César Romero

Cesar Romero: Almanaques de Arte

Cesar Romero (crc.romero@hotmail.com)
Atualizado em 03/07/2016 15:38:21

Artistas estão sempre buscando inovar seu estoque de ideações. A cada tempo uma nova investigação, que foge aos padrões e técnicas tradicionais. Entre eles, o Livro de Artista, pouco familiar ao grande público e pouco visto fora do atelier dos artistas e coleções particulares. É uma área fechada nas artes plásticas e são quase inacessíveis, embora seja uma manifestação expressiva e importante.

O Livro de Artista existe no Brasil em grande quantidade, mas não circula. Existe enorme variedade de enfoques e concepções. O Livro de Artista pode ser observado a partir de duas saídas: uma interação entre arte e literatura, produzindo livros – objetos, livros ilustrados, livros únicos que começaram a formatarem-se no final dos anos 1960. Outra saída é que o Livro de Artista seja produções de baixo custo, formato simples, edições como as da geração minimalista-conceitual. que usava o livro como veículo de registro e divulgação de suas obras.

Hoje, os artistas buscam novas saídas e usam seu trabalho como almanaques, construindo o conhecimento por meio de compartilhamento de informações. Antes da internet, pequenos periódicos de variedades, os almanaques, bem poderiam ser chamados de predecessores da web. O almanaque artístico promove um paralelo entre velhas e novas mídias, não se atem à cronologia, é uma publicação não tradicional que mistura símbolos, personagens, objetos, enigmas, ícones e costumes.

Um exemplo lapidar da construção de um almanaque é a exposição do mineiro Miguel Gontijo (foto), em cartaz na Casa Fiat de Cultura, até dia 24, em Belo Horizonte. Um conjunto de 66 obras inéditas, pinturas acrílica sobre tela que, em conjunto, criam um exemplar de almanaque com conteúdos contemporâneos, considerando não mais o homem atrelado ao saber da terra, mas um indivíduo perdido no excesso de informações nele injetado. 

O almanaque é uma publicação originalmente anual, que reúne um calendário com datas das principais efemérides astronômicas, como os solstício e as fases lunares, além de informações com atualizações periódicas, específicas a vários campos do conhecimento. Remonta ao período da invenção da imprensa, nos anos 1450.

Já nos anos de 1770, o almanaque passa a servir como propagadores de ideias revolucionárias na França. Após a primeira grande guerra, torna-se instrumento expansionista, ao divulgar e afirmar o poder e a cultura americanas, principalmente, junto a países da América Latina. Por fim, tais periódicos ensinavam sábios “conselhos” e “verdades”, em linguagem simples e de fácil memorização.

 Na Alemanha, o almanaque era divulgador de versos inéditos de poetas que vieram a se tornar célebres, como Goethe e Schiller. Sobretudo na segunda metade do século passado, ele se impôs em quantidade, com incontestável importância – se bem que completamente distanciado dos avanços científico e técnico. Havia pequenos folhetos, dirigidos à população rural, ou, em formato de revistas, com grande número de páginas. Por volta dos anos de 1950, o almanaque transforma-se em brinde de lojas e presentes de natal. Popular, espalha-se por todo o interior do Brasil, tratando de assuntos como datas festivas, feriados, fases e influências lunares, indicações úteis, poesia, horóscopo e saúde.

O primeiro almanaque amplamente conhecido no Brasil é o  Pharol, patrocinado pela Drogaria Granado, do Rio de Janeiro, em 1887. O periódico teve tiragem inicial de cem mil exemplares, chegando a atingir a cifra de 200 mil, número bastante significativo para a época.

 Os almanaques de farmácia, por serem impressos gratuitos e de grande acesso, também foram mecanismos eficientes, usados por médicos, educadores, sanitaristas e intelectuais.

Em arte, tudo pode ser reinventado com novas propostas e novas invenções.

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