Imóveis

Imóveis: Uso de materiais alternativos é opção para arrumar a casa

Reaproveitar o que já tem ou comprar móveis antigos para depois adaptá-los, é uma ótima oportunidade de exercitar a criatividade

Jorge Gauthier e Naiana Ribeiro (jorge.souza@redebahia.com.br)
Atualizado em 17/08/2014 16:35:55

Você já pensou em dar uma repaginada no visual da casa? Para reformar ou redecorar o lar, arriscar e pôr a mão na massa pode ser a melhor opção. Reaproveitar o que já tem ou comprar móveis antigos, mais em conta, para depois adaptá-los, é uma ótima oportunidade de exercitar a criatividade, usar a imaginação e deixar o ambiente a sua cara.

Geólogo e gemólogo por formação, Hugo Curti, 47 anos, é um exemplo de que para colocar a mão na massa, basta ter força de vontade. Desde pequeno, ele já faz de tudo: mesas, cadeiras, prateleiras, esculturas, armários e reutilizou móveis que ele tinha em casa. “Meu pai era marceneiro e sempre me levava junto. Eu aprendia vendo o que ele fazia e ia praticando: enquanto ele fazia coisa ‘de gente grande’, eu fazia coisa ‘de gente pequena’, como carrinhos, dentre outros brinquedos”, revela Curti, que já trabalhou como joalheiro e também é fotógrafo e artista plástico.

Ele contou, ainda, que  não caracterizaria esse dom, de fazer, montar e adaptar móveis, como um hobby. “Apenas faço e me entretenho fazendo. Uso essas habilidades na profissão e quando preciso de alguma coisa, por exemplo. Às  vezes, crio móveis, esculturas e chego até a compor as fotografias. Quando alguém precisa, também”, diz.

Hoje, o artista tem na própria casa diversos objetos que ele mesmo fez. “Tenho uma bancada de marcenaria, por exemplo, que era do meu pai, e virou mesa. Quando ele morreu, peguei pra mim e durante muito tempo, ela ficou guardada. Agora uso como mesa de apoio: colocamos comida, flores, dentre outras coisas”, pontua. E pra completar o visual único do lar, Hugo tem seis cadeiras que ele mesmo lixou, pintou e mandou colocar o estofamento. Em 1996, ele as adquiriu, em um ferro velho,  por R$ 1 cada e até hoje, ele as utiliza.

 

Veronica Kraemer,  42 anos, tem um ateliê em São Paulo e também escreve e posta fotos de customizações, passo a passo, no seu blog. Foto: Divulgação

REUTILIZAR
Para a designer de interiores Daniela Lopes, nem sempre as pessoas conseguem fazer reformas, adaptações e criar materiais sozinhas. Os motivos são diversos: algumas acreditam ser algo difícil, outras não chegam nem a tentar. Ela recomenda, então, a reutilização de móveis, que é para qualquer um. “Antes de pintar ou reformar algum objeto é importante pesquisar bastante. Algumas vezes, vale a pena fazer por conta própria, mas outras vezes não dá muito certo. Reaproveitar é a melhor opção, não tem erro: basta reutilizar algo que você tem ou que não use muito e dar outra função”, explica.

Daniela pontuou, ainda, que diversos clientes reaproveitam móveis para mudar o espaço. “Teve uma que pegou uma bancada de máquina de costura e passou a usá-la como mesa. Ficou super-retrô, todo mundo comenta”, conta. 

A estudante de Produção Cultural Larissa Novais, 20, é um exemplo de que não se precisa ter dom e nem habilidades para fazer os próprios móveis. Um pouco de força de vontade, ou até mesmo a necessidade são empurrões para arregaçar as mangas. “Em Salvador, eu tinha um quarto que não tinha nada a ver comigo, mas sempre tive vontade de colocar a mão na massa e fazer meus próprios móveis. O máximo que eu tinha feito  antes foi colar adesivos em uma mesa. Mudei para o Rio e juntaram duas coisas em uma só: a vontade e a necessidade”, explica a estudante da Universidade Federal da Bahia que foi estudar no Rio de Janeiro por um ano.

Hoje, Larissa divide um apartamento com outras duas estudantes e boa parte dos móveis foi feita ou adaptada por elas. “O sofá da sala, por exemplo, é de palete (estrado de madeira). Nós pegamos em uma obra aqui do lado e só pagamos pelo transporte. Já a estante da sala, estantes do quarto, porta-sapatos, livros e roupas são feitos de caixotes de madeira, que consegui no hortifruti aqui do lado de casa”, conta. Na sala, ela deixou os móveis na cor madeira e no próprio quarto, lixou e pintou - gastando apenas R$ 30 com tintas coloridas.

 

Hugo Curti, de 47 anos, é artista plástico e fotógrafo e desde pequeno reforma e cria os próprios móveis. Foto: Divulgação

“Dá trabalho, mas não é difícil fazer as coisas: basta querer. Acho muito bonito e pretendo continuar criando e adaptando móveis nas minhas próximas casas. O melhor é que ficam diferentes daqueles objetos que você compra prontos. Eu que fiz com minhas próprias mãos e por isso fica muito mais descolado e diferente, combina mais comigo”, garante a estudante. Larissa pontua que a busca de tutoriais e dicas pela internet foi essencial no seu processo criativo. “Coloque na busca e lá aparecem várias dicas desde o que fazer até onde comprar, o ‘passo a passo’, etc. Foi assim que começei”, recomenda.

ADAPTADO
Formada em Psicologia, Veronica Kraemer, 42, também é adepta ao “faça você mesmo”. Ela acredita que comprar coisas novas nem sempre é a melhor alternativa e prefere adquirir objetos e móveis antigos; além de reaproveitar, reutilizar e reciclar. “No começo, não pensava muito em sustentabilidade, mas depois comecei a notar que no lixo que jogamos, muitas coisas como paletes, estrado de madeira, metal ou plástico; caixotes, embalagens de frutas, móveis pela metade e materiais que se acham pelas ruas, por exemplo, que muitas vezes não damos nada, podem ser adaptados e se transformar, embelezando o espaço com um toque de imaginação e força de vontade”, afirma.

Desde pequena, Veronica amava pintar. Apesar de ser psicóloga, ela praticou a profissão por pouco tempo: “Antes de ter um ateliê, comecei a transformar caixotes em revisteiros e alguns amigos sempre me pediam. Percebi, então, que poderia transformar o que eu gostava de fazer em um negócio e comecei a vender as peças que transformava”.

Hoje, ela dá aulas e vende peças no seu próprio espaço: o Além da Rua Ateliê, em São Paulo, que foi criado há 15 anos. Mosaicos, telas e vasos pintados, móveis custumizados são apenas alguns objetos que a artista adapta e podem ser usados como peças decorativas. De acordo com Veronica, as pessoas a procuram pelo seu blog e pelo canal no Youtube, que tem ‘passo a passo’ de diversas transformações, para tirar dúvidas. “Muitas pessoas que nunca reformaram objetos me procuram. Como fazer pátina colorida e envelhecida em madeiras escuras, pintar móveis antigos e adaptar paletes são os assuntos mais procurados”, conta.

Para quem ainda não começou a criar e praticar a reforma de móveis e peças de decoração, Veronica recomenda a busca por tutoriais, blogs, sites e vídeos. “No começo, muitas pessoas acham que não têm capacidade ou que não vão conseguir, eu mesma, pensava isso. Mas depois que você mergulha nesse mundo, começa a usar a imaginação e descobre que você pode muito mais do que pensava que era capaz, nunca mais para”.

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