Agenda Bahia

Brasil precisa traçar estratégias para reagir à crise, afirma especialista

Desafio será criar novo ciclo virtuoso baseado em investimentos de infraestrutura sustentável e inclusão social, diz Rogério Studart

Lucy Brandão Barreto (lucy.barreto@redebahia.com.br)
Atualizado em 07/07/2017 09:35:06

Depois de passar por uma grande tempestade, o horizonte para o Brasil é tranquilo, porém desafiador. Este foi o diagnóstico apresentado pelo membro do Global Federation of Competitiveness Councils, em Washington, Rogério Studart, que também foi diretor-executivo do Banco Mundial, durante o painel Infraestrutura Sustentável, ontem no Fórum Agenda Bahia.

“Durante a tempestade, a gente tende a olhar para o curto prazo, para as ondas que estão em volta. Mas a melhor maneira de encarar uma crise é olhar o horizonte e definir as estratégias necessárias para superar o problema”, afirma.

Rogério Studart fez palestra sobre estratégias para superar a crise (Foto: Evandro Veiga / CORREIO)

A boa notícia, segundo o especialista, é que o Brasil deve se recuperar logo desta “depressão excepcional” que vem passando.“O motivo de preocupação é que voltaremos para uma trajetória medíocre porque os problemas estruturais permanecem”, diz Studart.

Um dos principais problemas apontados por ele são as várias crises pelo mundo: a crise do crescimento, a crise climática, além das crises da desigualdade e da pobreza que já existiam antes das outras e não foram tratadas. “O mundo está se voltando para a sustentabilidade ambiental e social como solução para a crise, não só porque é um tema moral, mas porque gera bons negócios”, aponta.

Mudanças

Depois de olhar para o horizonte e definir as estratégias, o Brasil precisará fazer o que Studart chama de “investimentos transformacionais”: gerar empregos para impulsionar o crescimento; investir em infraestrutura e logística para aumentar produtividade e competitividade; aumentar o acesso ao financiamento por meio de recursos privados, nacionais e internacionais; além de apostar mais em tecnologia, sustentabilidade e inclusão social.

A base de toda a transformação, de acordo com ele, é o investimento em infraestrutura sustentável – aquela que reduz emissão de carbono e ao mesmo tempo gera acesso da população a bens públicos. “O Brasil tem um dos maiores hiatos de infraestrutura do mundo, que é da ordem de US$ 500 bilhões. Por outro lado, para que o investimento em infraestrutura atinja 5,5% do Produto Interno Bruto (PIB), serão necessários US$ 110 bilhões ao ano”, diz Studart.

Ainda de acordo com o especialista, o maior desafio é diversificar as fontes de investimentos. “Em todo lugar do mundo os investimentos públicos são escassos, mas é preciso aumentá-los. Além disso, teremos que ser muito criativos para atrair investimentos privados, mas eu acredito que os investidores estão aguardando para voltar a apostar no Brasil. Nós temos muitos atrativos”.

Como consequência positiva dos investimentos em infraestrutura, Rogério Studart cita o grande poder de multiplicar empregos, enorme impacto sobre a produtividade e competitividade do país e consequências significativas sobre o crescimento e o bem-estar de 85% da população nacional.

Inclusão social

Para Studart, as mudanças passam pela inclusão social. “Além de ser um tema moral, é também um tema econômico e de sustentabilidade ambiental. Se você mantém a exclusão social, não há como as pessoas participarem do processo de sustentabilidade”, destaca.

O palestrante ressalta que as sustentabilidades ambiental e social andam juntas, já que é muito difícil para pessoas com problemas econômicos muito significativos se preocuparem com a reciclagem do lixo ou cuidados com o ambiente.

“Elas até fazem isso, mas é muito difícil. Enquanto as pessoas estiverem em nível de sobrevivência, elas querem ter, a qualquer custo, alguma forma de se alimentar, ter energia, transporte, habitação... mesmo que seja destruindo o meio ambiente”.

O Fórum Agenda Bahia, que encerra hoje a edição 2016, é uma realização do CORREIO e da rádio CBN, em parceria com Braskem, Coelba, Fieb e da prefeitura de Salvador.

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