Isaquias Queiroz: 'Em 2020 vou atrás do ouro que me falta'

Canoagem
12.06.2017, 08:20:00

Isaquias Queiroz: 'Em 2020 vou atrás do ouro que me falta'

Em entrevista exclusiva para o CORREIO, canoísta fala dos resultados que teve após a Rio-2016 e da expectativa para o novo ciclo olímpico

Na última quarta-feira (7) o governo do estado lançou edital para a criação de três centros de formação em canoagem nas cidades de Itacaré, Ubatã e Ubaitaba, no sul baiano. Presente ao evento, Isaquias Queiroz, natural de Ubaitaba e vencedor de duas medalhas de prata e uma de bronze na Rio-2016, falou em entrevista exclusiva ao CORREIO do momento que vive após os Jogos e da expectativa do nascimento do seu primeiro filho. Sua noiva está grávida de sete meses de um menino: 

Isaquias promete treinar forte para o Mundial em agosto (Foto: Paula Fróes / GOVBA)

Pelas medalhas que conquistou, se sente responsável direto por esse projeto ser levado para a sua cidade e região?
Meio que sim e que não. Sem as medalhas, talvez não existisse esse projeto, mas é uma obrigação do governo da Bahia incentivar o esporte, ainda mais a canoagem, depois que ela deu tantas medalhas para o país. O projeto é muito mais resultado da correria do pessoal de lá: Camila (Lima), Luciana (Costa, treinadoras de canoagem) e Zé Carlos (vereador de Ubaitaba). Eles que vinham sempre para Salvador pedindo por um projeto como esse e por mais atenção aos meninos da região. Eu era um desses meninos. 

Seu melhor resultado após a Olimpíada foi uma prata na Copa do Mundo na Hungria, no final de maio, na prova C1 1000 metros (canoa individual). Como avalia o resultado?
Acho que foi até melhor do que eu esperava, comecei a treinar pouco tempo antes da copa. E quando cheguei lá, perdi apenas para o tcheco Martin Fuksa, que terá um Mundial no país dele em agosto e por isso vem treinando bem mais. Na Olimpíada, ele ficou em 6º. Reconheço que meu nível está abaixo do que eu gostaria, mas era algo esperado depois da Olimpíada. Quero treinar muito mais para o Mundial e prometo chegar bem mais forte.

Por que você treinou pouco para a Copa do Mundo?
É que no ano após a Olimpíada você tem que abaixar o ritmo para descansar o corpo. O atleta é como uma bateria, sabe? A gente carrega tudo para os Jogos e depois descarrega tudo. Depois reinicia do zero e vai carregando aos poucos, para chegar com a bateria no máximo na hora da Olimpíada de novo. Eu até esperava nesse primeiro ano depois do Rio nem conseguir medalha de Copa do Mundo ou Mundial. O objetivo era ‘finalizar’ (chegar à final, no jargão dos atletas). Só que foi melhor do que isso, ganhei medalha. E de prata, ainda...

Para Tóquio-2020, o programa da canoagem foi reduzido às provas de C1 1000 metros (Isaquías foi prata no Rio) e C2 1000 metros (canoa dupla, na qual foi prata ao lado do baiano Erlon Silva). Vai continuar competindo nas duas?
Pois é, infelizmente tiraram a C1 200 metros (na qual Isaquías levou o bronze no Rio), que era mais uma chance de medalha. Então para a próxima Olimpíada eu vou treinar apenas para a canoa individual. A dupla com Erlon acabou. De agora até 2020 vai ser só C1 1000 metros.

Por que a dupla com Erlon acabou?
A gente se juntou só para disputar os Jogos do Rio. A ideia da seleção era chegar forte em todas as provas e depois voltar cada um para o seu barco. O antigo parceiro dele (o paulista Ronilson de Oliveira) havia deixado a seleção, quis se aposentar. Agora, está fazendo dupla com outro baiano, Maico dos Santos, de Itacaré. Eles estão treinando bem juntos, e eu vou poder focar na minha prova.

Como está sua agenda? Vai participar de quais torneios em 2017?
O foco é o Mundial na República Tcheca (entre 23 e 27 de agosto). Lá, vou disputar apenas a C1 1000 metros. Mas antes vou ter um Mundial Sub-23, em julho (entre 27 e 30, na Romênia). Ainda tenho 23 anos, pô (risos). É o último ano. Tenho que participar para botar mais medalha no currículo (mais risos). Porque depois é só Mundial sênior, de gente grande...

Qual adversário você acha que vai dar mais trabalho nesse novo ciclo olímpico? Acha que Sebastian Brendel (atual bicampeão olímpico na C1 1000 metros) vai continuar imbatível?Quem está mais forte agora é o Martin Fuksa (tcheco de 24 anos). O Brendel, como tem mais idade que a gente (29 anos), vem descansando muito mais. Eu, por exemplo, parei de treinar por dois meses, e ele parou por quatro. Por conta da idade Brendel não está mais num nível tão forte. Fuksa não foi tão bem na Olimpíada, treinou menos do que eu e Brendel para o Rio, e por isso está num nível tão bom agora. Quem medalhou na Olimpíada vai demorar mais para recuperar nesse novo ciclo. Isso é normal na canoagem.

Depois da Olimpíada você pediu sua noiva (Laina Guimarães, baiana) em casamento e vai ser pai pela primeira vez em setembro. Vai conseguir conciliar tudo isso com os treinamentos?
Pois é, o pessoal fala que é complicado casar e ter filho, mas eu não tô sentindo, não (risos). A gravidez está bem tranquila, e minha família está cuidando para que eu não me preocupe com o parto. Apesar de ser o primeiro filho, não está sendo bicho de sete cabeças. Ele está previsto para o final de agosto ou começo de setembro, tomara que seja depois do Mundial. Porque aí posso chegar com uma medalha para dar de presente a ele (risos).

Soube que está confusão para escolher o nome do garoto.
(Risos). Pois é, sete meses e não tem nome ainda! Mas parece que a gente acertou que vai ser Sebastian.

Vai colocar o nome do rival (Sebastian Brendel) no seu filho?
(Mais risos) É que eu não considero ele um rival, sabe? Ele é um espelho para mim. Tem muito mais experiência, respeito demais a carreira dele, é um fenômeno da canoagem. Por isso não tenho raiva dele ter ganhado de mim na Olimpíada. Quero ver na próxima.

O ouro é seu em Tóquio?
Com certeza não vou pra lá pra brincar. Não fui ao Rio para participar apenas, fui para competir de igual para igual. Não tem essa de que é alemão, tem dois metros de altura e Isaquías tem um metro, não. Eu vou para competir de igual para igual. E em 2020 vou atrás da única medalha que me falta.