02.12.2011 | Atualizado em 02.12.2011 - 05:39
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O fim do mundo se aproxima, resta-nos apenas um ano e dezenove dias, contados a partir de hoje, segundo as profecias maias, interpretadas pelos que enxergam na data uma coincidência de eventos cataclísmicos. Não sei se você planejou o que fazer antes do derradeiro momento, mas eu sei o que vou fazer, já decidi: não quero morrer sem ver o metrô rodando, o ferryboat navegando, a passarela do Pituaçu funcionando e o Brasil fiscalizando. Só rimando para ver o mundo se acabando.
E, confesso, vou ficar muito decepcionado se o mundo não acabar dessa vez, já chega de evidências não confirmadas: a passagem do Halley em maio de 1910, a virada do milênio em 31 de dezembro de 2000 e o mês passado, o cabalístico 11/11/2011; o mundo não se acabou, mas em Salvador passou raspando, a cidade embaixo d’água. Não foi dessa vez, mas vai ser na próxima.
Pensando bem, está na hora de acabar esse troço, para que prolongar essa agonia? Assim, a gente não se arrisca ao vexame de assistir a roubalheira das verbas destinadas para as obras de infraestrutura da Copa de 2014 e, em nome da governabilidade, a omissão do governo, judiciário e legislativo.
Lembram do Pan? Se o mundo acabar de fato em 2012 não corremos o risco de ver a Seleção Brasileira repetir 1950 no Maracanã, nem aguentar a torcida do Bahia comemorar, não um título, mas sua manutenção no limite do G4 do rebaixamento e a do Vitória sonhar com a primeira para se bater com o tricolor de segunda; não vou citar o nome para não provocar.
A verdade é que visto, sem emoção, o fim do mundo é uma boa pedida. Ficamos livres das promessas de eleição, das manifestações pontuais com pneus queimando nas ruas públicas; livres, enfim, do trânsito caótico, dos pagodes de fim de semana nas caixas de som dos carros estacionados nos postos de gasolina; livres do mau cheiro do Lucaia e do aroma de mofo da estação da Lapa; livres das estradas esburacadas, das fraudes do Enem, da crise europeia na mídia, das festas decadentes de largo, das filas no check-in e nas esteiras de bagagem dos aeroportos; livres dos programas de auditório na TV.
Falta um ano e dezenove dias para o mundo se acabar e já estou com saudades. Vou sentir falta do sorvete da Ribeira, do pôr do sol do Farol, do acarajé de Cira, do fim de tarde no Bahia Marina, dos carrinhos de café, do sorriso farto e alegria das baianas; vou sentir também falta de meus leitores, não vai adiantar escrever do além.
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