27.01.2012 | Atualizado em 27.01.2012 - 04:29
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Já decidi onde vou passar o Carnaval este ano, uma decisão atrapalhada depois de avaliar todas as oportunidades e possibilidades e me debruçar sobre a programação oficial, depois de ordenar as ideias que andavam dispersas ainda no clima da Lavagem do Senhor do Bonfim. Como ia dizendo, já decidi onde passar o Carnaval 2012: no engarrafamento.
Não que seja novidade. O ano passado já tive esse gostinho. Passei uma hora e dez minutos entre Lauro de Freitas e o Rio Vermelho. E mais duas horas e vinte minutos subindo a Ladeira da Federação, do Acarajé de Dinha até a descida da Centenário, contornando o Bompreço do Chame Chame. Para então subir a Graça e cair no bisturi do estacionamento do Hospital Português. Foram R$ 20 para deixar o carro. Este ano, imagino, meu bolso deve sangrar R$ 30 ou R$ 40, afinal essa turma leva ao pé da letra essa história de oferta e procura. O que fazer?
Pois é, se é para passar o Carnaval no engarrafamento, a opção mais racional em sã consciência, não vamos remar contra a maré, que seja nos conformes. Não de surpresa como no ano passado, mas com um planejamento prévio que contemple todas as minhas expectativas e me permita curtir a festa sem incidentes inesperados.
Nesse espírito de lealdade a Momo já mandei instalar no meu carro um trio elétrico. Deixe eu explicar direito: um equipamento de som para soltar o pagode a 80 decibéis na hora do rush, uma forma de nomear as coisas, que em tempos de Carnaval toda hora é rush.
E como sou um cara porreta e não sou egoísta, já orcei até a retirada do vidro traseiro para compartilhar com os vizinhos de engarrafamento o meu excelente gosto musical. Comprei, para diversificar, uma coleção de arrocha que aqui não vou revelar os intérpretes e o repertório para você não se roer de inveja.
O problema é a incompreensão da minha oficina autorizada que criou caso porque mandei adaptar um dispositivo para gelar cerveja no porta-luvas e outro no consolo e ainda tive de aturar a cara feia do gerente quando sugeri a saída de chuva de confetes ao ligar o ar condicionado do carro, para criar um clima.
Essa turma não entende nada de Carnaval e se atendeu as minhas demandas é porque ameacei entrar no Procon com um processo por danos morais. Alertei-os do risco de eu sofrer grave depressão se for contrariado e não curtir o meu engarrafamento conforme o planejado.
Deu certo. Concordaram até com a ideia, que inicialmente o dono da concessionária teve o desplante de chamar de maluca, de trocar os tapetes de borracha por tapetes com bolinhas de gude para massagear os pés e instalar um desses dispositivos de taxistas com bolinhas de madeira para massagear as costas e ainda trocar o espelho do banco da carona por um de grande porte e adaptar o consolo lateral para encaixar um estojo de maquiagem.
Não abro mão de ter o mesmo conforto que teria no camarote. Vá que não consiga chegar lá, no carro vou me sentir em casa.
Já encomendei também até um buffet básico com roskas de frutas para degustar e como sou um cidadão exemplar e não passa pela minha cabeça sujar a rua, adaptei uma lixeira descartável no dispositivo da marcha.
Tomei essas e outras providências que não vou aqui detalhar, que ninguém tem nada com isso, como a instalação de uma película suplementar para escurecer ainda mais os vidros, vá que na hora do pagode, meia dúzia de cervejas e duas roskas no juízo, na empolgação e clima da festa e a depender da companhia...
Deixa para lá. O melhor Carnaval do planeta é no engarrafamento.
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