Localização e segurança são fatores que mais influenciam na compra do imóvel

Imóveis
09.08.2015, 21:37:00
Atualizado: 09.08.2015, 21:39:29

Localização e segurança são fatores que mais influenciam na compra do imóvel

Pesquisa revelou que soteropolitano tem uma tendência de estar perto do comércio e lazer

A decisão pela compra de um imóvel é complexa e envolve diversas variáveis. Fatores como o perfil do consumidor, facilidades que a localização proporciona, segurança e condições de pagamento da casa ou do apartamento são apenas alguns dos aspectos considerados por quem está perto de realizar o sonho da casa própria ou quer mudar de residência.   

Segundo pesquisa realizada pelo portal de imóveis VivaReal, entre os elementos que mais influenciam no processo de escolha do imóvel estão a proximidade aos centros comerciais (43%) e a segurança (30%). “Quando a pessoa vai comprar seu imóvel, ela precisa pesar o que quer e necessita. Normalmente procuram facilidades”, explica o vice-presidente do VivaReal, Lucas Vargas. “Morar perto de centros comerciais deixa a rotina mais prática, já que ficarão próximas de serviços, como mercado, shoppings e o próprio trabalho. Além disso, os centros comerciais são mais atendidos por transporte público”, complementa.

As guaritas, com porteiros 24 horas, estão entre os itens de segurança preferidos dos que moram sozinhos
(Foto: Reprodução)

De acordo com ele, a segurança é um aspecto que sempre está em primeiro plano. “É inerente na hora da escolha de uma casa ou apartamento. A pessoa precisa saber se o prédio tem porteiro, se o bairro é movimentado e se é considerado seguro, etc”, revela Vargas.

A preferência por regiões com mais possibilidades de lazer, tranquilidade e conforto aparece em terceiro lugar, com 27% das respostas. “No geral, as pessoas procuram os três aspectos. O próprio imóvel tem oferecido esses aspectos - é possível morar em um prédio no centro comercial, que ofereça piscina, salão de festas, playground, por exemplo”, complementa. Dentre outras variáveis que interferem na compra de um imóvel, Vargas cita o acesso ao transporte, proximidade com o trabalho e se a pessoa está perto da casa de parentes.

Salvador
Na capital baiana, o portal identificou que o soteropolitano tem uma tendência de estar perto do comércio e lazer. “Os bairros mais procurados para venda em Salvador são Pituba, Itapuã e Imbuí. Os dois primeiros são na praia e o terceiro bem perto dela. Itapuã, por exemplo, é um bairro turístico com muitos serviços voltados para os turistas”.

Assim como o diretor do VivaReal, o corretor de imóveis Fernando Cruz defende que o fator mais importante na hora da compra de um imóvel é a localização. “Falo da cidade, do bairro e até mesmo de determinadas ruas dentro do bairro. Nisso entra a proximidade com supermercados, farmácias e estas coisas que fazem parte da rotina das pessoas”, diz. Segundo ele, outro aspecto que deve balizar a decisão do consumidor é a adequação do imóvel às necessidades da pessoa. “Seja em termos de metragem, quantidade de pessoas, número de quartos, garagens, etc”.

O terceiro ponto é o preço e a condição do pagamento. “Havendo um encaixe nesse tripé, há uma grande chance do negócio ser fechado. Isto também depende da negociação e da flexibilidade das partes envolvidas”, pontua. 

Pensando neste conjunto de fatores, o analista de infraestrutura e fotógrafo Dieizon Vitor Barbosa,  27 anos, iniciou o processo de compra de seu apartamento há cerca de um ano e hoje já mora no seu próprio lar. “Alguns amigos me apresentaram ao apartamento, em um condomínio fechado, e o que mais me atraiu foi a condição de pagamento, em conjunto com o local, que é tranquilo e seguro”, conta.

O imóvel dele foi adquirido pelo programa Minha Casa Minha Vida e, através da Caixa Econômica, ele conseguiu financiar 70% do valor do apartamento. “A incorporadora, a MRV Engenharia, também me possibilitou que eu dividisse o valor de entrada. No total, este valor completo girou em torno de R$ 30 mil”, completa.

Ao contrário de Dieizon, a condição de pagamento é justamente o que impede o bancário Glauber Borba, 27, de realizar o sonho da casa própria neste momento. “Estou procurando algo que envolva um pouco de tudo - um lugar seguro, com preço acessível e em um bairro legal. Infelizmente comprar à vista é só para rico – como não é meu caso, quem vai dizer é o banco. Vou aproveitar o máximo da carta de crédito que a Caixa vai me conceder”, revela.

Ele tem preferência por um imóvel usado – por ser mais em conta - e também por uma casa ou apartamento com escada, já que não gosta de locais altos e com elevador. “Já pesquisei muito, mas estou esperando o momento certo, pois o banco não está liberando muita coisa e os imóveis estão caindo de preço. Em um determinado ponto vai estar mais favorável pegar a carta”, acrescenta.

Custos
Segundo o corretor de imóveis Carlos Couto, apesar de a localização ter um peso preponderante na escolha de um imóvel para comprar, o bolso dirá a melhor relação de custo-benefício para cada pessoa. “O comprador hoje tem uma preocupação muito grande com a mobilidade e o tempo perdido nos engarrafamentos e busca conciliar a localização ideal com o que seu bolso pode pagar”, afirma Couto.

Para Lucas Vargas, do VivaReal, o preço dos imóveis é uma variável, mas não é mais importante do que a localização e a segurança. “Quando um comprador tem em mente as características que procura, o valor que ele vai pagar muitas vezes pode ficar em segundo plano com um desses outros fatores sendo preponderante”, garante.

O corretor Gabriel Nunes defende que “tudo depende muito do cliente e a sua motivação de compra”. “Interferem, no momento, o valor do metro quadrado, valores de entrada, poupança e formas de pagamento da mesma. Também influenciam o prazo de entrega do imóvel e as taxas de juros bancárias”.

Segurança
No quesito segurança, o estudo feito pelo portal de imóveis VivaReal destacou que 43% dos casais com filhos e 37% das pessoas que moram sozinhas se sentem inseguros nos bairros onde residem e se mostram dispostos até a mudar de cidade em busca de segurança (36%). “Segurança é uma das principais motivações na hora de mudar de imóvel. Além de buscar por um bairro mais seguro, o consumidor considera fundamental se munir de itens como câmera de segurança, alarme e grades. Os condomínios e casas devem estar atentos às expectativas dos moradores e se adequar para garantir um melhor negócio tanto para venda quanto aluguel”, afirma o vice-presidente do VivaReal, Lucas Vargas.

Quando questionados sobre o que consideram fundamental para se sentir seguros em suas residências, as famílias apontaram as câmeras de segurança (47%), seguida de grades nas janelas (40%) e porteiro 24 horas (38%). Já os que moram sozinhos citaram como principais itens porteiro 24 horas (55%), câmeras de segurança (51%) e interfone (39%). “Cada membro da família tem sua própria rotina. Pais e filhos saem e chegam em casa em diferentes horários. A câmera de vídeo é o item mais importante para a família justamente para que todos consigam acompanhar uns aos outros, caso aconteça algo de diferente nessa rotina. Já para quem mora sozinho, um porteiro 24 horas é o ideal para facilitar o acesso à residência”, justifica Vargas. “Em família, um filho pode avisar ao pai que está chegando em casa e o pai ficará pronto para abrir o portão ou porta, mas quem mora só não tem esse auxílio e a figura do porteiro facilita em qualquer momento do dia”, acrescenta.

Perda do valor real
O preço médio anunciado do metro quadrado teve queda real de 4,94% em 2015 (de janeiro a julho), segundo o Índice FipeZap, que acompanha o preço de venda dos imóveis em 20 cidades brasileiras. Isso porque no acumulado do ano houve um crescimento de 1,51%, valor bastante inferior ao da inflação esperada para o IPCA (IBGE) no mesmo período: 6,79%. Julho foi o sétimo mês consecutivo em que a variação foi menor do que a inflação nos últimos 12 meses, configurando novamente queda real de preços. Em 12 meses, os valores tiveram aumento nominal de 4,03%.

De acordo com o levantamento, esta foi também a nona vez seguida em que o índice registrou queda real de preços na base de comparação mensal, já que o aumento médio de 0,13% em julho foi inferior à inflação esperada de 0,58% para o mês (segundo o Boletim Focus, do Banco Central). Na mesma base de comparação, cinco das 20 cidades tiveram queda nominal (Rio de Janeiro, Niterói, Belo Horizonte, Vila Velha e Curitiba). São Paulo teve alta de 0,10% e Brasília, 0,22%, ante o mês de junho. No acumulado do ano, o Índice FipeZap registra um crescimento em 2015 de 1,51%, enquanto a inflação esperada para o IPCA (IBGE) no mesmo período é de 6,79%.

Com exceção de Florianópolis, todas as outras cidades que compõem o índice registraram variações abaixo da inflação em julho, de modo que Niterói, Brasília e Curitiba tiveram queda nominal nesse mesmo período. Em 12 meses, Niterói tem a maior queda acumulada no preço do metro quadrado, de 2,44%, seguida de Curitiba, que perdeu 0,78%, e Brasília, que teve variação negativa de 0,74%. O valor anunciado do metro quadrado médio das 20 cidades em julho de 2015 foi de R$ 7.614. A cidade com o metro quadrado mais caro continua sendo o Rio de Janeiro (R$ 10.631), seguida por São Paulo (R$ 8.602). Os dois municípios que apresentaram os menores preços foram Contagem (R$ 3.568) e Goiânia (R$ 4.183). Segundo o Índice FipeZap, em julho, o metro quadrado  custava R$ 4.655 na capital baiana.