Bahia

Com Fal preso, polícia desarticula CP e agora tem novo jogo na mão

Com o Ás de Ouro fora da mesa, a Secretaria da Segurança quer limpar a mesa e abrir espaço para as UPPs

Atualizado em 04/06/2011 09:56:26

Bruno Menezes e Jorge Gauthier
bruno.menezes@redebahia.com.br
jorge.souza@redebahia.com.br


Ele trilhava o caminho das pedras para se tornar um traficante de drogas tão poderoso quanto o criminoso carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira Mar, mas acabou preso num cerco formado pela polícia baiana, com apoio de equipes da Segurança Pública de São Paulo. Segundo o secretário da Segurança Pública da Bahia, delegado Maurício Barbosa, Fagner Sousa da Silva, o Fal, estava refugiado em São Paulo com apoio de comparsas da facção Primeiro Comando da Capital (PCC), que orquestra ações criminosas na maior capital do país.



“Ele estava refugiado lá, fazendo contatos com os grandes fornecedores de drogas. O PCC não é só um grupo que trafica entorpecente. É também um intenso fornecedor de material ilícito. E o que ele fazia lá era estabelecer contatos para agir como fornecedor de drogas na Bahia”, explica o secretário, lembrando que a estratégia usada por Fal foi a mesma de Beira Mar.

“Ele (Beira Mar) foi parar na Colômbia, fez contato com narcotraficantes internacionais e, depois, virou fornecedor do próprio bando. E foi assim que montou uma grande fortuna que usava em prol do crime”, completa Barbosa.
Principal carta de um baralho produzido pela SSP, Fal, o Ás de Ouro, foi preso em São Paulo na quinta-feira, durante a operação Gênesis. Às 22h de ontem, ele estava num voo em direção a Salvador, onde ficará preso. A queda de Fal deixou um buraco não só no baralho, mas também na facção Comissão da Paz (CP), liderada pelo criminoso antes de ser preso em São Paulo.

NOVO ÁS
“Com a prisão dele, o traficante Elias (Marcelo Henrique Menezes dos Santos, do Nordeste) assume a vaga do Ás de Ouro e passa a ser o mais procurado pela polícia baiana”, explica o secretário. Elias comanda o tráfico na área onde será instalada a próxima Base Comunitária de Segurança, a UPP baiana.

Além dele, outros sete criminosos são considerados pelo secretário como os mais influentes no tráfico no estado e apontados como as próximas cartas que a polícia tentará descartar do jogo do crime. Eles comandam áreas como o Bairro da Paz, a Chapada do Rio Vermelho, Candeal e Subúrbio (veja no box ao lado).

A conexão entre as facções criminosas PCC e CP na Bahia começou no início dos anos 1990 quando o traficante Marcos Willians Herbas Camacho Marcola, o Marcola do PCC, de São Paulo, iniciou ligações comerciais com o traficante baiano Genílson Lino da Silva, o Perna. Até a transferência de Perna para o presídio federal de Catanduvas, no Paraná, em 2008, eles mantiveram relações no abastecimento do comércio de drogas na Bahia.

Quando Perna foi preso, o traficante Cláudio Campanha assumiu o comando na CP e das relações com a facção paulista. Em setembro de 2009, depois de ordenar uma série de ataques a módulos policiais de dentro do Complexo da Mata Escura, Campanha e mais 10 traficantes da CP foram  transferidos também para Catanduvas. Foi aí que Fal assumiu o comando da CP.

QUEBRANÇA 

Em maio de 2010, Fal foi vítima de uma armação de dois integrantes do seu grupo criminoso que dificultou as relações comerciais com o PCC. Um casal do PCC que veio entregar 10 quilos de cocaína em Salvador foi morto por membros da própria  CP (veja na página ao lado).

O ex-diretor do Departamento de Narcóticos (Denarc), delegado Cleandro Pimenta, que na época do golpe estava à frente do órgão, explica que isso complicou as relações de Fal com o PCC. “Ele perdeu moral, mas depois conseguiu se reestruturar. Eles não cortaram relações pelo grande volume de drogas que está em negociação”, diz.

A identificação de membros da CP, segundo Pimenta, não era difícil, mas as prisões demoram a acontecer pela dificuldade em fazer o flagrante. “O PCC é um grupo bem articulado nas suas organizações”, explica.

A lógica da ‘quebrança’ da CP - quando o grupo mata parceiros para roubar -, que  é inspirada no estilo de traficantes jamaicanos, segundo o titular da delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE), Daniel Menezes, colabora com o enfraquecimento da CP.

“A forma de atuação da CP é marcada por brigas internas e muitas mortes entre os traficantes do mesmo grupo por disputa das bocas. Com as prisões de Fal e Peu, o grupo está sem comando. Se o Poder Judiciário conseguir que esses ‘cabras’ não usem os celulares dentro da cadeia, a CP na Bahia acabou”, afirma Menezes.

A Superintendência de Assuntos Penais da Secretaria Estadual de Justiça foi procurada para comentar a segurança nos presídios, mas segundo a assessoria ninguém do órgão - criado em abril - ainda está apto para falar.

 

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