César Romero

César Romero: Socorro aos museus

César Romero

Um museu é, na definição do International Council of Museums (ICOM, 2001), “uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e deleite da sociedade”. Os museus tiveram origem no hábito humano do colecionismo, que nasceu junto com a própria humanidade. Desde a Antiguidade remota o homem, por infinitas razões, coleciona objetos e lhes atribui valor, seja afetivo, cultural ou simplesmente material, o que justifica a necessidade de sua preservação ao longo do tempo.

Existem muitos projetos para a criação de museus e pinacotecas no Brasil. Mas, como vão ser sustentados, se os que existem têm acervos necessitando de restauro, climatizações, aquisição de novas peças, iluminação, pagamento em dia de funcionários, sistema contra incêndio e segurança do conjunto já adquirido? Existe também a necessidade de novas contratações, pessoas qualificadas, especializadas para que os museus e pinacotecas estejam protegidos dos desgastes do tempo e o que contem em seu bojo: fungos, ataques de insetos xilófagos, controle de iluminação, equipamentos que controlam unidade e temperatura, ruídos, pequeno atelier de restauração para manutenção das obras, aquisição de material para um inventario adequado e probatório do acervo. Hoje no Brasil os funcionários fazem cotização para pagar luz desses aparelhos, são terceirizados com trabalhos temporários, não mais são contratados pela égide da lei.

Muito dessas instituições não funcionam nos finais de semana, gravíssimo erro, pois é o tempo que a população tem para o lazer e o aprendizado, coisas que são relevantes.

No Brasil existe o curso de Museologia surgido no inicio da década de 70. É o conjunto de conhecimentos científicos, técnicos a práticos que dizem respeito a conservação, classificação e apresentação dos acervos dos museus e especialmente centros de documentação. Geralmente esses profissionais, os museólogos, não são escolhidos e as autoridades preferem indicações politicas ou por amizades e parentescos. Grande parte desses indicados não sabe escrever corretamente e tem pouquíssimo conhecimento de arte, mas entendem de jogos de poder, reciprocidades pessoais e se estabelecem como se fossem dono dessas instituição imperiosamente. Só faltam reivindicar escrituras. Viram peças de museus. A alternância é sempre salutar e não se deve esquecer a qualidade moral e cultural do indivíduo.

Para mostrar serviço, muitos no país estabelecem um sem número de palestras com convidados, vazios e que muitas vezes não interessam ao público, não falam sobre museus nem arte. Os convidados, sempre em gratuidade, sentem-se felizes com os pouquíssimos aplausos e elogios dos diretores. Pobre Brasil. Recebem certificados que vão juntando ao currículo, que em nada acrescenta. Um diretor de museu deve ter competência emocional e intelectual, merecer o respeito público e da classe artística. Nunca deve esquecer que é um servidor público, recebendo dos impostos pagos pelos cidadãos, que não percebem em troca uma programação que valha a pena sair de casa. Sair para entristecer-se com o banal de cada expositor escolhido é um sacrifício, melhor ter um conselho curatorial composto de 3 a 5 membros, saídos dos círculos das artes plásticas, como críticos de arte, professores de Belas Artes, artistas, museólogos e intelectuais que honrem seu nome, sua história. Enfim, a cultura brasileira tem poucas verbas e devem seguir prioridades. Os museus são prioridades, pois guardam a memória do país, para estas e outras gerações. Muitos museus estão fechados e outros em via de seguirem o mesmo destino. Coisa feia. Os patrocinadores minguaram e sem esse suporte as instituições culturais se ressentem. Precisamos de novas decisões e novos tempos. Pobre Brasil!

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