Salvador

Câmara homenageia 100 anos de reinado do Ilê Axé Opô Afonjá

O Axé Opô Afonjá, assim como o terreiro do Gantois, é oriundo da Casa Branca, o Ilê Axé Iyá Nassô Oká, terreiro cuja história remonta há 300 anos, quando a comunidade nagô se instalou onde hoje é a Barroquinha

Atualizado em 14/07/2010 09:37:33

Felipe Amorim/Redação CORREIO

A árvore do Irôco, de tronco redondo e copa espessa, deu as folhas que encheram o chão da Câmara Municipal de Salvador. A árvore ancestral é uma das moradas de Xangô, o dono do Ilê Axé Opô Afonjá, a casa homenageada, que este ano completa 100 anos de fundação, na antiga estrada de São Gonçalo.

Hoje, o Ilê Axé Opô Afonjá possui escola, museu e continua a tradição do matriarcado das cinco ialorixás que fizeram do templo referência nacional para o culto das religiões de matriz africana. Em iorubá, o nome do terreiro quer dizer Casa da Força Sustentada por Xangô. Afonjá é uma das qualidades de Xangô, orixá de mãe Aninha, a Obá Bìyí, ialorixá que começou toda
essa história.

Ontem, uma sessão especial na Câmara homenageou o terreiro centenário. “Fui vereador muitos anos e poucas vezes vi esse salão tão bonito e luminoso. Quando o poder político se abre para reconhecer outros poderes como o religioso, ele se abre para a sociedade”, afirmou o ministro da Cultura, Juca Ferreira. “Essa é uma das três casas matrizes do candomblé no Brasil. Suas sacerdotisas têm pontificado na história da Bahia, até mesmo pelo seu heroísmo e resistência”, diz o vice-prefeito Edvaldo Brito. Em 1976, Brito era secretário de Justiça do governo Roberto Santos, quando foi extinta a obrigação dos terreiros de pagaremtaxas e se cadastrarem na polícia para exercer seus cultos religiosos.


Câmara de Vereadores realiza homenagem ao centenário do Ilê Axé Opô Afonjá

Brito se refere às cinco ialorixás que estiveram à frente do terreiro desde a sua fundação: mãe Aninha, mãe Bada, mãe Senhora, mãe Ondina e mãe Stella. O Axé Opô Afonjá, assim como o terreiro do Gantois, é oriundo da Casa Branca, o Ilê Axé Iyá Nassô Oká, terreiro cuja história remonta há 300 anos, quando a comunidade nagô se instalou onde hoje é a Barroquinha. Só depois, o terreiro seria implantado no local onde hoje passa a avenida Vasco da Gama.

Foi na Casa Branca que a quituteira Eugênia Anna dos Santos foi feita filha de santo. O tino de comerciante permitiu a ela juntar dinheiro e arrendar 25 tarefas de terra na Estrada de São Gonçalo, onde, em 1910, fundou o Ilê Axé Opô Afonjá e tornou-se a admirada mãe Aninha.Uma tarefa era a medida de terra usada para o plantio da cana-de-açúcar e, na Bahia, equivalia a cerca de quatro mil metros quadrados.

Agora, como diz mãe Stella de Oxóssi, herdeira religiosa do Axé Opô Afonjá, é “continuar segurando a rédea das coisas, mostrando a veracidade da crença”. Foi mãe Stella que, em 1983, no Congresso Mundial das Religiões Afro, defendeu o abandono do sincretismo. “Ela foi uma voz política importante, que mostrou que o candomblé não precisa se vestir com o manto de outra
religiosidade para se apresentar à sociedade. Como ensina mãe Stella, nada se mantém vivo semse transformar”, diz a vereadora Olívia Santana (PCdoB).

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