Salvador

Setenta bairros da capital continuam sem água

Segundo a Embasa, o abastecimento permanece interrompido devido às obras em adutora na Bonocô que não foram concluídas por causa das chuvas

Nilson Marinho (redacao@correio24horas.com.br)
Atualizado em 20/04/2017 19:43:53

Se a água falta na torneira é hora de colocar a criatividade para driblar o racionamento. O esforço deve ser maior ainda para aqueles que dependem do líquido para trabalhar. E é isso que os soteropolitanos têm feito desde quarta-feira (19), quando a interrupção no abastecimento afetou cerca 200 localidades de Salvador e Região Metropolitana. Segundo a Empresa Baiana de Água e Saneamento (Embasa), o abastecimento deve voltar gradativamente ao normal nas próximas 48 horas.

No bairro do Tororó, uma das 69 localidades da capital que sofreram com a interrupção do serviço de água encanada devido ao remanejamento de uma adutora na Avenida Bonocô, a falta de água pegou muita gente de surpresa. Na Associação dos Estudantes Ipiraenses (Aeipi), os 35 universitários precisaram interromper a rotina desde que a água parou de cair. "Tem gente aqui que está desde ontem sem tomar banho, a solução tem sido pegar água em casas que possuem reservatório ou deixar algumas atividades de lado, e não ir para aula", disse a estudante Taise Oliveira, 24. 

E é na hora do aperto que surge na prática a chamada política da boa vizinhança. O aposentado Severino Pereira, 74, por exemplo, tem compartilhado com os vizinhos o pouco de água que ele reservou em dois tanques com capacidade para 500 litros cada."Desde ontem, já foram 10 baldes servidos para os conhecidos, teve até gente que veio com a vasilha do café", disse. Em contrapartida, ele pretende contar com a ajuda dos parentes caso o abastecimento não volte nos próximos dias.

 Os estudantes tiveram que alterar a rotina devido a falta de abastecimento de água (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Enquanto o serviço não é normalizado, o proprietário de um lava jato tem contado com um poço artesanal no fundo do estabelecimento para não deixar os clientes na mão. A água, apesar de insalubre, também tem quebrado o galho dos moradores. "Além desse poço, reservei água em um tanque de mil litros assim que fiquei sabendo da suspensão. Os moradores têm utilizado essa água para lavar os pratos e as roupas", conta ele. 

Às vésperas da inauguração do seu restaurante, no bairro do Garcia, o empresário Adenilson Oliveira, 30, teve que armazenar seis garrafões de água para garantir que os quitutes sejam servidos aos clientes sem maiores imprevistos. Cada garrafão custou R$ 6. Para os próximos dias, caso a água não volte, a solução vai ser solicitar um caminhão-pipa "Haja água pra lavar tanta lambreta e caranguejo", brinca. 

De acordo com a Embasa, o abastecimento permanece interrompido na região porque a obra na adutora não foi concluída no prazo prevista. A intervenção, considerada pela Embasa como de alta complexidade, não foi concluída m função das fortes chuvas que atingem a capital desde a noite de ontem (19/4). A previsão da empresa é que o serviço seja concluído ainda hoje. 

Ás vésperas da inauguração do seu restaurante, o empresário Adenilson Oliveira, 30, teve que armazenar seis garrafões de água no estabelecimento (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

 

Já em alguns bairros da capital e da Região Metropolitana, que ficaram sem água devido à implantação de um sistema que vai possibilitar a transposição de águas da represa da Pedra do Cavalo para a barragem do Joanes II, o abastecimento foi retomado na madrugada desta quinta-feira (20), segundo a Embasa.

A doméstica Rita de Cássia Souza, 52, dessa vez se preveniu assim que ficou sabendo do aviso. Ela encheu alguns baldes e o reservatório antes que água parasse de cair. Esforço que valeu a pena pois a torneira só começou a pingar na casa dela, na manhã de hoje. "Felizmente nunca passei por essa situação de não ter água. Eu e meus vizinhos sempre fazemos isso", garante. 

Segundo o educador físico Israel Bispo, é comum o racionamento de água no bairro "É complicado, né? uma pena que eles não enxergam o nosso lado e a gente tenha que pagar a conta do mesmo jeito. E é muito difícil viver sem água porque precisamos dela para tudo", reclama. 

Bairros que ainda continuam sem abastecimento: 

Calabar, Av. Centenário, Chame-chame, Av. Garibaldi, Paciência, Ondina, Barra, Garcia, Federação, Jardim Apipema, Graça, Vitória, Canela, Engº Velho da Federação, Rio Vermelho, Centro, Centro Histórico, Tororó, Barris, Santo Antônio, Comércio, Água de meninos, Av. Vasco da Gama, Dique do Tororó, Nazaré, Barbalho, Loteamento Joana D’Arc, Saúde, Macaúbas, Caixa D’água, Cidade Nova, Lapinha, parte da Liberdade, Pero Vaz, Pau Miúdo, Brotas, Engº Velho de Brotas, Acupe, Ogunjá, Jardim Caiçara, Alto do Saldanha, Boa Vista de Brotas, Bonocô, Cosme de Farias, Loteamento Santa Tereza, Matatu, Vila Laura, Luiz Anselmo, Galés, Bandeirantes, Santo Agostinho, Dois Leões, Sete Portas, Baixa dos Sapateiros, Djalma Dutra, Barros Reis (parte), Baixa de Quintas, Estrada da Rainha, Campinas de Brotas, Amaralina, Candeal, Chapada do Rio Vermelho, Cidade Jardim, Horto Florestal, Nordeste de Amaralina, Polêmica, Parque Cruz Aguiar, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas, Itaigara (parte).

publicidade

Salvador

Trânsito em Salvador
-- ºC
-- ºC

    Tábua de Marés

  • Alta02h09
  • Baixa08h21
  • Alta14h39
  • Baixa20h47

Assine o Correio 71 3533-3030

Fale com a Redação 71 3535-0330
Classificados Acheaqui71 3535-3035
Publicidade
71 3203-1812
Rua Aristides Novis, 123, Federação.
CEP: 40210-630 - Salvador, Bahia, Brasil.