Bahia

Pindobaçu: mulher que forjou morte com ketchup recebeu R$ 240 reais de "pistoleiro"

Carlos Roberto fez um acordo com a mulher e, em pleno São João, encenou tudo usando um pote de ketchup, uma mordaça e uma faca

Alexandre Lyrio | Redação CORREIO
alexandre.lyrio@redebahia.com.br

Na Bahia de Octávio Mangabeira, o absurdo ganhou mais um precedente. O ex-presidiário Carlos Roberto de Jesus tinha tudo para cometer o que seria mais um crime de mando em Pindobaçu, a 400 quilômetros de Salvador. Porém, ao descobrir que conhecia a mulher que deveria matar, o “pistoleiro” resolveu forjar o homicídio e dar parte do dinheiro (R$ 1 mil) à “vítima”.


Faca entre o braço e o peito da mulher simulava o esfaqueamento

Contratado pela dona de casa Maria Nilza Simões para matar outra dona de casa, Erenildes Aguiar Araújo, Carlos Roberto fez um acordo com a mulher e, em pleno São João,  encenou tudo usando um pote de ketchup, uma mordaça e uma faca. Como prova de que o crime havia sido consumado, ele tirou uma fotografia da “morta” e entregou à mandante. A mulher acreditou na foto, apesar da montagem grotesca com a faca “encravada” debaixo da axila de Erenildes, que aparece na imagem amordaçada e o corpo labreado com o condimento. 

Mas como na Bahia o insólito é apenas um pretexto, é aí que entra o precedente do precedente. Três dias depois, passeando pela feira da cidade, a mandante deu de cara com o “assassino” e a “vítima” - se beijando, segundo a própria Maria Nilza contou ao delegado da cidade, Marconi Almino.

Apesar disso, a mandante preocupou-se mesmo foi com os R$ 1 mil pagos e correu para a delegacia para acusar Carlos Alberto de roubo. Inicialmente, para a polícia, pareceu uma queixa de rotina. Mas, chamado para depor, Carlos Roberto entregou tudo.

O fato aconteceu no dia 24 de junho e teve grande repercussão na região. Mas só estourou de vez ontem. Em entrevista ao CORREIO, a “vítima”, conhecida como Lupita (e agora carinhosamente chamada de mulher-ketchup), disse que a mandante do crime quer, na verdade, ficar com seu companheiro.

“Ela teve um caso com meu marido. Mas ele não quis mais ela. Aí mandou me matar pra ficar com ele”. Erenildes ainda garante que Maria Nilza já contratou outros pistoleiros. “Ela já pagou três para me matar. Mas todo mundo aqui gosta de mim, nunca fiz mal a ninguém”, diz a dona de casa, que continua casada e garante não ter medo das ameaças. “Quem tira a vida dos outros é Deus”.  Erenildes confirma toda a história do ketchup e garante estar com o dinheiro guardado para devolver à polícia. Questionada sobre onde foi forjado o crime, ela contou logo: “Ele me levou para um matagal...”, explicou. “Fez tudo e me deu R$ 240”.

O CORREIO tentou entrar em contato com a mandante do crime, mas Maria Nilza estava fora da cidade o dia inteiro. Já o homem contratado por ela teria se mudado para Barreiras, Oeste do estado.

Os três envolvidos foram indiciados e respondem processo na Justiça. Carlos Roberto e Elenildes por extorsão. Maria Nilza por ameaça de morte, já que ameaçou pessoalmente a rival. “Não há crime de mando porque não se concretizou a execução”, explicou o delegado. “Em oito anos de Polícia Civíl, nunca soube de nada parecido. Olha que a gente ouve é história por aí”, destacou o titular. Para os moradores de Pindobaçu, que tem pouco mais de 20 mil habitantes, a mandante do crime fez papel de besta. “Será que ela não viu que a faca tava no sovaco? A cidade toda mangou da cara dela”, disse a comerciante Vera Márcia de Araújo.  

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