De porta em porta: revenda dá lucro de até 100% e ganhos acima de R$ 10 mil

economia
06.07.2016, 06:45:00
Atualizado: 06.07.2016, 07:40:06

De porta em porta: revenda dá lucro de até 100% e ganhos acima de R$ 10 mil

Mercado de vendas diretas viu a crise se tornar oportunidade para empresas se aproximarem mais dos consumidores

Mais do que nunca, eles podem bater na sua porta a qualquer momento. O mercado de venda direta se tornou uma alternativa para aqueles profissionais que ainda não conseguiram se recolocar no mercado de trabalho ou precisam incrementar a renda. Em empresas como a Up Cosméticos, o lucro pode chegar a 100% com a venda de perfumes da marca. Ainda há outras com oferta de ganhos que alcançam R$ 10 mil ou mais por mês, a depender do desempenho nas vendas para empresas como a Polishop e a Ecotrend (veja a lista completa).

E por conta disso tem gente vendendo de tudo - de vasilha plástica a produtos de beleza - para conseguir, inclusive, dobrar o valor do salário. Uma destas pessoas é a assistente comercial Margareth Messias, que tira por mês um lucro de R$ 2,3 mil vendendo produtos da Mary Kay. O faturamento animou tanto Margareth que ela pediu demissão do emprego só para se dedicar mais às vendas. 

Margareth Messias conseguiu dobrar o valor do salário que tinha
(Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

“Vendo Mary Kay há cinco meses e consigo um lucro mensal que é quase o dobro do meu salário. Preciso ter um faturamento ainda melhor, por isso pedi demissão e estou só cumprindo o aviso-prévio”, conta. Ela chega a vender R$ 4 mil por mês só utilizando o WhatsApp e  redes sociais. “Tenho maquininha e divido em até três vezes no cartão. O que não dá é para perder venda”, afirma ela.

No caso do advogado Pedro Fontes, os ganhos como revendedor direto da Polishop  passam de R$ 10 mil por mês. “Não fazia nem ideia que poderia ganhar esta renda toda. É um segmento no qual dá para começar a trabalhar já ganhando”. O advogado deixou de dar aulas como professor universitário para se dedicar mais às vendas. “Comecei para ter um extra. Continuo advogando, mas deixei de ser professor e foquei  na formação de uma equipe de vendas porque é muito mais rentável”, garante Pedro. 

Leia também: 
Veja 25 opções de canais de venda direta disponíveis no mercado

De acordo com a diretora-executiva da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abeved), revendedores como Margareth e Pedro seguraram o desempenho do setor neste momento de retração econômica. “Resistimos bravamente no ano de 2015. Para a empresa, a vantagem é estratégica porque através da venda por relações é possível comercializar com mais propriedade”, diz. 

Segundo o levantamento de dados realizado pela associação, o segmento movimentou R$ 9,11 bilhões em volume de negócios no primeiro trimestre deste ano.  O número de revendedores diretos apresentou crescimento de 1,18% em comparação com o mesmo trimestre do ano passado. Atualmente, são aproximadamente 4,4 milhões de pessoas atuando no setor  em todo o país.

Oportunidade
A técnica de  planejamento Ingrid Mayder preferiu diversificar o mix de produtos para alcançar um lucro maior. Ao todo, ela vende três catálogos diferentes. “Vendo Avon, Natura e Demillus, tudo ao mesmo tempo. Tiro uma média de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil por mês, que acaba se tornando uma renda para pagar a faculdade”, diz. O principal problema, no entanto, é o risco de inadimplência. “A única dificuldade é essa. Mas aí fico no pé. Encho o saco e consigo resolver logo”, completa ela.

Ingrid Mayder vende produtos de três catálogos diferentes
(Foto: Almiro Lopes/CORREIO)

É esta disposição para vender que tem atraído o interesse de marcas que buscam melhorar o faturamento com o aumento dos canais de distribuição e reverter os efeitos  das  sucessivas quedas nas vendas no varejo. Por conta disso, há cerca de um mês, a Contém  1G trouxe de  volta o sistema de vendas diretas da marca. 

“A crise no varejo é notória. Temos aí mais um canal de venda que pode proporcionar um faturamento maior e também dá oportunidade para quem perdeu o emprego em função desta mesma crise”, assegura a gerente de expansão da marca de cosméticos, Joelma Francisco. As revendedoras serão maquiadoras capacitadas, inclusive, para ministrar cursos de automaquiagem. O investimento no kit de adesão é de R$ 480, com margem de lucro de 30%.

Mais ganhos
Valor de investimento baixo e lucro de até 100% na revenda são as apostas da Up Cosméticos para vender mais mesmo que na crise. “Nosso momento está muito bom e o faturamento responde bem a isso”, explica o diretor de Marketing de Relacionamento da Up, Sérgio Buaiz.  De acordo com ele, a venda direta consegue ter sucesso porque mantém uma relação mais próxima com o consumidor. “A estratégia da venda direta é na emoção mesmo. O produto não está disposto em uma prateleira, ele entra na casa pela porta da frente”.

Na Mahogany, Salvador ocupa a primeira posição entre as cidades do país com participação no canal de vendas diretas. “Do final do ano passado para cá houve um boom nisso e aí percebemos um canal onde temos muito espaço para crescer”, analisa o gerente de novos negócios da empresa, Telmo Campo. A Mahogany tem, atualmente, quatro mil revendedores domiciliares que podem alcançar lucro de 42% com a comercialização de produtos.

Por conta do momento favorável, a Herbalife também está investindo mais na Bahia, com a inauguração  de quatro novos pontos de acesso da marca que atua no setor de nutrição e bem-estar.  As unidades estão localizadas em Salvador e nos municípios de Barreiras, Ilhéus e Vitória da Conquista.  “Boa parte dos consultores começa quando está no sufoco, mas permanece e se torna embaixadores da marca”, assegura o diretor de Vendas e Eventos da empresa, Jordan Rizetto.

A Handara atua no segmento de moda feminina e é outra marca que tem feito um trabalho focado no mercado de venda direta para atrair mais consultoras. Nos últimos três meses comparado com o mesmo período do ano passado, o número de revendedoras cresceu 200%, conforme estimativa do supervisor comercial da marca na Bahia, Gerônimo Alencar. 

“As pessoas não podem ficar sem renda. Elas saem de casa mais persuasivas e apostam todas as fichas em não perder venda, o que pra gente tem significado uma superação no volume de vendas”, reforça.

Especialista dá dicas para melhorar o lucro com vendas diretas
Diferentes representantes do segmento de venda diretas são unânimes em afirmar que o ganho do revendedor depende muito da estratégia de venda que ele vai utilizar para fidelizar os seus clientes. Para otimizar o resultado destas vendas e melhorar o retorno financeiro, o CORREIO conversou com o gerente da Unidade de Acesso a  Mercado do Sebrae Bahia, José Nilo Meira que listou algumas dicas importantes para aqueles que querem ganhar mais com vendas diretas. Veja a entrevista completa:

Quais as vantagens para o revendedor ao partir para a venda direto como uma alternativa de emprego e incremento de renda?
A venda direta é uma atividade empreendedora onde se investe pouco para obter um ganho real. Ao optar por atuar neste setor é necessário fazer primeiro a escolha de um produto que tenha uma boa saída. Fazer mesmo um estudo sobre isso e buscar uma empresa de confiança que tenha um bom sistema de pós-venda e possa também auxiliá-lo. Vale também a opção por um produto que o revendedor acredite na eficiência e qualidade dele, em que se sinta confortável vender aquilo.

Como facilitar estas vendas e a esta inserção no mercado?
Conhecer o que está vendendo. Com isso, o consultor vai para a rua sabendo exatamente quem demanda por aquele produto. No entanto, nunca apele com aquele discurso de “compre para me ajudar”. Muito pelo contrário: a ideia é que aquele produto resolva a necessidade de quem está comprando.

Com relação a abordagem do consumidor, que estratégias podem ser utilizadas para  garantir a venda?Primeiro é conhecer a pessoa e saber também se ela tem capacidade de compra para pagar por aquele produto para que seu lucro não seja comprometido. Aposte nas vantagens e use todas as técnicas de venda a favor do que está vendendo. Geralmente as boas redes capacitam seus consultores para isso.

Muitas vezes, o vendedor acaba sendo chato quanto insiste demais. Dá para vender algo sem ter que vencer pelo cansaço, o consumidor que está cauteloso em gastar?
Não exagere na abordagem. O consultor tem que resolver um problema e não criar um novo. Escolha produtos que tenham demanda. Atenda bem, trate bem. Processar a venda de forma agradável faz com que o consultor crie laços  e fidelize seu cliente sem forçar a barra.

As redes sociais podem ser um aliado para aumentar o volume de vendas?
Com certeza, sim. Hoje as redes sociais são plataformas de fácil acesso a muita gente com custo zero. É um canal muito importante onde o consultor deve saber usar com sabedoria para acessar as pessoas e otimizar seus ganhos.