César Romero

Cesar Romero: Identidade e fazer

Intitulada Uma Pausa em Pleno Voo, a exposição de Efrain Almeida está em cartaz no Museu de Arte Moderna da Bahia – Av. Contorno até 3 de julho. Na realidade, a mostra foi concebida para dialogar com a arquitetura da Capela do MAM-BA, consolidando o interesse do artista pela religiosidade brasileira. A Capela de Nossa Senhora da Conceição faz parte do importante conjunto arquitetônico do Solar do Unhão, integrado pela Casa Grande, um cais privativo, aqueduto, chafariz e alambique com tanques. Hoje algo modificado. A primeira referência à capela data de 1740, por ocasião do batizado de uma neta de José Pires de Carvalho Albuquerque que comprou o conjunto do desembargador Pedro Unhão Castelo Branco. 

A exposição é composta por sete trabalhos, esculturas em instalações ou isoladas, aquarelas e porcelanas realizadas entre os anos de 2012 e 2016. Efrain Almeida nasceu em Boa Viagem no Ceará em 1964, e é essencialmente um escultor.

Em janeiro de 1976, transferiu-se para o Rio de Janeiro para dez anos depois iniciar sua formação na Escola de Artes Visuais do Parque Lage. A partir dos anos 90, inicia pesquisas com diversos materiais e elege a madeira como matéria-prima principal de seus trabalhos, que associa a outros com grande sabedoria.

Como nordestino de essência, teve grande influência religiosa em sua cidade natal e ainda o rico imaginário popular da região como os ex-votos, pássaros, estandartes, potes e as tradições religiosas, a fé do povo simples que a ele se une pelos afetos, pelas recordações que se deslocam para suas produções. Há em seu fazer uma hipótese econômica, buscando o essencial, tanto na quantidade e no movimento da sua energia, produzindo o que quer, sem participação do alegórico. Parece de início no seu processo um pensamento inconsciente, algo atávico, avoengo, uma condensação que combina imagens para criar outras compostas, investidas de afetos, buscando sonhos.

A instalação Uma Coisa Linda tem 150 pássaros da espécie galos- de-campina, feitos em bronze policromado, distribuídos pelo piso. Pássaros são imagens recorrentes na obra do artista, suas mitologias, suas migrações por conta do desmatamento.

Efrain trabalha entre o Rio e o Ceará, muitas vezes começa o trabalho em sua terra natal e o conclui no Sul. Os pássaros no Nordeste são cultuados não só pelo seu canto que a poluição sonora das grandes cidades sufoca, também pela plumagem e magia dos voos.

Na instalação 10 Hummingbirds, dez beija-flores, também em bronze policromado com tintas fortes, tonalidades diferentes são seguros nas paredes pelo longo bico, para alimentar-se extraindo néctar das flores, e um completo domínio do voo, para no ar e voa para trás. Aí se pode pensar no processo de idealização quando diante de tanta beleza e leveza nega-se tudo que possa desvalorizar o outro, uma metáfora inteligente e sensível.

Em Plátano Bordallo, o artista reproduz em porcelana um segmento de galho com insetos, instalado de modo perpendicular à parede. Na escultura de um cisne negro, em bronze pintado com tinta acrílica, Efrain foi buscar na memória fabular dos contos de Andersen.

Os trabalhos de Efrain Almeida são de pequeno porte, trabalhoso no esculpir e no pintar, valorizando minúcias. Não são miniaturas como pode parecer, mas de propositais intenções.

A curadoria da mostra é de Marcelo Campos, professor adjunto de Teoria e História da Arte, professor da Escola de Arte Visuais do Parque Lage e doutor em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes-UFRJ. Ele trabalha com o conceito de brasilidade na arte contemporânea. Assim se complementam e nos dão uma vigorosa e criativa exposição.

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