Colunistas

César Romero: Memória e registro

César Romero
Atualizado em 22/01/2017 17:41:58

O período do final ao início dos anos é a época mais intensa para lançamentos de livros de arte, uma atitude editorial que já é tradição. Agora é a vez do livro de José Armando Pereira da Silva, Artista na Metrópole – Galeria Domus – 1947 – 1951, pela Via Impressa Edições de Arte. São 250 páginas, papel couchê fosco 150 g/m², composto em fonte Samuk, impresso em Eurobulk – São Paulo. Essa publicação conta com o apoio cultural do Instituto Alfredo Volpi de Arte Moderna, por tratar-se da preservação da memória do artista Alfredo Volpi (foto).

O livro é um inventário minucioso da Galeria Domus, pioneira no modernismo brasileiro, inaugurada em 5 de fevereiro de 1947, na esquina da Avenida Vieira de Carvalho, em São Paulo. Foi discretamente noticiada pela impressa. Era um evento de máxima importância, que marcou definitivamente a arte nacional.

O empreendimento manteve-se com dificuldades, fechando em 1953. A experiência deixou um lastro para a arte moderna em São Paulo. Os estrangeiros que frequentavam o local formaram o primeiro núcleo de colecionadores de arte brasileira contemporânea, e prosseguiram realizando aquisições no decorrer de toda a década de 50.

José Armando Pereira da Silva é mestre em História do Teatro pela Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio) e em História da Arte pela Universidade de São Paulo. Colaborou no Diário do Povo e Correio Popular de Campinas. Organizou e apresentou exposições do Grupo Vanguarda de Campinas. Foi redator e crítico do Diário do Grande ABC. Em Santo André, colaborou na organização dos primeiros salões de arte contemporânea. Foi professor de História da Arte e coordenador da Escola de Teatro da Fundação das Artes de São Caetano do Sul. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte (ABCA).

No comércio de arte temos a primeira iniciativa em 1947 no Brasil com a abertura da Galeria Domus. Os proprietários, Ana Maria (Nina) Fiocca e seu marido, vieram da Itália no Pós-Guerra. De acordo com Nina Fiocca, o que os mobilizou foi uma curiosidade em relação à pintura brasileira contemporânea. O espaço, ponto de encontro de europeus nostálgicos de um meio intelectual mais movimentado, virou referência na vida cultural da cidade, lugar de reunião de músicos, artistas, literatos e críticos de arte. Matérias publicadas por ocasião da inauguração da Domus denotam o provincianismo do meio paulistano, no final da década de 40.

Uma palavra de incentivo de Sergio Milliet ainda para aplaudir a iniciativa da Galeria Domus e elogiar-lhe a coragem de arriscar o patrocínio de exposições modernistas, bem pouco comerciais e por isso mesmo tão raras. Quando aludiu à vitória do modernismo tinha em mente isso: a conquista das galerias e dos marchands. Essa conquista chega 30 anos depois das manifestações da Semana de 22. Entretanto, mantendo um bom atraso com o resto do mundo, o acontecimento não deixou de ser auspicioso.

Em quatro anos, a Galeria Domus deixou uma história importante que o crítico José Armando Pereira da Silva reuniu em críticas da época, história, documento e registros, com um legado de 91 exposições, entre elas individuais de artistas hoje consagrados como Aldo Bonadei, Maria Leontina, Di Cavalcanti, Milton da Costa, Victor Brecheret, Frans Krajberg e tantos outros. Coletivas com Anita Mafalti, Flávio de Carvalho, Noêmia Mourão, José Antonio da Silva, Picasso, Matisse, De Chirico, De Fiori entre tantos. É impressionante o esforço do autor para documentar os grandes momentos da Domus, que surgia numa época especial da história, com o término da Segunda Guerra Mundial e o renascimento da vida cultural paulista. Nessa época, surgiram  a Bienal de São Paulo, o Museu de Arte de São Paulo - Masp e o Museu de Arte Moderna – MAM. A galeria foi um acontecimento de pura vanguarda, que influenciou a história da arte brasileira. 

Um livro documento, um livro necessário.

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