Salvador

Ressaca no mar: mergulhadores voluntários apontam redução de lixo na praia

Colocação de banheiros ao longa da balaustrada pode ter reduzido resíduos sólidos, mas grupo aponta problemas

Alexandro Mota (alexandro.mota@redebahia.com.br)

Enquanto o Carnaval só cresce, o lixo que se acumula no mar após a folia tem diminuído nos últimos anos. Latinhas de cerveja, os proibidos espetinhos usados para a venda de churrasco na festa e as placas usadas para identificação do preço das bebidas ainda são os principais itens que poluem as praias que margeiam o circuito Dodô (Barra e Ondina). A redução em relação ao ano passado foi de, em média, 40% e é atribuída a diferentes fatores, segundo os grupos de mergulhadores voluntários que fazem a limpeza da praia todos os anos e que fizeram ação nesta quarta (1º).

Para os organizadores do Projeto Fundo Limpo, tem crescido a conscientização das pessoas e o número de ações voltadas para fazer essa limpeza já tradicional na Quarta-feira de Cinzas. “Durante o Carnaval observei muita gente na praia recolhendo o lixo. Bom ver que a mensagem que passamos nos últimos anos tem efeito”, diz o coordenador do Projeto Fundo Limpo Mario Bruno Souza. Este ano, o grupo recolheu 119 quilos de lixo do mar, 151 a menos que no ano passado e surpreendentes 595 quilos a menos que 2015.

  • (Foto: Evandro Veiga/CORREIO )
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  • (Foto: Divulgação )
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Já os surfistas e mergulhadores da ação Fundo da Folia recolheram este ano 444 latinhas, quando em outras edições já chegaram a retirar mais de mil. Além disso, recolheram 256 garrafas e sacos plásticos, materiais que levam mais de 200 anos para se decompor. Para eles, a redução é atribuída não só ao grande trabalho de limpeza dos circuitos durante a festa, mas também à instalação de sanitários químicos ao longo da balaustrada na orla próximo ao Farol e à montagem de um palco no ponto turístico que impedia a livre circulação das pessoas no trecho que dá para o mar. Se por um lado isso criou uma “barreira” impedindo a passagem de resíduos sólidos, a poluição ocorreu de outras formas, para os voluntários.   

“Todas as manhãs de Carnaval, os banheiros químicos eram lavados pelo caminhão pipa com água e detergente, que por si só já tem um impacto muito grande. (Esse material) escorria direto nas ‘bocas de lobo’, que têm saída abaixo da balaustrada”, conta o voluntário Gabriel Mussi. Para os voluntários, encarar o mar às 6h da manhã de ontem foi difícil porque havia uma espuma com mau cheiro.

Segundo o superintendente da Limpurb, Kaio Moraes, a empresa se preocupou em utilizar um material de limpeza biodegradável para evitar os impactos na natureza. “Todos os banheiros eram limpos com a retirada dos papéis e das coisas que a gente sempre encontra dentro dos banheiros. Era feita a sucção do material, que posteriormente era descartado na estação de tratamento da Embasa e só depois havia a limpeza com água e o material biodegradável”, explicou.

Naufrágio histórico foi danificado
O mar também tem se queixado de foliões abastados. Além da sujeira, os mergulhadores observam que o naufrágio Maraldi (que afundou em 1875 perto da costa da Barra) foi danificado. Por lá, além de latinhas foram encontradas garrafas de uísque. “Vimos que o naufrágio está com vários pontos novos de fissura e choques, resultantes de ancoragem indevida sob o sítio arqueológico subaquático. É algo que com certeza se agrava nesse período, temos registros de mais de 50 lanchas ancoradas na área no carnaval”, lamenta Gabriel. 

A limpeza desta quarta-feira (3) contou com cerca de 50 voluntários no mar e ocorreu no Farol, Hospital Espanhol, Porto da Barra e Yacht Clube. “O lixo não some, ele vai para algum lugar e depois a gente tem consequências com isso”, opina Mario Bruno.

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