Olmo e a Gaivota: uma gravidez para não esquecer

Cinema
05.11.2015, 01:03:00

Olmo e a Gaivota: uma gravidez para não esquecer

A atriz Olivia Corsini protagoniza o drama Olmo e a Gaivota (foto/divulgação)



Se mulher é um bicho esquisito que todo mês sangra, como cantou Rita Lee, imagine quando ela fica grávida e todos os seus desejos, esperanças, medos, humores e hormônios entram em erupção máxima? E nunca uma gravidez foi tão sensivelmente e inteligentemente mostrada no cinema como em Olmo e a Gaivota, documentário que explora os limites entre realidade e ficção, vem sendo premiado em festivais mundo afora e tem produção executiva do ator e diretor americano Tim Robbins (Sobre Meninos e Lobos). Essa sensibilidade e intimidade existem, certamente, porque trata-se de um filme dirigido por duas mulheres: a brasileira Petra Costa (a mesma de Elena/2012) e a dinamarquesa Lea Glob.

O filme conta a história de Olivia (a italiana Olivia Corsini) e o francês Serge (Serge Nicolai), que trabalharam no Theatre du Soleil e estão se preparando para a peça A Gaivota, de Tchekov, em Paris. Quando o espetáculo começa a ganhar forma e o grupo recebe um convite para se apresentar em Montreal e em Nova York, Olivia descobre que está grávida e tudo se transforma. A sequência do teste de gravidez é muito original e terna: separado pela porta do banheiro, o casal canta o clássico Me Sono Innamorato Di Te, do ídolo italiano Luigi Tenco (1938-1967), enquanto Olivia espera o resultado.

Com a gravidez e um hematoma no útero, Olivia é obrigada a ficar confinada no apartamento, enquanto o marido Serge segue trabalhando na peça. Enquanto vemos o crescimento da barriga de Olivia, acompanhamos a sua jornada psicológica, incluindo o fato de uma atriz ter que lidar, sem disfarces, com a realidade em sua própria pele. Por mesclar tão bem realidade (a gravidez) e ficção (a narrativa), Olmo e a Gaivota nos faz esquecer que estamos vendo um documentário.

“Em meus filmes busco criar uma arqueologia de afetos, tentando chegar a níveis profundos de emoções impalpáveis. Me instiga o fato de que, apesar de todo ser humano vir a existir através da gravidez, nunca assisti um filme que conta a jornada psicológica de uma mulher ao longo desse processo. Ainda mais hoje em que a gravidez se tornou uma escolha, e toda escolha tem seus dilemas”, afirma Petra Costa. Bem, Petra e Lea Glob, vocês conseguiram fazer um belo filme sobre o tema. Parabéns.


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Horários:

Esp. Itaú Glauber Rocha 4  15h40 | 19h20 | 21h