Nelson Cadena: Audiência traço é TV privada

25.11.2011 | Atualizado em 25.11.2011 - 08:08

Visualizações: 181 - Versão Impressa

Tamanho da letra: -A | +A

Submetendo seu voto...
Não avaliado ainda. Seja o primeiro quem avaliou este item!
Clique na barra de avaliação para avaliar este item.

A TV pública do Brasil comemora na próxima semana quatro anos de atividades, sem nada a comemorar.  Inaugurada em 2 de dezembro de 2007 pelo ex-presidente Lula, com o propósito de ser uma terceira via para o telespectador, ou seja, uma alternativa entre os interesses de Estado (as emissoras estatais) e os interesses do mercado (as redes de TV da iniciativa privada), continua a registrar traço nos índices de audiência do Ibope.


Significa que a TV pública não conseguiu ser pública coisa nenhuma, para isso seria necessário ter uma audiência de massa; significa que, na prática, é de fato uma televisão privada e elitista, no sentido de que atinge apenas uma insignificante parcela da população, a mais bem esclarecida. O  referido traço corresponde a menos de 1% dos domicílios com aparelhos ligados.


A TV pública é uma das melhores ideias que o Brasil já produziu no sentido de democratizar os meios de comunicação, possibilitando ao cidadão a oportunidade de decidir sobre os conteúdos de informação, cultura e entretenimento, fortalecendo a pluralidade e a regionalização da produção. Ideia que pressupõe a não ingerência do governo ou, então, dos interesses de mercado, através da publicidade que paga os espaços e gera lucro para os empreendedores privados. No papel é o modelo ideal de televisão que tem como referência a BBC de Londres, a mais bem-sucedida TV pública do mundo. O telespectador decide o que consome.


Duas perguntas são inevitáveis sobre a TV pública no Brasil: por que não deu certo até agora? Mesmo considerando que houve um ganho de qualidade da programação, atestado por respeitáveis analistas, mas não traduzido em audiência. E a segunda: tem chances de dar certo? Não deu certo porque o Brasil adotou o pior modelo de TV pública do mundo que consiste em transferir recursos integrais do governo para a rede de TV e se eu disse recursos foi por generosidade,  na prática são esmolas. Outros países optaram por modelos mais bem-sucedidos, como o sistema de impostos para essa finalidade, embutidos  na compra de monitores e de serviços, ou então taxas diretas.


A TV Brasil conta hoje com um orçamento de R$ 471 milhões  ao ano, 100% de subsídio oficial - uma ninharia considerando os orçamentos na casa dos bilhões de reais das emissoras privadas. Sem dinheiro, não é possível fazer uma boa televisão. Fora isso, a TV pública não conseguiu, também, passar credibilidade no seu jornalismo, que já vacilou em situações críticas como o do episódio do enriquecimento do ministro Palocci que, primeiro, omitiu e demorou a noticiar, já sob pressão dos acontecimentos. Para fazer média com quem lhe paga as despesas, rendeu-se à mesma lógica dos interesses de mercado que diz ser o seu contraponto.


E tem chances de dar certo? Na minha opinião não, enquanto os diretores da TV pública continuarem a ser nomeados pela Presidência da República e não por um conselho de representantes da sociedade, como seria aconselhável e é nos países onde a TV pública tem audiência. Não, enquanto prevalecer o artigo 8º da lei que estabelece a obrigação de “transmissão de atos e matérias do governo federal”. Não, enquanto for totalmente dependente do governo e seguir a lógica do orçamento estatal e seus entraves para a execução de despesas com a dinâmica que o veículo exige.

Não, enquanto o talento (melhores apresentadores, fotógrafos, editores, especialistas de todas as artes e ciências, etc.) for custo do orçamento e não um diferencial competitivo. Se nada for feito para mudar, a TV Brasil terá sido simplesmente uma boa ideia jogada no lixo. Terá sido apenas uma transferência de nome e de razão social e também uma transferência de audiência. Nesse caso, da falta dela.

Envie para um amigo

Envie para um amigo

Envie para um amigo

Compartilhe

Envie para um amigo

Imprimir

Envie para um amigo

Reportar erro


Comente esta notícia

Ocultar comentários

Nenhum comentário para esse registro.


Publicidade

Correio*
Rua Aristides Novis, 123, Federação.
CEP: 40310-630 - Salvador, Bahia, Brasil.