César Romero

Cesar Romero: Pintores e pintores

Cesar Romero

Criar é organizar o caos. Cada pedaço de algo do mundo real que se soma, subtrai, divide ou multiplica é um assunto, que nas intenções do artista forma um todo que pode ser base criativa. O todo final pode ser a soma, a subtração, a divisão ou a multiplicação do assunto. O todo final é o produto assumido como definitivo, embora não exista em arte produtos definitivos, tudo é possível de revisões. 

Na história da arte, grandes artistas como Gustave Courbet, Eduard Manet, Paul Cèzanne, Edgard Degas, Auguste Renoir cortaram algumas cenas de seus trabalhos por achar excessivos. Paul Gauguin, Toulouse–Launtrec, Édouard Vuillard, Rafael, Amadeo Modigliani, Alfred Emil Andersen acrescentaram por entender vazios em suas composições. Alfredo Volpi radicalizava quando sentia algum erro em suas telas cuja técnica era têmpera com clara de ovo: lavava no tanque de roupa todo o realizado, deixava secar a tela e começava de novo. Era o próprio Volpi quem esticava suas telas, dava-lhe base, pintava e fazia as molduras.

Existem outros pintores que retornaram a temas antigos de 20, 30 anos atrás, por achar que não esgotaram o tema e tinham algo a acrescentar, aconteceu com Pablo Picasso, Henri Matisse, Paul Klee, Henri Rousseau, Ysaac Levitan. Acreditavam que assim teriam a obra com um olhar mais amadurecido e treinado. Uma grande verdade, qualquer pintor que olhe trabalhos realizados há duas, três décadas atrás identifica de logo erros e acertos de forma imediata que uma produção de ontem.

Cada pintor tem sua “fórmula” que é muito pessoal, coisas simples que fazem diferença, como pintar em cavalete na vertical, outros em mesa na horizontal - e o resultado não é o mesmo. Óleo e acrílica, telas em grandes dimensões, em pequenas... E estas mínimas coisas podem comprometer o produto. Alguns só conseguem criar no silêncio, para outros isto não importa. Luz natural é imprescindível para alguns. Para Volpi era, para outros não.

Alguns pintores pintam para o mercado, fazem o que vende, o fácil, e tamanho que se possa colocar no sofá da casa. Outros fogem desesperados disso e pensam na integridade da obra, na qualidade do fazer, na criação custe o preço que custar, como Ensor e Sante Scaldaferri.

De início fazer sucesso é relativamente fácil, uma galeria, um curador eficiente que controle os impulsos e as vaidades do artista, uma boa assessoria de imprensa e o boca a boca. Mas o difícil é manter uma carreira com coerência, que uma fase venha saída da outra e se some em informações e acréscimos, tendo o mesmo DNA numa fórmula. 

Exemplos lapidares Wesley Duke Lee, Arcangelo Ianelli, Vicente do Rego Monteiro, Sergio Ferro, Iberê Camargo, Anna Bella Geiger, Maria Leontina para citar alguns brasileiros. Todos esses incorruptíveis. Muitos morrem sem tempo para cumprir num grande espaço de tempo múltiplas facetas, nos deixaram um legado formidável: Keith Haring, Jean-Michel Basquiat e os brasileiros Leonilson, Alex Vallavri e Jadir Freire.

Artistas contam com o breve esquecimento o que é profundamente injusto, artistas que deram toda uma vida, sua energia em função de um credo, uma elevada contribuição cultural e sequer são lembrados em livros, exposição, separatas. Entre eles, os modernistas históricos Carlos Bastos, Genaro de Carvalho, também Emma Valle, Willes, Cardoso e Silva, Helio Basto, Louco, Carlo Barbosa, Helio Oliveira, Calasans Neto, Agnaldo dos Santos, Mestre Didi, Ivonete Dias, Luiz Jasmim, José Maria de Souza, Pedroso, Licídio Lopes, Mestre Guarany, João Alves, Cincinho, Henrique Oswald, Adam Firnekeis, Hansen Bahia, Udo Knoff, Yedamaria e tantos outros.

Outra característica dos artistas é que, na  maioria das vezes, não se consegue viver exclusivamente de arte, tendo de apelar para fontes alternativas de renda, que são dignas, mas tomam muito tempo de criação e foco. Cada um com sua escolha e sabemos todos que tudo tem ganhos, perdas e consequências.

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