Bahia

Corpo conservado em formol por 4 anos parece milagre em Candeias

A notícia se espalhou e levou centenas de curiosos ao Cemitério Recanto da Saudade

Perla Ribeiro | Redação CORREIO

Morto aos 30 anos em um acidente de carro no Rio de Janeiro, Moacir Mendes dos Santos foi enterrado no dia 30 de janeiro de 2005. A notícia de que seu corpo permanecia intacto só veio à tona na última sexta-feira, quando seriam esvaziadas 60 gavetas do cemitério para criar novos espaços. O trabalho acabou interrompido na 15ª.

COMOÇÃO POPULAR

A notícia do corpo enterrado em 2005 e mantido intacto se espalhou em Candeias, a 46km de Salvador, e levou centenas de curiosos ao Cemitério Recanto da Saudade. Durante todo o dia, o entra-e-sai no cemitério não cessou. Todos queriam conferir com os próprios olhos as imagens registradas em aparelhos celulares que circularam de mão em mão pela população de 80 mil habitantes. Como se não bastasse, elas romperam as barreiras do município e ganharam a internet ,no YouTube.

A repercussão foi tão grande que, preocupada, a família decidiu transferir o corpo da gaveta nº 63, da ala 1, para outro espaço no mesmo cemitério. A justificativa de que o cadáver permaneceu inalterado por conta da ação do formol parecia simplista diante de um monte de mentes inquietas e criativas. Em vez do óbvio, os curiosos preferiram tratar a questão como fenômeno.

Enquanto alguns comentavam que o candeiense virou santo, outros cogitavam tratar- se de algo sobrenatural. A paróquia foi avisada, mas, até ontem, nenhuma autoridade religiosa havia aparecido para conferir o caso. 'Acho que é o fim dos tempos, a volta de Jesus. Não acredito que só remédio manteria assim por todo esse tempo', disparou a evangélica Crispiniana Dulce do Amaral Santos, 68 anos.

Assim como ela, centenas de pessoas deixaram suas casas para ver o corpo, mas tiveram que se contentar apenas com informações ou imagens de celular. 'Só abrimos a gaveta na presença da família. O tenente também pediu que nós fechássemos o portão para evitar a entrada de curiosos', alegou o administrador do cemitério, Catarino Gonçalves dos Santos.

Nem mesmo os funcionários do cemitério, que lidam diariamente com a morte, ficaram indiferentes ao fato. Coveiro há 22 anos, Marcelino Rebouças, 65 anos, conta o susto que levou ao cruzar os olhos com um corpo intacto enterrado há quase quatro anos. Chegou a pensar que tinha cometido um equívoco. Mas não, os documentos comprovavam que havia aberto a gaveta correta.

'Custei a acreditar que aquele corpo que parecia enterrado no dia anterior já estava lá desde 2005. Deve ter sido remédio, santo não pode ser. É muito custoso nos dias de hoje', disse o cético coveiro. Já a funcionária da limpeza, Maria Dolores dos Santos Casimiro,52 anos, não se conteve em só olhar e tocar o corpo e reteve as imagens no celular.

'Até os arranhões que haviam no braço dele estavam cicatrizados. Acho que é algo sobrenatural para chamar a atenção de Candeias para alguma coisa', considera. Ao lado dela, um adolescente fazia sua aposta: 'Não vai demorar a chegar cientistas do Estados Unidos para estudar o caso', sugeria. Ainda assustado com o fato e a repercussão que ele ganhou, o pai do morto, o pedreiro José Evangelista , 59 anos, preferiu se calar.

Corpo foi removido para gaveta em local desconhecido

Sob a escolta de policiais do Pelotão Especial da 10ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), familiares acompanharam a remoção do corpo de gaveta. O caixão de zinco em que o corpo estava também foi substituído por um novo e de madeira.

De acordo com a tenente Daniela Brás, que acompanhou a operação, o corpo foi mantido intacto porque esteve esse tempo todo acondicionado em um caixão de alumínio e zinco lacrado. Nestas circunstâncias, foi vetada a passagem de oxigênio, o que impediu que o cadáver entrasse em decomposição. Além dos policiais militares e de funcionários do cemitério, a operação foi acompanhada pelo pai do morto, o pedreiro José Evangelista dos Santos, e outros dois filhos. No intuito de abafar o caso, tudo foi feito depois das 18h.

Formol retarda processo de decomposição

Usado nos corpos embalsamados, o formol retarda o processo de putrefação. Isso acontece porque ele mata todas as bactérias do organismo. O tempo que leva para o corpo se decompor vai depender da quantidade de formol utilizada e do local onde o corpo foi enterrado, mais precisamente da umidade do Garrafas de formol lugar.

(Reportagem publicada na edição de 17/09/2008 do CORREIO)

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