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EUA são último lugar em ranking de benefícios trabalhistas entre os países desenvolvidos

Os trabalhadores do país não têm direito a férias e nem feriados remunerados

Estadão Conteúdo

Os Estados Unidos ficaram no último lugar em um ranking de benefícios trabalhistas dos países desenvolvidos. Os norte-americanos não têm direito a férias remuneradas nem a folgas pagas em feriados, indo contra a tendência do resto do mundo, revelou o Center for Economic and Policy Research (Cerp), um centro de estudos e pesquisas econômicas com sede em Washington. O Cerp avaliou as legislações trabalhistas de 21 países desenvolvidos e suas políticas para folgas e férias pagas.

Entre eles, a França foi o mais bem colocado no quesito férias. Os franceses têm o maior número de dias úteis de férias remuneradas garantidas por lei: 30 dias. Em segundo lugar, aparece o Reino Unido, com 28. Na Áustria, os trabalhadores têm garantidos 36 dias de férias, mas só após seis anos de emprego. No geral, países da União Europeia têm legalmente pelo menos 20 dias de férias pagas garantidas.

Em outros países, a legislação trabalhista oferece menos dias remunerados. No Canadá e Japão são no mínimo dez dias, mas à medida que o empregado vai ficando mais antigo o número de dias de férias é maior. Nos EUA, a lei não garante nenhum dia de férias pagas.

O estudo não inclui países emergentes. No item feriados, Portugal e Áustria são os destaques no ranking e chegam a ter 13 dias por ano de folgas remuneradas. Na Espanha, são 12 dias e na Alemanha, 10. Já países como Japão, Reino Unido e do norte europeu (como Finlândia e Suécia) não garantem feriados remunerados. Nos EUA, também não há feriados remunerados. “Os Estados Unidos são a única economia avançada no mundo que não garante a seus trabalhadores férias remuneradas”, afirma um dos autores do estudo e economista sênior do Cerp, John Schmitt, no material enviado à imprensa apresentando o estudo.

Sem férias e feriados remunerados garantidos por lei, o Cerp destaca que a situação mais comum nos EUA são os funcionários negociarem esses benefícios, sobretudo as férias, em seus contratos de trabalho diretamente com os empregadores. No caso de executivos de Wall Street e outros de renda maior, na média, consegue-se dez dias de férias por ano nessas negociações. Mas, para funcionários de pequenos negócios, trabalhadores de meio período e de menor renda e qualificação, a situação fica mais complicada e muitos não conseguem ter férias remuneradas, aponta o estudo.

Os dados mostram que apenas 49% de empregados de menor renda conseguem esse benefício. Já entre as pessoas de maior salário, o número sobe para 90%. No geral, um em cada quatro norte-americanos não consegue ter férias remuneradas. Os norte-americanos estão tentando mudar essa situação. No dia 22 de maio, um projeto de lei de um democrata da Flórida, Alan Greyson, foi encaminhado para um comitê do Congresso analisar a introdução legal de ao menos uma semana de férias remuneradas por ano no país. Se for aprovada por deputados, senadores e sancionada por Barack Obama, será a primeira vez nos EUA que uma lei federal estabelece esse benefício, destaca o relatório do Cerp.

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