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"2014 será difícil", revela o astrólogo Oscar Quiroga

Em entrevista, o astrólogo do CORREIO fala sobre astrologia e faz previsões para o novo ano

Victor Villarpando (victor.villarpando@redebahia.com.br)
Atualizado em 07/01/2014 01:56:36

Oscar Quiroga nasceu em 1957, sob o signo de peixes, com ascendente em gêmeos e lua em touro. Ele já foi fugitivo da ditadura argentina, hippie no Rio de Janeiro, estudante de psicologia e morador de rua em São Paulo. Hoje é um dos mais importantes astrólogos do país.

Autor do horóscopo do jornal O Estado de S. Paulo desde 1986, ele tem sua coluna publicada em mais de 20 periódicos pelo país - inclusive no CORREIO. No Facebook, mais de 49 mil pessoas recebem suas atualizações diárias, que não seguem a velha fórmula de número e cor da sorte. Conheça um pouco do mundo de Quiroga, que tem tudo interconectado e não se resume apenas ao que podemos tocar.

 

Como é sua rotina?Acordo todos os dias às 4h15 da manhã, medito até as 6h15 e ai eu começo a trabalhar. É mais recomendável meditar antes do amanhecer porque é o momento em que tem mais gente dormindo e a poluição mental é menor. É possível aquietar a mente com mais facilidade.

Qual foi a pergunta mais esdrúxula que já te fizeram?
É inevitável que as pessoas não tenham conhecimento do que astrologia significa e de sua importância. Ela vem sofrendo ataques oficiais há muito tempo. A posição da própria mídia é de dar pouca importância à astrologia, colocando-a na mesma gaveta de abracadabras. As pessoas perguntam de romances, se vão casar ou não... Tem gente que quer que eu adivinhe o número da sorte. Se eu soubesse, não trabalharia mais, já tinha ganhado na mega sena! (risos) Como achar que alguém que não sabe o próprio número da sorte vai adivinhar o seu?

Então os astros não falam de amor?
A gente encontra o amor várias vezes, mas nem sempre está esclarecido o bastante a respeito do que quer num relacionamento. A regra do jogo humano se chama livre arbítrio. Não há escapatória. Você pode nascer baixo, alto, feio ou bonito: se não houvesse livre arbítrio a estrutura corporal já te condenaria a um destino. Isso até já aconteceu, vide o caso da cor da pele, que foi significativa durante muito tempo. Características eram tomadas como destino irrevogável. Demoramos milênios, mas entendemos que não há destino irrevogável. Nenhuma substância é capaz de marcar definitivamente o destino. Beethoven, por exemplo, era surdo. E foi um dos melhores compositores que a gente conhece. Algumas pessoas preferem imaginar que há um poder superior que deve fornecer tudo que desejam. Elas meio que esperam uma conjunção astral que as fará enriquecer ou achar o homem ou a mulher da vida. Vejo que as circunstâncias favorecem, mas isso não significa q a gente as aproveite. É uma decepção dizer isso, porque a gente sempre espera a sorte e isso joga toda a responsabilidade sobre nossas costas.

Que dicas você dá para quem quer buscar um astrólogo?
As pessoas que vem aqui já estão com metade do caminho andado. Elas se questionam a respeito da vida, sobre esse algo a mais que a gente nunca sabe exatamente o que é. As pessoas têm de buscar. Eu sei orientar quem busca. Se a pessoa não souber o que procura, não saberei orientar porque ela não busca nada.

Um gato preto se abrigou em sua casa numa sexta-feira 13. Você acredita que bichos têm alguma conexão especial com o cosmos?
Não. Isso é uma lenda que a gente faz e vai juntando pistas. Aí aparece um gato em um momento muito específico de minha vida, em que eu precisava de proteção. Justamente numa sexta-feira 13. Ai você decide se vai se sentir abençoado ou amaldiçoado. Eu, particularmente me senti abençoado. São inventos que a gente faz para tentar entender essa realidade tão complexa.

Conte momentos inesquecíveis e que você gostaria de esquecer
Minha vida tem sido abençoada por diversas razões. Até nos piores momentos, sempre acho que há uma força em movimento. Os momentos mais importantes foram quando cheguei ao Brasil, em 1978. Através de diálogos, conheci a escola de Yoga em que estou até hoje. Em 86, quando eu dava aulas de astrologia para pagar as contas da faculdade de psicologia, me chamaram para ser gosthwriter de uma coluna de astrologia. Ninguém queria escrever, porque achavam que era trabalho de quinta categoria. Astrólogos não consideram como algo sério uma coluna de jornal. Eu acho que é um possibilidade, um espaço pra pessoas lerem algo que as conecte com algo maior. Um momento ruim foi quando vim morar em São Paulo, em 1982, fiquei sem dinheiro e fui obrigado a morar na rua por 10 dias. Foi horroroso, mas me serviu muito.

No que o horóscopo mudou ao longo do tempo e qual a função dele nas mudanças do mundo?
A primeira vez que a astrologia apareceu em jornal foi no Daily Telegraph, de Londres, há cerca de um século. Foi uma resenha que um astrólogo havia feito sobre uma princesa que tinha acabo de nascer. Isso foi se espalhando e chegou no formato atual. A virada do século 19 pro 20, foi um momento de produção intelectual grande e avanço no conhecimento do ser humano. Houve uma grande revolução no conhecimento, inclusive por causa da própria revolução industrial. A astrologia ficou mais focada no ser humano. A partir daí ela foi tomando um viés de autoconhecimento. Começou-se a fazer astrologia mundial, estudar países e povos. Houve uma associação muito forte com a psicologia. Não acho que essa associação é muito favorável porque, apesar da psicologia estudar o ser humano, ela foca nas patologias. Ai, quando você transporta esse conhecimento para a leitura astrológica, acaba sofrendo o vício de ver mais os problemas do que as potencialidades. Gosto de astrologia justamente porque não há julgamento, não há algo que seja bom ou ruim intrinsecamente. Há o que você é e o que você não é. Você será feliz na medida em que explorar as potencialidades do seu ser e será infeliz se tentar ser quem você não é.

Você acha que a humanidade evoluiu nos últimos 100 anos? Quais serão as evoluções do próximo século?
A gente evoluiu muito. Tendemos a achar que aquilo que acontece vem de sempre. Estamos sempre reiniciando a história através de cada nascimento, somos muito autocentrados. Mesmo sabendo que tudo está interligado, que o universo é um só e que estamos em comunhão, na maior parte do tempo a gente não percebe essa comunhão toda. Mas já vivemos com esse pressentimento. Há 100 anos atrás, essa afirmação não faria o menor sentido. Esse tipo de ideia, que começou a ser pensada em 1910, foi adquirindo corpo e deu início a essa interconexão que a gente vive hoje, inclusive do ponto de vista tecnológico. É isso que faz a gente perceber, mesmo com o celular desligado, que nossas almas e experiências estão extremamente vinculadas. Vide os fatos da vida que todo mundo experimenta, tipo acordar pensando em alguém que é improvável encontrar e, durante o dia, por coincidência, dar de cara com essa pessoa. Há uma ligação de tudo com tudo. O mundo deu um salto incrível de conhecimento em menos de 100 anos e isso não é produto tecnologia. Pelo contrário, a tecnologia é produto de nossa humanidade ter se tornado capaz de imaginar uma dimensão muito maior.

E as próximas mudanças?
As revoluções que imagino são, na verdade, as que eu desejo. Desejo que a gente pare com essa aversão a países, por exemplo. Que a gente tenha livre ir e vir pra onde quiser, sem ter que passar por alfândega ou coisa nenhuma. E também que não tenhamos mais governos que nos explorem tanto. Aqui no Brasil, por exemplo, a gente trabalha cerca de metade do ano só para financiar um governo que nos dá muito pouco em troca. Uma revolução que eu desejo e vejo que está em andamento é a mudança radical dos sistemas de governo. Penso que eles terão cada vez menos peso e serão menos centralizadores. Não vão mais determinar o que as pessoas devem pensar ou ser. E também não vão nos explorar tanto, cobrando tantos impostos e oferecendo tão pouco. Essa é a grande revolução que acho necessária.

 

Essa revolução teria, então, um quê socialista?Não vejo pro futuro uma sociedade socialista, porque a gente pensaria nos moldes das utopias da década de 60. E a revolução não tem nada a ver com o socialismo da maneira que conhecemos. O dinheiro é uma energia que, pra funcionar bem, precisa circular. Hoje o dinheiro é represado, ele não circula. Isso é um grande paradoxo. Somos produtores de enorme riqueza e temos um mundo absolutamente miserável. Isso porque as estruturas governamentais e políticas são miseráveis em si. Está tudo falido: a direita, a esquerda, o centro.... A estrutura política do mundo está falida, mas o sistema é tão filho da puta e bem lubrificado, que as manifestações que aconteceram no Brasil em junho e as coisas que vieram antes, como a Primavera Árabe e o Ocuppy Wall Street foram desvirtuadas por baderna.

Você acha que o conceito de inconsciente coletivo, de Jung se relaciona com horóscopo e astrologia?
Sim, mas as ideias de Jung vieram depois do Yoga. O Yoga é o fundamento de todas essas ideias de comunhão e união. Há uma dimensão, que o Yoga chama de dimensão do real, onde as coisas e os seres participam da mesma vida e formamos, no espaço infinito, um só corpo, chamado corpo cósmico. Todo trabalho que você faz para ampliar sua consciência, e compreender que as diferenças - mesmo as mais marcantes - têm algo em comum, tem uma força enorme. A gente imagina que a fraternidade seja apenas um desejo, uma esperança. Mas Pitágoras já dizia que ela é uma força cósmica. O mundo é feito para a desunião, mas quando você explora a união, percebe o potencial dela. Aí você se vê em uma saia justa por contrariar uma força inerente ao mundo. Você se considera um bobo, um sonhador... Mas a própria história nos dá exemplos como o de Gandhi, que pôs de joelho o maior império do mundo na época, a Inglaterra, sem pegar em uma arma. Ele usou justamente a união. Esses exemplos são muito importantes. O mundo é difícil de ser superado, mas tem momentos em que a força da união vence e abre precedentes que vão se disseminando com uma força muito maior do que a instituída.

Tem 13 anos que você publicou seu último livro, Astrologia Real. Você planeja um novo?
Já estou escrevendo o próximo, que está me dando muito trabalho. Se chama A História Espiritual Humana, que de jeito nenhum é a história das religiões. Abordo o ponto de vista dos pressentimentos que temos a respeito de algo maior. Devo lançar no ano que vem.

O que podemos esperar de 2014?
Vai ser um ano difícil, especialmente para nós, que somos os pagantes de impostos, porque a inflação vai subir muito. 2014 vai ser bom pra os turistas e pros que trabalham com turismo. Aliás, vai ser fantástico para eles! Mas pros outros não vai ser muito bom.

Algum dos seus filhos pensa em seguir a carreira do pai?
É difícil ter uma vocação assim. Se um filho meu dissesse que quer ser astrólogo, eu mandaria ele estudar. Nenhuma pessoa em são juízo diz que quer ser astrólogo. É uma coisa que vai acontecendo. Mesmo porque não é uma carreira, é um ofício.

Dá pra viver bem de astrologia? O que dá mais dinheiro: consultas ou colunas?
Me sustento através das consultas. Não gostaria que o preço fosse publicado, mas digo que é algo caro. É muito trabalhoso e eu só posso atender até duas pessoas por dia. Não dá pra atender muita gente. Eu morreria em dois dias, é muito desgastante. É sintetizar toda uma vida em uma hora e meia e ainda orientar a pessoas em assuntos de grande importância da melhor forma possível. É também algo que as pessoas fazem uma vez a cada dois anos e olhe lá.

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