Flica atrai grande público e agita cidade com ampla programação; confira

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07.10.2017, 09:32:42
Atualizado: 07.10.2017, 11:55:49
Incentivo à leitura: na Flica, a criançada tem tratamento especial (Foto: Camila Souza/GOVBA)

Flica atrai grande público e agita cidade com ampla programação; confira

Evento segue até este domingo (8)

Ao sair das mesas de debate da Festa Literária Internacional de Cachoeira (Flica), um ouvido apurado logo identifica o burburinho vindo das ruas da cidade histórica que nessa época do ano fica cheia com  pessoas de vários lugares. Uns passos adiante e o som de um carrinho de sorvete toma conta da cena: “Sorvete Deli Deli. Quatro bolas por R$ 10. Isso mesmo. Sorvete gostoso e saboroso”.

Rodeado por  estudantes que não resistiram ao marketing, o vendedor de sorvete Davi de Jesus, 37 anos, se recusa a dar entrevista ao CORREIO. “Nós está no corre!”, justifica, enquanto atende três pessoas ao mesmo tempo. Somente quando os dez litros de sorvete acabam (duas horas depois do início das vendas) é que Davi resolve contar que veio de Feira de Santana só para vender sorvete no evento literário que começou na quinta e termina amanhã.

“Me falaram que era a maior feira literária e eu vim ver com meus próprios olhos!”, sorri o rapaz que trabalha há 15 anos no ramo. E o que achou? “A venda está abençoada. O público chega junto mesmo. Mais de 100% de lucro, sem hipocrisia. Mas você vai colocar isso no jornal, é? Ai meu Deus... A concorrência não pode saber, senão vai querer vir também”, brinca o sorveteiro Davi.

Depois do sucesso de vendas do primeiro dia, o rapaz voltou ontem com 20 baldes de sorvete, de dez litros cada, mais um carrinho e o reforço de um colega para conseguir dar conta das vendas durante a Flica. “Pra gente que sobrevive desse tipo de evento, esse foi o melhor. Aqui é maravilhoso demais!”, comemorou, enquanto corria para o carro para repor o estoque.

Turismo
O passeio por Cachoeira segue e mais adiante  cerca de 70 estudantes da Escola Municipal Arlette Magalhães, de Salvador, criam o clima de sambão na escadaria da Câmara de Vereadores, enquanto aguardam para fazer uma visita ao museu. Até uma das professoras responsáveis pela turma mostrou o samba no pé. “A gente chegou há pouco tempo e vai voltar ainda hoje. Mas dei uma sambadinha básica, né”, ri a professora de História Sandra Maurício, 49.

Passando com a mochila nas costas e acompanhada de uma amiga, a estudante de História Beatriz Monteiro, 25, conta que saiu de Ruy Barbosa, na Chapada Diamantina, na “cara e na coragem” para visitar a Flica. “Ainda não sabemos onde vamos dormir, porque está tudo cheio, tudo lotado! Mas encontramos umas conhecidas que ofereceram ajuda”, revela.

Depois de acompanhar as mesas de ontem, Beatriz e a amiga, a estudante de Letras Lidalva Oliveira, 22, resolveram fazer um passeio para conhecer outros atrativos de Cachoeira. “A cidade é muito bonita, carrega aquela coisa histórica e um evento como a Flica movimenta bem a cidade. Desenvolve o turismo, a economia... Hoje, a fila de sorvete e pipoca estava grande de dar dó!”, conta. “Uma festa como essa é ótima para Cachoeira e faz o turista querer voltar em outras épocas”, completa.

Com outros olhos
Se a ideia é curtir uma programação diferente das mesas de debate da Flica, não faltam opções durante o passeio pelas ruas históricas. Para as crianças, a Fliquinha apresenta hoje atrações como a contação de histórias do livro A Magia dos Sonhos, de autoria de Raissa Martins, criadora do projeto Livres Livros, em evento mediado por Mira Silva, às 9h30.

A programação da Fliquinha, este ano, conta com mais de 20 atrações e 16 autores, sendo a maior desde sua criação há cinco anos. “O espaço está ficando pequeno para comportar”, diz Mira Silva, curadora da Fliquinha, em parceria com Lilia Gramacho. Abrigada no  Cine-Theatro Cachoeirano, ela pode ganhar um espaço maior em 2018. “A gente sente que é necessário, porque as crianças estão participando, se interessando”, justificou Mira.

Outro atrativo é a Biblioteca Móvel da Fundação Pedro Calmon, que oferece pinturas, apresentações de coral, sarau e poesia para crianças, em plena praça. Já quem for conferir a Casa do Governo, vai encontrar exposições com obras dos estudantes da rede estadual de ensino, além de oficinas de máscara e turbantes, apresentações de música, dança e lançamento de livros, das 9h às 20h. Hoje, tem atividades como apresentação da Cia. de Teatro Cabriola, às 10h, e sarau itinerante de poesia, às 15h.

“Os estudantes são responsáveis pela transformação social. Eles são agentes criadores e esse movimento precisa ganhar asas além das escolas. Aqui a gente junta todos os interesses, todos os gostos. Cachoeira é um lugar de intercâmbio cultural e nós estamos em um momento de efervescência cultural”, elogia a coordenadora de projetos intersetoriais da Secretaria de Educação, Nide Nobre, 57.

Sentada em um degrau da Igreja do Convento do Carmo, onde funciona o Espaço das Editoras Baianas, a estudante paulista de Pedagogia  Sara Suzini, 34, destaca que a Flica tem a capacidade de mostrar a cidade de Cachoeira de outra forma para turistas e cachoeiranos. “Você consegue ver Cachoeira com outros olhos, esquece a violência e a criminalidade e só vê cultura, patrimônio histórico. Ninguém sai da Flica sem uma literatura. Isso é maravilhoso”, elogia.

Destaques de hoje

Jornalismo literário
Mesa: Entre a Ficção e a Notícia: Limites, Contrapontos e Narrativas Possíveis, com Ricardo Ismael e Francisco José (10h)

Conectadas
Mesa: Verbos Implacáveis, Surtos Criativos, Angústias Favoritas, com a youtuber Jout Jout e mediação de Tia Má (14h)

Feminismo
Mesa: Escrita de Resistência Contra os que Desejam Sufocar Nossa Voz, com Minna Salami(Nigéria) e Cidinha da Silva (17h)

Poesia e Resistência
Mesa: A Máxima Potência que Habita as Palavra, com Paulina Chiziane (Moçambique) e Elisa Lucinda (20h)

Fliquinha
Grupo Corrupio apresenta o espetáculo Encantamentos na Fliquinha (16h30)

Território Flica
Espetáculo musical As Três Irmãs do Sertão, que mistura Anton Tchecov com Luiz Gonzaga e Patativa do Assaré (19h)

Livros
Lançamento dos livros Comentários do Estatuto de Igualdade Racial, Calú: Uma Menina Cheia de Histórias, de Cássia Valle e Enegrecimento Antológico (Diálogos Insubmissos), de Dayse Sacramento (a partir das 14h)

Música
Show do cantor e compositor Maviael Melo, na Escadaria Flica (22h)