Quantas lembranças cabem em um monte de concreto? A discussão é recorrente e termina longe do consenso, mas certo é que a perda ou transformação de um monumento marcado por eventos históricos incorre num trauma.
Como esquecer dos momentos vividos? Apagar da memória o cenário de tantas emoções? Exemplos desses vínculos criados com determinados monumentos não faltam ao longo da história. Se assim não fosse, por que milhões de pessoas se deslocariam todos os anos para ver as ruínas do Coliseu? A história construída ali ainda hoje é motivo de fascínio.
No campo do futebol, talvez nenhum caso seja tão emblemático quanto a demolição do estádio de Wembley, palco da final da Copa de 1966, única conquistada pela seleção inglesa até hoje. Some-se aos 93 mil espectadores da final contra a Alemanha os públicos de shows de Madonna, Rolling Stones, semcontar um milhão de pessoas que assistiram às 15 apresentações de Michael Jackson no estádio. Hoje, há um novo Wembley, maior e mais moderno, semdúvida, mas os momentos vividos na antiga estrutura não se apagam.
Até quando se trata de um símbolo de momentos não tão agradáveis, há dificuldade em se desapegar. Nos meses que antecederam à implosão do presídio do Carandiru, lembro de ver, em alguns programas de TV, pessoas que se denominavam sensitivas atestando a manifestação dos espíritos dos 111 presos executados em 2 de outubro de 1992. Crenças e convicções à parte, para as famílias dos detentos que por ali passaram, aquele presídio guarda lembranças impossíveis de se apagar.
Domingo, será a vez da Fonte Nova. Em nome da Copa, do progresso, do estatuto do torcedor, pela falência estrutural permitida e provocada por gestões omissas, escolha seu motivo. O gigante irá ao chão em, no máximo, 17 segundos. Os gritos de campeão, o chão da arquibancada tremendo sob os pés, o sofrimento das famílias que perderam entes queridos na tragédia de 2007, nada disso vai sumir na poeira.
CADÊ O GINÁSIO?
Todos concordam, e esperam, que o novo estádio seja de primeiro mundo e que a Copa traga benefícios duradouros. Mas, a comunidade esportiva baiana ainda espera a resposta quanto ao novo ginásio de esportes, o estádio de atletismo e o parque aquático. Novas obras são prometidas pelo governo, mas ainda sem local ou prazo de construção definidos. E não adianta argumentar que o ginásio e a pista de atletismo já estavam obsoletos e desativados há muitos anos. Isso só aumenta a vergonha para um estado do tamanho e importância da Bahia.
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