Salvador

Equipe fará curadoria de peças em acervo de biblioteca na Ufba

Projeto para recuperar obras da biblioteca da Faculdade de Medicina tem custo de R$ 200 mil, para bancar materiais como papel com PH neutro

Da Redação (redacao@correio24horas.com.br)
Atualizado em 28/06/2017 15:11:45

Ainda não foi possível quantificar o enorme acervo da Biblioteca Gonçalo Moniz, fundada em 1832, na Faculdade de Medicina (Fameb) da Universidade Federal da Bahia (Ufba), no Terreiro de Jesus. A maior parte de suas obras estão deterioradas e, por causa disso, é avaliado se é necessário fazer o descarte de algumas delas - as que já não tenham possibilidade de serem recuperadas. Segundo o diretor da Fameb, Luis Fernando Adan, uma equipe multidisciplinar será formada para fazer a avaliação das obras. 

“A gente tem o projeto de criar uma comissão de profissionais de diferentes saberes para poder avaliar as peças. Existem algumas coisas que são passíveis de descarte, mas precisam passar por avaliação”, explica o diretor.

A ideia é que esses pesquisadores de diferentes áreas possam indicar quais peças, que mesmo em estado ruim de conservação, ainda devem ser guardadas pela biblioteca e passem por um outro processo de recuperação.

Segundo a coordenadora da biblioteca, Ana Lúcia Albano, um projeto está sendo elaborado para garantir materiais de consumo e melhorar as condições de trabalho dos funcionários.

O projeto tem custo de R$ 200 mil, para bancar materiais como papel com PH neutro - o mais adequado para acondicionar as obras recuperadas.

‘Intrusos vivos’ nas obras são retirados a vácuo
O processo de recuperação dos livros começa com a separação deles nas estantes. Nesse momento, também são retiradas as capas que estão apodrecidas, para não prejudicar o restante da obra. É feita, então, uma limpeza inicial no livro. Caso a situação da obra esteja muito crítica (com muita sujeira ou muito destruída por traças), ela é encaminhada para a limpeza folha a folha.

Esse passo é mais cuidadoso para evitar que as páginas sejam rasgadas durante a limpeza. Para manusear os livros, os funcionários usam luvas e máscaras para evitar o contato direto com ácaros e fungos.

Em alguns casos, quando existem bichos vivos, os livros são embalados a vácuo e colocados em uma geladeira, para que eles morram. Após 15 dias, as peças podem ser retiradas da refrigeração e manuseadas.

Depois da limpeza, os livros recebem capas provisórias e ficam embalados em envelope até que recebam novas encadernações. Já passaram por esse processo as obras consideradas raras, como a Flora Brasiliense, o Dicionário de Práticas Cirúrgicas e a História Natural do Brasil. Elas estão, agora, em uma sala especial.

De acordo com a coordenadora da biblioteca, Ana Lúcia Albano, o trabalho é minucioso e não há mais recursos específicos para a execução do projeto. O setor usa bolsas que a faculdade recebe para distribuir entre estagiários que também participam da recuperação.

 O diretor da Fameb afirma que tenta buscar formas para melhorar as condições de trabalho da equipe. “Precisamos criar as condições para que Ana e sua equipe possam trabalhar nesse restauro, temos estudantes participando dese processo, e utiliza das bolsas que a universidade recebe pra trabalhar nesse restauro, mas todo equipamento que ela precisa não pode ser pago com esse recurso”, explica.

Arquivo reúne teses e documentos históricos
Não é só na Biblioteca Gonçalo Moniz que ficam as preciosidades da história. No arquivo da faculdade estão as teses e documentos importantes para a história da medicina, como explica a memorialista da Fameb, Cristina Fortuna.

Lá, ela encontrou o pedido de um professor à diretoria da faculdade para ir até a Europa aprender a técnica para fazer exames de raio-X.

“Há um desconhecimento da importância que a Fameb tem para a Bahia e para o Brasil. A faculdade foi pioneira em muitas coisas, como o estudo da Meteorologia, da Medicina Veterinária. Tudo isso começou com professores e estudantes aqui”, explica.

Cristina chegou à faculdade com a missão de recuperar o acervo de dois períodos em que não houve a catalogação dos arquivos: de 1916 a 1923 e 1925 a 1941. O trabalho foi se estendendo e hoje, 36 anos depois, ela continua como responsável pela memória da faculdade.

No arquivo da faculdade, Cristina descobriu documentos que vão além da medicina, como os relacionados à Guerra de Canudos, Guerra do Paraguai e ao Movimento Abolicionista. “Se desconhece e não se valoriza essa história”, avalia a professora, que estudou na Fameb. Para preservar essa história, os documentos do arquivo também estão sendo digitalizados.

publicidade

Salvador

Trânsito em Salvador
-- ºC
-- ºC

    Tábua de Marés

  • Alta00h58
  • Baixa07h11
  • Alta13h28
  • Baixa19h41

Assine o Correio 71 3533-3030

Fale com a Redação 71 3535-0330
Classificados Acheaqui71 3535-3035
Publicidade
71 3203-1812
Rua Aristides Novis, 123, Federação.
CEP: 40210-630 - Salvador, Bahia, Brasil.