Agenda Bahia

Taxa de investimento no PIB deve aumentar para elevar competitividade na indústria

Para especialista da FGV, os altos custos de produção tornam o setor industrial do Brasil cada vez menos competitivo

Donaldson Gomes (donaldson.gomes@redebahia.com.br)
Atualizado em 05/07/2017 12:25:13

O Brasil precisa adotar estratégias que favoreçam o aumento do valor dos bens produzidos aqui para retomar o caminho do crescimento. Nos últimos 40 anos, a indústria do país vem perdendo participação no Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com um estudo do Centro do Comércio Global e Investimentos (CCGI) da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Para o professor da Escola de Economia da FGV, Lucas Ferraz, o baixo valor agregado dos produtos brasileiros explica o movimento. “A indústria brasileira produz cada vez menos e o país vem se especializando em serviços. O problema é que, diferente do que acontece em outros lugares do mundo, o Brasil vem se especializando em serviços de baixo valor agregado”, ressalta Ferraz.

 

Lucas Ferraz: "Conceito de competitividade no mundo passou a ser sistêmico" (Arisson Marinho)

O país passa ao largo dos serviços mais valiosos, que são aqueles relacionados à fabricação de bens manufaturados, explica. O que coloca o país nesta encruzilhada são os custos de produção internos, acima dos praticados pelos principais concorrentes mundiais. No cenário de competição global, prioriza-se a produção nos ambientes onde os custos são mais competitivos.

Nos últimos 40 anos, o país reduziu o volume de investimentos de 5,42% do PIB, em meados da década de 70, para 2,29% em 2012, diz Ferraz. “No melhor ano desde o lançamento do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), o país teve uma taxa de investimento de 2,5%. A redução dos investimentos em infraestrutura torna o país menos competitivo”, afirma.

Portos

Ele defende ainda a necessidade de se ampliarem os investimentos na eficiência da operação portuária. “O tempo é um fator muito importante no comércio. Se tem atrasos nos portos, isso é muito ruim. A pontualidade é um fator mais importante até que os custos de tarifas”, diz.

Segundo Ferraz, o Brasil pode ter um ganho de US$ 30 bilhões até 2030, caso consiga resolver os problemas de atrasos nos portos. Para o professor da FGV, o Brasil deveria investir mais em parcerias comerciais. “Temos que buscar acordos comerciais mais relevantes”, diz.

Ele defende que o país priorize acordos comerciais com os Estados Unidos, Europa e a China. Se o Brasil quiser mesmo conquistar uma posição de destaque no comércio mundial, o país terá que abrir a sua economia. O mundo está se organizando em grandes “cadeias globais de valor (CGV)”, onde se formam alianças em torno das melhores condições de produção e as fronteiras nacionais se tornam aspectos menos importantes, avisa Lucas Ferraz.

“A terceirização de algumas tarefas para países de mão de obra mais barata passou a ser uma opção depois da década de 80”, lembra. Segundo ele, a evolução da tecnologia de comunicação, com tecnologias como a videoconferência e o barateamento do custo de frete internacional, permitiu que as etapas de produção passassem a ser feitas em diferentes locais do mundo.

Assim, é possível optar por produzir as partes de determinados produtos nos locais em que são oferecidas as melhores condições. “Os países mais verticalizados, que buscam fazer tudo sozinhos, têm um conteúdo de importados mais baixos em suas exportações. Este  o caso da economia brasileira. A cada US$ 1 exportado, US$ 0,87 são de valor adicionado doméstico”, diz.

A questão fundamental é que ninguém consegue fazer tudo sozinho de maneira competitiva, ressalta ele. Atualmente, o comércio de bens intermediários corresponde a 66% das exportações mundiais. Enquanto isso, “o Brasil continua privilegiando a maneira antiga de fazer comércio”.

Uma das consequências do processo de fragmentação da produção é que o conceito de competitividade passa a ser global. “Os países não estão mais buscando a competitividade, estão buscando apenas o seu território. O conceito passa a ser sistêmico e precisa ser avaliado olhando-se a totalidade da cadeia de produção”, diz. “O valor adicionado passa a ter uma importância grande”, ressalta.

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