Brasil

Tornado em São Paulo teve ventos de mais de 100 km/h, diz meteorologista

Um motorista de um ônibus, que foi arrastado pelo vento, e um rapaz que estava jogando futebol morreram

Atualizado em 23/09/2013 15:54:26

O Globo

Apesar da curta duração, o tornado que atingiu na tarde de domingo a cidade de Taquarituba, no interior de São Paulo, deixou um rastro de destruição e tragédia. A prefeitura confirmou nesta segunda-feira que duas pessoas morreram e 64 ficaram feridas. Segundo a Defesa Civil, não há vítimas sob os escombros. Várias famílias ficaram desabrigadas e foram levadas para o ginásio de esportes do município.

Instituto de meteorologia confirmou que a cidade foi atingida por um tornado, mas disse que o mais provável é que ele tenha sido do tipo mais fraco. Segundo a meteorologista da Climatempo Aline Tochio, as imagens gravadas do fenômeno por moradores da cidade não deixam dúvidas de que Taquarituba presenciou um tornado, evento raro no Brasil. “O vídeo dos moradores mostra o funil característico dos tornado. O que caracteriza um tornado é um funil que desce nas nuvens e atinge o solo”, disse Aline.

De acordo com a meteorologista, a força dos tornados é medida numa escala chamada Fujita (nome do cientista que criou a escala) que vai de F1 a F5, onde F1 é mais fraco, com ventos de 117 km/h a 180 km/h. Tornados da escala F5 têm ventos acima de 400km/h. Aline acredita que o tornado de Taquarituba tenha ficado na escala F1, que costumam levantar telhas, mover carros e tombar carretas. Os tornados que acontecem no Brasil são normalmente desse tipo.

Segundo ela, não é possível saber qual a velocidade máxima que os ventos alcançaram na cidade, que não tem estação de medição. “Um tornado do tipo F2, mais forte que o F1, tem ventos de 180 km/h a 250 km/h e levanta casas, móveis e pode causar a demolição de residências. Em Taquarituba, os ventos podem até ter ultrapassado os 180 km/h por um curtíssimo período de tempo, em uma rajada rápida, mas não deve ter ficado de maneira constante em 200 km/h e se sustentado assim para que ficasse caracterizado o F2”, disse Aline.

De acordo com a meteorologista da Climatempo, o tornado em Taquarituba foi provocado pela combinação de dois fatores: ar quente no estado de São Paulo e uma frente frio com uma grande área de instabilidade.

“O ar estava muito quente no estado de São Paulo. Em Itapeva, cidade a 85 km de Taquarituba e onde fica a estação meteorológica mais próxima, a temperatura chegou aos 33ºC no domingo. E tinha uma frente fria no Paraná com uma area de instabilidade grande, que alcançava vários estados. O choque da instabilidade e do ar quente formou nuvens muito carregadas de chuva e por alguns instantes teve circulação de ventos no choque, que acabou gerando o funil”, explicou Aline.


Tornado no interior de São Paulo deixou um rastro de destruição e tragédia

Os mortos são um motorista de um ônibus, que foi arrastado pelo vento, e um rapaz que estava jogando futebol na hora em que o telhado do ginásio desabou sobre ele. Das 64 pessoas feridas, 63 tiveram ferimentos leves e já foram medicadas e liberadas. Uma criança que teve fratura exposta no braço continua internada no Pronto Socorro de Itaí.

No domingo, a Polícia Militar chegou a informar que três pessoas haviam morrido em decorrência do tornado, mas a prefeitura e a Defesa Civil do estado falam em dois mortos. Para prestar socorro aos desabrigados, moradores de cidades vizinhas fazem doações de cobertores aos desabrigados, que serão cadastrados.

"Cenário de guerra"
Uma assessora da prefeitura disse, na manhã desta segunda-feira, que a cidade amanheceu “como um cenário de guerra” e que os ventos fortes duraram três minutos. Segundo a Defesa Civil do estado de São Paulo, a prefeitura informou que 150 residências foram destelhadas e 30 imóveis comerciais foram afetados.

De acordo com a Defesa Civil, oito pessoas foram abrigadas no Ginásio de Esportes da Vila São Vicente e outras foram para a casa de parentes e amigos. O abastecimento de energia elétrica foi comprometido em 50% e o sistema de telefonia, que foi bastante afetado, já foi parcialmente restabelecido. Na zona industrial, houve vazamento de combustível, e os bombeiros passaram a noite trabalhando para evitar explosões.

Segundo a prefeitura de Taquarituba, a rodoviária e o parque da cidade foram totalmente destruídos. Em entrevista à GloboNews, o prefeito Miderson Millêo disse que a cidade poderá “levar anos para se reconstruir”. Além de moradias atingidas, a destruição do parque industrial deixa vários moradores sem emprego. “Isso terá uma consequência econômica a longo prazo no nosso município. A recuperação não é coisa de dias ou meses, mas sim de anos”, afirmou o prefeito.

A cidade de Taquarituba tem 23 mil habitantes. Em Santa Catarina, cerca de 20 mil pessoas e 4 mil residências em 70 cidades foram atingidas pelas chuvas que caem no estado desde a última sexta-feira. Foram registrados alagamentos, deslizamentos, nível de rios acima do normal e queda de granizo.

Segundo a Defesa Civil estadual, o Vale do Itajaí é a região mais prejudicada. Os municípios de Agronômica, Laurentino, Lontras, Presidente Getúlio e Rio do Sul solicitaram decreto de estado de calamidade pública. Decretaram situação de emergência: Araquari, Bom Retiro, São José do Cedro, Saltinho, Santa Terezinha do Progresso e Serra Alta.

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