Não aconselho ninguém a dormir tarde e acordar cedo. Não tem como driblar o mau humor no dia seguinte e, no meu caso específico, não sei você, tenho arroubos de sinceridade, digo logo o que me vem à cabeça, não me provoque!
Semana passada mesmo, após uma dessas comemorações inevitáveis de fim de ano, acordei com o travesseiro virado e já ia contar a novidade no twitter quando reparei na pergunta idiota do miniblog bem ali na caixa de postagem: “Que está acontecendo?”. Mexeu comigo, não aliviei. Respondi de pronto em 700 caracteres, cinco tweets para extravasar a fleuma: Não está acontecendo porra nenhuma e não lhe dei liberdade para me fazer perguntas idiotas, numa hora dessas. E, tem mais, se eu soubesse o que está acontecendo não estava aqui perdendo meu tempo, postando mensagens sem graça neste miniblog fuleiro. Vai-te catar! E só não mando você para o twitter que te tuitou por que tenho mais o que fazer. Passe bem.
Fechei a página e abri o meu facebook para relaxar, não estou mais na idade de me irritar com provocações, deixa pra lá. Fucei as notificações e os aniversariantes do dia e já estava me preparando para escrever no mural quando reparei na pergunta cretina “No que você está pensando?”. Ah, não deu para segurar.
Desculpem, mas respondi mesmo: Por coincidência, estou pensando na sua mãe e se me perguntar de novo no que estou pensando vou ser obrigado a lhe dizer que você é para lá de enxerido e já lhe avisei para não me provocar que hoje estou surtado. E, aproveitando o ensejo de sua pergunta babaca, deixe lhe dizer, de uma vez por todas, antes que me esqueça e me arrependa, que não estou a fim de fazer amizade com os muy amigos que você andou me recomendando, na página. No que estou pensando? Ora, isso não é de sua conta.
Não fosse um cafezinho quente que uma alma de Deus providencialmente me serviu na hora teria fechado o tempo de vez. Degustei o líquido, aproveitei para comer uma torradinha com geleia e manteiga, reparei nas manchetes do Correio* e longe dos twitters e facebooks da vida fui conferir meus e-mails.
Caixa cheia e spam a perder de vista. Fazer o quê? Deletar o correio eletrônico indesejável. Foi o que fiz, e já me preparava para abrir outra caixa quando reparei no recado gracinha: “Oba! Nenhum spam”. Oba? Eu mereço. Desliguei o computador para não correr o risco de encontrar na rede alguma provocação do tipo “Valeu, meu Rei!”.
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