Inadimplência: A complexa arte de cobrar quem deve

Inadimplência: A complexa arte de cobrar quem deve

Abordagem calma e negociação são os caminhos mais adequados para fazer cobranças

Em um país com 60,1 milhões de inadimplentes e cerca de 14 milhões desempregados -  segundo o SPC Brasil e o IBGE - , cobrar dívidas de clientes devedores é das tarefas mais  difíceis, principalmente para os empreendedores individuais (MEI), micro ou pequenos. Eles que, na maioria das vezes, lidam com a clientela de forma mais pessoal e direta. 

“É necessário abordar com educação, estudar a dívida e oferecer parcelamentos, outras formas de pagamento, prazos mais longos ou até permutas”, explica Guilherme Porto, presidente da Plusoft, empresa paulista especializada em soluções de Gerenciamento de Relacionamento com o Cliente (CRM). 

Apesar disso, o diretor-financeiro da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Vital Souza, alerta  que o MEI jamais pode abrir mão do crédito ou permanecer com clientes em estado de inadimplência constante por medo de intimidar o devedor. 

“Às vezes é melhor abrir mão desse cliente, porque sem os pagamentos o empreendimento mal consegue sustentar custos básicos. Clientes inadimplentes colocam empreendedores em situação de inadimplência”, afirma. 

Vital também indica que o empreendedor tenha sempre uma quantia de dinheiro guardada para tapar os buracos deixados pelos devedores sem prejuízos tão grandes. Ele também  incentiva um cadastro de clientes organizado e com todas as informações da dívida, para cobrar com propriedade e sem risco de perder o freguês.

A microempresária Adriana Velasco,  dona do pet shop Amicão, registra os clientes em fichas preenchidas à mão e garante que essa prática evita a inadimplência. De acordo com o contabilista e advogado Gilberto Bento Jr. é possível recorrer à Justiça caso o pagamento não ocorra e fazer com o que cliente assine um Termo de Confissão de Dívida. Gilberto também realizou um estudo sobre os quatro principais tipos de devedores no Brasil (veja no quadro abaixo).