Boas notícias

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Por Aninha Franco

A semana foi tão puxada que saquei, ontem, entre o consultório da minha cardiologista, Dra. Dulce, e a casa da Diva do Baixo, Luciano Calazans, que não sabia o que trilhar hoje. As trilhas são pensadas durante a semana e descem pra tela às sextas-feiras. Perguntei a Bruno, meu condutor Uber, o que ele gostaria de ler quando abrisse o jornal, sábado, e ele me respondeu que boas notícias! Difícil, Bruno, respondi, mas posso inventá-las. Só a ficção pode noticiar coisa boa neste Brasil panela de pressão que cozinha merda sem tempero o tempo todo. E me veio que a melhor notícia que Bruno e todos nós, brasileiros e brasileiras, otários e otárias, poderíamos receber era que alienígenas incorruptíveis passando por nossa emissão de fluídos e energias aéreas, compadeceram-se da nossa agonia e soltaram sobre o Brasil o Pó da Verdade, obrigando todos os seus humanos a ela.

Milhares de políticos no Congresso iniciaram os discursos de sempre, recheados de mentiras patrimoniais, e as frases saídas lembravam delações premiadas. Sem conseguir falar de suas únicas preocupações com o Brasil, eles mesmos, durante seus intermináveis mandatos, porque pensavam projeto e saía roubo, porque pensavam partido e saía quadrilha, eles entraram em recesso. E a situação do Executivo não foi melhor. O Presidente emudeceu imediatamente quando percebeu que tudo o que dizia poderia ajudar Janot em sua cruzada. Lula pegou o avião de um amigo e saiu do País com o passaporte de outro. Mas lá, na Venezuela, único País onde não seria preso falando a verdade, não discursou porque no discurso elogiava Moro. Muito.

Empresas de televisão, de rádios, jornais, saíram do ar, pararam as máquinas porque a verdade começou a fazer um estrago irreparável, inclusive nas propagandas que contavam aos consumidores as essências de seus produtos. As propagandas dos governos eram provas irrefutáveis do uso criminoso que publicitários e gestores fazem do Erário. Por que isso, por que isso? Perguntavam os velhos ratos da política brasileira. E saía: – Roubei tanto e vou morrer. Morrer! Que despropósito! Deveria existir uma maneira de comprar a morte. Não há.

E essa, Bruno, era a boa notícia que eu gostaria de dar nesta trilha cansada das habituais notícias brasileiras. Mas ela depende da generosidade dos alienígenas.

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Nossa sorte é que o Congresso trabalha pouco. Se trabalhasse todos os dias, nós, brasileiros e brasileiras, otários e otárias, já estaríamos presos em cercados, como as galinhas crescidas em cativeiros, obrigados a por impostos sem parar para bancar os salários, a frota de carros, o auxílio moradia, as verbas para gasolina e correio (?), etc., etc., etc. Trabalhando o pouco que trabalha, ele propôs dois petardos contra a Sociedade na reforma política que se reformará a pior: um fundo eleitoral que transfere 3,6 bilhões das prioridades brasileiras para bancar campanhas políticas incapazes de apresentar programas ou realizar debates e usa, com freqüência, a compra de votos, e o distritão, um modelo eleitoral que só é adotado no Afeganistão, na Jordânia, no Vanuatu e nas Ilhas Pitcairn, um arquipélago de 56 habitantes para onde todos os deputados que votarem nele devem ser enviados. Para sempre.