Moradores da Gamboa de Cima homenageiam Iemanjá com presente ecológico

salvador
28.01.2017, 14:08:00
Atualizado: 28.01.2017, 15:24:14

Moradores da Gamboa de Cima homenageiam Iemanjá com presente ecológico

Uma sereia de material biodegradável foi oferecida à Rainha do Mar, neste sábado, 28

A comunidade do Solar do Unhão, mais conhecida como Gamboa de Cima, festejou neste sábado, 28, a quarta edição do presente ecológico para Iemanjá. Depois do café comunitário, ao som do canto e batuque do afoxé Filhas de Gandhy, um cortejo desceu pelas vielas do bairro até a praia, onde a grande sereia feita somente de materiais biodegradáveis foi colocada em um barco para ser entregue à Iemanjá pelos pescadores.

“O presente ecológico é uma forma educativa de saudar nossa ancestralidade. As pessoas precisam cuidar da natureza e buscar o equilíbrio das energias”, definiu o historiador Marcos Rezende, coordenador-geral do Coletivo de Entidades Negras (CEN), grupo que promove a festa junto com o Museu Street Art Salvador (Musas). 

Presente da comunidade para Iemanjá: sereia de materiais biodegradáveis (Foto: Betto Jr./CORREIO)

Toda a comunidade do Solar do Unhão se envolve na realização da festa, que tradicionalmente acontece um pouco antes do dia de Iemanjá, comemorado em 2 de fevereiro. “Faz parte do ritual da comunidade. É uma tradição e todas as tradições são importantes”, contou o argentino Pedro Serra, que mora no bairro há 16 anos e foi à todas as edições do cortejo, deixando claro o quanto é apaixonado pela cultura baiana.

Enquanto o cortejo passava, os moradores do bairro iam para suas portas e acenavam, sorriam e cantavam junto com o afoxé. A alegria e ar familiar da comunidade deram tom ao evento. “A comunidade recebe com amor e carinho. A importância da festa é a consciência, o deus é um só e todos têm que respeitar. Iemanjá significa a paz e o amor que o mundo tanto precisa” compartilhou o conhecido tio Mario, como ele mesmo gosta de ser chamado, morador orgulhoso do local. 

Moradores carregaram sereia até o mar (Foto: Betto Jr./CORREIO)

Ao chegar na areia, o batuque continuou, enquanto os presentes ecológicos eram colocados em um barco para serem entregues à Rainha do Mar. De canto incansável e tambor nas mãos, a pernambucana Laudiciea Fidelis, do afoxé Filhas de Gandhy, contou que o evento tem um importante simbolismo para o candomblé e que a humanidade precisa ter mais consciência: “Iemanjá é mãe, e mãe precisa ser respeitada”, disse. 

Filhas de Gandhy animam o cortejo (Foto: Betto Jr./CORREIO)

Este ano, a festa comemora ainda um milagre atribuído aos orixás. Há duas semanas, um dos organizadores do presente, o grafiteiro Júlio Costa, acompanhado de um jovem, saiu para velejar. Devido a problemas técnicos, os dois ficaram à deriva no mar durante toda a madrugada. Eles só foram encontrados pela Capitania dos Portos horas depois, por volta das 6h, na Ilha de Itaparica, para onde as ondas os levaram. Por isso, uma homenagem especial foi feita ao caboclo Marujo, protetor dos marinheiros.