À mesa: hora do gole

Gastronomia
05.10.2014, 09:42:00

À mesa: hora do gole

Livro do publicitário Eduardo Sena reúne pequenas histórias de bar

Chope gelado é companheiro para as histórias de bar como as que estão no livro Hora do Gole (Foto: Angeluci Figueiredo)

Até acho engraçado quando alguém chama para um happy hour. Primeiro porque ninguém é livre de pecado. E eu não sou tão fã de bar. Cerveja nunca foi o meu forte. Aliás, bebida nenhuma. Felizmente,  o vinho me serviu de inspiração e fui ficando com melhor paladar com o tempo. O vinho foi uma descoberta já meio tardia. Mas antes tarde do que ficar na ignorância.

Em compensação, comida sempre foi o meu forte. Então, sempre fui mais de restaurantes do que de bares. Mas reconheço que é no bar, no início da noite, que muita coisa acontece. Já vi muita gente – depois de acumular uma quantidade razoável de bolachas de chope na mesa,  prometendo trocar de emprego, de banco, de mulher – ou de marido. Já vi muita gente que eu tinha como séria caindo no choro porque a ex-namorada (ou ex-mulher) entrou no bar com o ex-melhor amigo.

Milton Nascimento e Fernando Brant já disseram maravilhosamente bem:     “Nada de novo existe neste planeta/Que não se fale aqui na mesa do bar...” O encontro do olhar com a espuma do chope que se desfaz com o ar parece atrair uma profunda necessidade de filosofia. Depois, claro, que o garçom já tenha feito uma peregrinação à mesa que daria quase a distância de meia maratona.

Hora do Gole, livro de Eduardo Sena (Foto: Divulgação)

Antes dessa fase, os garçons quase não dão vencimento aos pedidos, a cozinha insiste em trocar os pedidos dos clientes, o cozinheiro se aborrece porque não há bolinhos de bacalhau suficientes saindo do óleo quente para despachar todas as comandas, todos ficam de olho na moça nova que chegou com o cara feio  que sempre vem com uma nova, pura dor-de-cotovelo (para as mulheres, a moça nova não é tão nova assim, e o cara feio tem um jeito de moço carente de atenção).

Nessa fase, ainda no início da noite,  os homens contam vantagens sobre as mulheres, e as mulheres reduzem as vantagens sobre os mesmos homens a quase zero. Tudo bem. Não sou um bom frequentador de bar, mas sempre fui bom em reparar o que acontece à minha volta ou com os amigos que estão por perto. E lembrei de tudo isso porque um bom amigo de redes sociais - seguimos um ao outro no Instagram - me mandou um livro.

Eduardo Sena é publicitário, escreve para blogs e para revistas e tem um olhar e um ouvido muito bons para guardar histórias publicáveis passadas nos bares. A Hora do Gole traz pequenas histórias que sempre lembram coxinhas bem recheadas. Aqui, com muito bom humor. Quando as histórias não se passam em bares, sempre tem um chope ou uma cerveja por perto. Ou a consequência de muitas cervejas e de muitos chopes. É impagável a história sobre as festas infantis.

O livro está disponível para compra pela internet, no site loja.likestore.com.br/horadogole. É o primeiro livro de Eduardo Sena. E, pela última frase que entrego aqui, você pode ver que vale a pena: “Algumas coisas nunca mudam. Ainda bem”.

RECEITAS

Bolinho de mandioca e carne seca de forno (chef Marcia Baldan)

Receita com ingredientes simples e de preparo fácil para fazer em casa igual ao boteco

Ingredientes

Massa:

1 xícara (chá) de mandioca cozida e amassada 

1 ovo

1 colher (sopa) de margarina light derretida

½  xícara (chá) de farinha de trigo para a massa

½ xícara (chá) de farinha de trigo para enrolar os bolinhos

2 colheres (sopa) de queijo parmesão ralado

Sal a gosto

½ xícara (chá) de farinha de rosca

Recheio:

500g de carne seca desfiada

1 cebola picada

1 dente de alho amassado

2 colheres (sopa) de molho de tomate

Sal a gosto

Pimenta moída a gosto (opcional)

Cheiro verde

Preparo - Comece pelo recheio. Doure a carne em uma panela antiaderente. Junte a cebola, o alho, o molho de tomates, o sal e a pimenta. Regue com  4 colheres (sopa) de água e deixe cozinhar por dez minutos. Adicione o cheiro verde e retire do fogo. Espere esfriar. Misture a mandioca, o ovo, a margarina light, o queijo parmesão e o sal. Vá adicionando a farinha de trigo aos poucos até ficar uma massa firme. Pegue porções de massa e recheie com um pouco do recheio de carne, deixando no formato de bolinho de boteco, passe na farinha de rosca e coloque em uma assadeira antiaderente untada com azeite. Leve ao forno quente (200°C) por cerca de 30 minutos. Dica: Além de untar a assadeira, pincele os bolinhos com azeite, assim eles ficam crocantes e douradinhos.

Bolinho de bacalhau (rende 40 bolinhos - Chef Vitor Sobral)

O bolinho de bacalhau é um dos mais tradicionais

Ingredientes:

200 gramas de batata

250 gramas de bacalhau da Noruega (posta fina)

50 gramas de cebola picada

20 gramas de salsa picada

100 mililitros de vinho do Porto

50 mililitros de azeite extravirgem

Sal marinho a gosto

Pimenta-do-reino moída na hora a gosto

Noz-moscada a gosto

4 ovos

Óleo de amendoim ou canola para fritar

Preparo - Ferva as batatas, descasque e faça um purê. Reserve. Cozinhe o bacalhau demolhado, escorra a água e retire a pele e as espinhas. Para desfiar a carne, esfregue o pescado em um pano grosso e limpo. Numa tigela, junte o purê de batata, o bacalhau desfiado, a cebola, a salsa, o vinho do Porto, o azeite e tempere com sal, pimenta-do-reino e noz-moscada. Incorpore os ovos inteiros à massa, um a um, até atingir a consistência ideal (a quantidade de ovos depende muito do tamanho de cada unidade e da qualidade da batata). Molde os bolinhos com a ajuda de duas colheres de sopa e frite-os em óleo abundante e bem quente.