Especial Hackathon+Salvador: Entenda a maratona de inovação e veja os principais resultados

Especial Hackathon+Salvador: Entenda a maratona de inovação e veja os principais resultados

Evento reuniu empreendedores e criativos no Centro Histórico nos dias 15 e 16 de julho. Saldo positivo são dez propostas de soluções para dinamizar a cultura e a economia da região

À primeira vista, Hackathon parece alguma vitamina para atletas. Ou o nome de um game novo. Mas, calma,  não é nada disso. A palavra nasce da junção de hacker com  marathon (maratona, em inglês) e embora tenha relação com esforço, não é esporte. Hacker nesse contexto não é o sujeito que invade sistemas e rouba senhas, mas quem é capaz de quebrar problemas complexos em pedaços mais simples de solucionar. Um hackathon é uma maratona de programação que envolve pessoas usando ferramentas digitais para criar projetos inovadores em qualquer área.

Renata Correia, diretoria e acionista do CORREIO, deu boas-vindas aos maratonistas

(Foto: Roberto Abreu

Este ano, para abrir o Fórum Agenda Bahia 2017, o CORREIO decidiu apostar em um evento diferente e mais conectado com os tempos atuais, nos quais cada vez mais a tecnologia vira ferramenta para resolver questões sociais. Junto com a aceleradora de startups Rede+, o jornal lançou o Hackathon+Salvador, que nos dias 15 e 16 de julho reuniu dez equipes para competir na criação de sugestões de impacto social para o Centro Histórico.

No total, a maratona de inovação teve 542 pessoas inscritas e, dessas, 50 foram selecionadas para competir. Os escolhidos formaram um grupo multidisciplinar. Além de estudantes e profissionais de Tecnologia da Informação e Design, tinha gente de Economia, Engenharia, Arquitetura e Urbanismo, Publicidade, Jornalismo e até criadores das próprias startups.

Rodrigo Paolilo, da Rede+, motivou os competidores durante todo o evento

(Foto: Roberto Abreu/CORREIO)

Após uma visita técnica ao Centro Histórico, para conferir a realidade local, os maratonistas receberam vasto material de pesquisa sobre a história e os principais problemas da região divididos em cinco temas: turismo, mobilidade, cultura, governança e vida empreendedora.

Durante 33 horas eles se concentraram no prédio histórico da Faculdade de Medicina da Ufba, no Terreiro de Jesus, para montar seus projetos, que foram exibidos  durante 10 pitches (apresentações relâmpagos com foco em conseguir investidores). Uma comissão julgadora avaliou as ideias e escolheu as três melhores, que foram premiadas.

Apoiadora institucional do evento, a Prefeitura de Salvador, por meio da Secretaria de Mobilidade (Semob) e da Diretoria de Gestão do Centro Histórico, manifestou interesse em analisar as ideias dos maratonistas.

O objetivo do Hackathon era esse mesmo: criar um banco de sugestões inovadoras para a cidade. Agora é correr atrás de viabilizá-las. 

Público foi liberado para filmar e fotografar, já que o foco do evento era inovação e tecnologia

(Foto: Roberto Abreu/CORREIO)

Mentoria turbinada

Como traduzir as complexidades do Centro Histórico em projetos viáveis social e economicamente? Contando, claro, com a ajuda de 25 mentores voluntários que mais pareciam anjos da guarda. Eles ajudaram as ideias mais mirabolantes das equipes a manterem o vínculo com a realidade.

Especialistas em design, desenvolvimento, modelo de negócios e empreendedorismo se juntaram a representantes de entidades públicas e integrantes da comunidade local para auxiliar os maratonistas a darem sentido às suas propostas. Como disse uma das mentoras, a intenção era unir a experiência do território que moradores e especialistas acumulavam com a inovação e os recursos tecnológicos, domínios dos maratonistas. Casou certinho!

Virote dos zumbis

Equipes trabalharam por 33 horas nos projetos (Foto: Roberto Abreu/CORREIO)

Encarar 33 horas sem dormir e manter a criatividade afiada na elaboração dos projetos foi um desafio que os maratonistas venceram com esforço. Os ‘cyberzombis’ não comeram cérebros para dar energia, mas consumiram pizza, barras de cereal, paletas mexicanas, maçãs e muitos litros de café. Apareceu até um ou outro bocal de caneta mastigado.

Para descontrair, teve sessão de alongamento, polichinelo e corrida com o personal trainer Renato Figueiredo, que não teve pena dos insones e botou todo mundo para se mexer. Na manhã do evento, os sobreviventes da noite em claro mantinham-se meio cambaleantes, mas obstinados diante de seus notebooks, para finalizar o material que seria apresentado no encerramento da maratona.

De tênis e mochilas

Uma semana antes da maratona, competidores visitam monumentos históricos

(Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

Antes de encarar o desafio criativo, os selecionados para o Hackathon+Salvador fizeram uma visita técnica ao Centro Histórico, no sábado anterior ao evento, 8 de julho, acompanhados dos guias da Bahia Tours, que explicaram o contexto da região desde as origens da cidade.

O roteiro a pé começou na Praça Castro Alves e foi até o Largo do Pelourinho, passando pela Santa Casa de Misericórdia, Praça da Sé, Terreiro de Jesus, Cruzeiro de São Francisco e Igreja da Ordem Terceira. De mochilas nas costas e tênis confortáveis, os maratonistas registraram com seus smartphones todas as belezas e problemas do trajeto; e anotaram dúvidas e insights. A ideia era ter material de campo para ajudar na criação de soluções viáveis para a região.

As inspirações

Cinco especialistas inspiraram competidores com suas palestras na abertura do evento

*Com reportagem de Alexandre Lyrio, Andreia Santana, Carol Aquino, Luan Santos e Saulo Miguez