Salvador

Em cinco anos, acidentes de trânsito caem pela metade em Salvador

Transalvador atribui queda à instalação de radares de velocidade na capital baiana

Carol Aquino (carol.aquino@redebahia.com.br)

Duas das principais avenidas de Salvador e que passam, juntas, por quase 15 bairros da capital, registraram, nos últimos cinco anos, uma queda de mais de 60% no número de acidentes de trânsito. Na Bonocô, a redução entre 2012 e 2016 foi de 65%; já na Octávio Mangabeira, que passa pela Orla, a queda foi de 64%.

O número de acidentes diminuiu em toda a capital, de acordo com dados da Superintendência de Trânsito de Salvador (Transalvador). Nos últimos cinco anos, a queda na capital foi de 51,5%, passando de 38.106 em 2012 para 18.488 em 2016. O número de mortes em decorrências deles também caiu - 45% - no mesmo período. Foram 247 em 2012 e 137 no ano passado.

A maior redução de acidentes registrada foi na Avenida Mário Leal Ferreira, a Bonocô. O número caiu de 1.098 em 2012 para 383 em 2016. A Bonocô está ligada a sete localidades do bairro de Brotas, como Engenho Velho de Brotas, Cosme de Farias e o Matatu.

Somente na Bonocô, que também liga o Centro de Salvador à BR-324, na saída da cidade, a queda no número de ocorrências chega a 65%. Lá, o fluxo diário é intenso - são mais de 60 mil veículos todos os dias sentido Centro e quase 44 mil no sentido BR-324. 

(CORREIO Infográficos)

Em segundo lugar, vem a Avenida Octávio Mangabeira, a Orla, em que a redução foi de 64%. Na avenida, que passa pelos bairros da Pituba, Costa Azul, Armação, Boca do Rio, Pituaçu, Jaguaribe e Piatã, o número   caiu de 1.307, em 2012, para 462 em 2016.

Radares
Nestas avenidas, foram instalados radares de controle de velocidade. E, para o superintendente da Transalvador, Fabrizzio Muller, é isso que explica a queda no número de acidentes.

“A redução de acidentes vem de um cuidado que a prefeitura está tendo na construção de seus projetos, que tem como objetivo a segurança viária. Até 2012, a cidade não era fiscalizada, isso acaba incentivando que as pessoas cometam mais infrações e consequentemente haja mais acidentes”, explica. Fabrizzio diz, ainda, que a Transalvador tem trabalhado mais na fiscalização e nas blitze de alcoolemia.

A especialista em trânsito Cristina Aragón considera que o aumento da fiscalização eletrônica foi um fator positivo no aumento da segurança viária. “Isso é uma tendência no Brasil todo. A lei de trânsito ficou mais rígida”, aponta. Ela destaca, ainda, a mudança de comportamento do brasileiro em relação à combinação entre álcool e direção.

“Ao longo dos anos, houve uma maior fiscalização. E começo a acreditar também que o fenômeno Uber tem algo a ver com isso. Hoje, você já nota uma tendência de pessoas  que preferem sair sem carro porque ficam mais confortáveis de beber sem riscos de acidentes ou multa”, explica, ressaltando que a maioria dos acidentes está ligada a condutores alcoolizados.

Mudança
Por mais que boa parte da população não saiba o que de fato mudou, quem precisa passar diariamente pelas vias da capital percebe que os motoristas estão andando mais ‘na linha’. O cobrador de ônibus Igor Costa, 37 anos, passa diariamente pela Bonocô há seis anos e conta que a instalação de fotossensores fez a diferença na segurança do trânsito.

“Antes, não tinha fiscalização, aí o pessoal se aproveitava, né? Andava em velocidade alta”, comenta. O medo, no entanto, continua sendo companheiro de Igor no dia a dia. “Não tem como não andar assustado, o fluxo de carros aumentou bastante de uns anos para cá”, revelou o cobrador.

De fato, segundo dados da Transalvador, a frota de veículos da cidade aumentou de 821.735, em 2012, para 939.434, no ano passado - o que representa um aumento de 14,3% em um intervalo de cinco anos.

Além da fiscalização, Muller fala do trabalho com segurança viária. “A gente tem buscado, permanentemente, soluções, boas práticas utilizadas no mundo que provocam redução de acidentes, que envolve obras, fiscalização, entre outros”, explicou.

Como exemplo, citou a redução de velocidade e o piso compartilhado na Barra e no Rio Vermelho, que, além de permitir melhor aproveitamento das áreas de pedestres, trouxe uma boa convivência destes com os carros. 

(CORREIO Infográficos)

Suburbana
Quem mora ou trabalha na Suburbana, avenida que atravessa treze bairros do Subúrbio Ferroviário, tem alguma história triste para contar em relação a acidentes de trânsito. Há cerca de dez anos, a filha do vendedor Gilson Cruz, 43, foi atropelada por uma motocicleta. Felizmente, ela só teve uma luxação, mas o susto foi grande.

“A moto pegou ela bem aqui. Ela estava do outro lado e foi atravessar a rua. O ônibus parou para ela passar, mas uma moto saiu por trás e atropelou ela. Graças a Deus, ela só teve uma luxação”, conta, aliviado, o morador do Lobato.

A Suburbana foi, também segundo dados da Transalvador, a terceira avenida com maior percentual de redução de acidentes. Lá, o número caiu de 1.059 em 2012 para 473 no ano passado. A segurança nesta via tem um destaque especial por causa da expressiva redução no número de mortos, especialmente entre 2015 e 2016, que caiu de 17 para dez mortes. A via tem um fluxo diário de 8 mil veículos no sentido Calçada e de 11 mil no sentido Paripe.

A queda no número de acidentes na Suburbana foi mais acentuada entre os anos de 2015 e 2016, após as obras de requalificação da via, entregues em junho do ano passado. Foram adotadas ações que permitiram um maior controle da velocidade na pista e deram mais segurança a quem circula a pé, como a implantação de 11 faixas de pedestres elevadas, conserto e recolocação de 17 semáforos, além de 14 radares.

Também foi construída uma ciclovia no canteiro central da via. A pista tem 28 quilômetros - 14 em cada sentido - e é a mais longa linear em todo o país. O asfalto da Suburbana foi requalificado e foram construídas quatro novas baias de ônibus e uma via marginal, além de dois novos retornos na região do Parque São Bartolomeu e do Largo do Luso. 

(CORREIO Infográficos)

O ambulante Renan Benedito, 20, lembra que até os doze ou treze anos o pai não o deixava atravessar a rua sozinho por medo de que algo acontecesse. “Tinha muito atropelamento e acidente com moto. Diminuiu bastante depois da faixa”, pontua, se referindo às lombofaixas.

Porém, o que ainda deixa os moradores preocupados é a falta de respeito às normas de trânsito. Segundo os moradores na Suburbana, ainda são comuns as batidas de carro devido à imprudência e acidentes com motos. Muitos motociclistas, na pressa de fazer o retorno, acabam invadindo a passagem de pedestres e motoristas, apesar dos radares, insistem em desrespeitar o sinal vermelho.

Cristina Aragón, especialista em segurança no trânsito, ressalta que apesar de Salvador ter avançado na redução de mortes e acidentes, ainda há muito o que fazer.

“Nós precisamos investir na questão da segurança dos pedestres e dos não motorizados, os ciclistas, que são os mais vulneráveis. A cidade ainda tem calçadas em más condições e travessias não seguras”, disse. Ela ainda defende a redução da velocidade limite nas vias urbanas e mais investimentos em educação para o trânsito.

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