Eleições

Número de prefeitas na Bahia cresce 36% na eleição de 2012

Dois grupos predominam: o de mulheres que venceram em cidades dominadas por homens e o das herdeiras políticas dos maridos

Atualizado em 21/10/2012 14:11:11

Jorge Gauthier
jorge.souza@redebahia.com.br

“Eu nunca perdi para homem quem dirá para uma mulher”. Com essas palavras, o candidato a prefeitura de Anagé Elson Soares (PTB) encerrou seu último comício. Nas urnas, a surpresa: a professora Andrea Oliveira Silva, 38 anos, conseguiu derrotar o adversário que já tinha sido prefeito cinco vezes. Tornou-se a primeira mulher eleita para comandar Anagé, a 560 quilômetros de Salvador.



Andrea faz parte de um fenômeno eleitoral este ano: segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral, o  número de prefeitas na Bahia cresceu 36% em comparação com 2008, saltando de 47 para 64, percentual 5% maior que o do resto do Brasil.

Andrea diz acreditar que sua eleição foi impulsionada pelo momento feminino na política. “Essa campanha em Anagé rompeu diversos tabus de gênero na cidade. No início, não acreditavam que eu teria força de ganhar, mas consegui”, conta Andrea, que tinha perdido em 2008 por 192 votos. Divorciada, mãe de um filho de 14, ela conta:  “ele me deu apoio, mas assim como o resto da minha família, ficou com medo, já que tive que enfrentar um forte grupo político”.
Em Amargosa, a 235 quilômetros de Salvador, a atual vice-prefeita Karina Silva (PSB), 41 anos, rompeu com o prefeito Valmir Sampaio (PT) e venceu seu candidato, o também petista Júlio Rocha. “Rompemos porque ele não respeitava minha posição como mulher”, alega.

Formada em Administração pela Ufba, Karina tenta repetir a história de sua mãe, Iraci Silva, que foi prefeita de Amargosa de 92 a 96. “Minha mãe foi a primeira prefeita e agora  tenho a missão de fazer um trabalho tão bem avaliado como o dela. Ela derrotou o grupo político dos Andrade, que dominavam a cidade há 20 anos. Eu derrotei a força grandiosa que é o PT, que tem a máquina na mão”, conta.

Segundo Karina, depois do rompimento político, os adversários iniciaram ataques. “Sofri muito preconceito (por ser mulher). Os adversários começaram a me comprar a Carminha e Chayene, vilãs das novelas Avenida Brasil e Cheias de Charme, respectivamente”, diz.  Casada, mãe de três filhos, Karina conta que, apesar de ser filha de político e de estar na vida pública há mais de 15 anos, não quer que os filhos sigam sua vocação. “É sempre complicado, porque tem pouco tempo para a família”, afirma.

Experiência
A petista Rilza Valentim, de São Francisco do Conde, na Região Metropolitana de Salvador,  conseguiu se reeleger com 75.89% dos votos válidos. Desde 2008, ela tem a responsabilidade de administrar a maior arrecadação per capta entre as cidades brasileiras. “Quando fui eleita pela primeira vez, achavam que eu não ia saber o que fazer. Mas fui estudar, aprender. Hoje sei como tudo isso funciona”, explica Rilza, que tem 50 anos e é doutora em Química, em uma cidade que tem a segunda maior refinaria de petróleo do país.

Herdeiras
O nome de campanha Anabel de Tista (PSD) já indica que a prefeita eleita de Jeremoabo, a 370 quilômetros de Salvador, tem um padrinho eleitoral. No caso, seu marido e atual prefeito da cidade, João Batista Melo de Carvalho, o Tista. A nova prefeita, Anabel Carvalho, 43 anos, se elegeu com quase 1,3 mil votos de diferença. Ela entrou na política pelas mãos do  marido, mas credita a vitória ao momento político da mulher no Brasil. “Pesou ser mulher porque a mulher está num momento político positivo com a presidente Dilma Rousseff”, explica Anabel, primeira prefeita eleita na cidade.

A revolução feminina na cidade foi ainda maior, já que Anabel tem como vice outra mulher, Jannete Menezes,  também ex-primeira da cidade. Na campanha, as duas eram chamadas de “As meninas”.  Mas, nem todas mulheres eleitas tinham pretensões eleitorais, e acabaram tendo que assumir a candidatura de maridos que renunciaram às vésperas da eleição.

Em algumas cidades, chegaram a ser eleitas com a foto do marido na urna. Foi o que aconteceu em Almadina, Sul da Bahia, onde a eleição foi vencida por Gleide de Val (PSD).

O mesmo ocorreu com Dra. Iracêma, eleita em Itaquara. Faltando apenas seis dias para a eleição, o marido dela, Astor Moura Araújo, foi barrado pela Justiça Eleitoral por ter as contas rejeitadas. “Tive receio em assumir a candidatura, mas tive um apoio crescente por ser mulher. Afinal, mulher quando quer fazer uma coisa faz”, explica Iracêma, 54 anos e mãe de três  médicos.

Ela conta que os filhos tentaram fazer com que ela desistisse. “Nenhum filho quer a mãe na política. Eu tinha acabado de casar o último filho e pensei que iria cuidar da vida, mas o dever me chamou”, diz.


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