Oscar Motomura e Gino Tubaro: a união da filosofia com a prática

agenda bahia
27.09.2017, 23:56:52
Atualizado: 28.09.2017, 00:07:21
(Evandro Veiga/CORREIO)

Oscar Motomura e Gino Tubaro: a união da filosofia com a prática

Jovem inventor e experiente consultor veem o mesmo futuro; os dois participaram de debate no seminário Conexões

Oscar Motomura tem 60 anos. Gino Tubaro, 21. A experiência profissional também é diferente. Tubaro sequer saiu da universidade. Motomura, por todo o conhecimento que acumulou, permite-se filosofar e fala em ideias transformadoras em suas palestras. Tubaro expõe a sua prática. Diferenças à parte, os dois combinaram em suas visões de futuro e se conectaram nesta quarta, 27, quando participaram de um debate no Fórum Agenda Bahia 2017. 

Os dois defendem que para sair do lugar comum é preciso ousar e correr atrás do conhecimento e buscar esse conhecimento fora das salas de aula. “Talvez a faculdade consiga dar o básico do básico, porém, mais de 90% dependem do que a pessoa vai atrás”, destacou Motomura. Ele considera que universidades, empresas e governos, de um modo em geral, estão atrasados, que eles deveriam antecipar-se às mudanças e fazer coisas pioneiras e atrevidas.

“É preciso mudar a lição de casa, buscar o conhecimento. Não dá para ficar no velho modelo de que alguém vai passar o conhecimento em aula. É preciso correr atrás, mudar as escolas, desafiar os professores. Não reclame do professor, se ele não é bom, ensine. As faculdades têm que estar conectadas com a vida”, sugeriu. 

Tubaro seguiu na mesma linha e se usou como exemplo. “A universidade dá ferramentas, mas o que a gente aplica na vida são outros assuntos, a gente aprende muito mais com a vida e não com o que se ensina nas faculdades”, disse, com a autoridade de quem aos seis anos já tinha como diversão preferida montar e desmontar eletrodomésticos e, aos 16, criou sua primeira impressora em 3D.

Mas, para chegar onde chegou, ele teve de bater de frente com as amarras da educação tradicional. “Eu sofria bullying. Como uma criança que inventa coisas pode entrar no colégio e dizer: ‘Professora, eu tenho uma solução para resolver um problema que nós temos aqui’. Era uma coisa que não era muito bem vista numa educação tradicional”.

Ainda assim, o trabalho dele começou a ser reconhecido e os prêmios foram chegando, o que o faz perceber que sempre esteve no caminho certo.

Experiência

Tubaro levou alguns exemplares das próteses que produz em 3D para a plateia conhecer. Enquanto elas circulavam de mão em mão, o público não escondia o encantamento.  “É emocionante  ver como uma coisa que é relativamente fácil de fazer tem impacto tão grande na vida das pessoas. É uma junção de criatividade, de saber fazer, de agir, que traz um retorno e qualidade de vida para as pessoas. Fantástico e com um custo irrisório”, considerou o  gestor de negócios Paulo Rogério, 47 anos.

O médico veterinário Nilton Barros, 61, também conferiu. “Eu achei muito funcional. Sem dúvidas, é um benefício muito grande para quem precisa. Vai permitir que as pessoas que dependem possam se tornar mais autônomas”.

Até mesmo Motomura  ficou impressionado com o trabalho do argentino, que ainda é um estudante do curso de Engenharia Eletrônica em uma universidade pública de seu país. “Sempre tem pessoas que têm ideias e aquelas que aprovam. Tem pessoas que ouvem as ideias e cedem o valor da proposta. Os líderes precisam se preparar para as coisas esquisitas que vão  acontecer”, advertiu o especialista em gestão, estratégia e liderança.

Tubaro, que não tem ainda a vivência de Motomura, também aconselhou os líderes: “Entendo que hoje em dia as empresas necessitam de jovens atrevidos que queiram, de alguma maneira, ajudar com ideias inovadoras. Creio que os jovens têm mais à flor da pele essa coisa da tecnologia do que uma pessoa mais velha. A melhor integração é a da experiência dessas pessoas nos ambientes mais duros e que os adultos possam entender a linguagem dos jovens”.

Motomura deu ainda outra dica: “Uma vez eu vi um especialista dizer que você só deve desistir depois do sétimo não. Um negociador experiente sempre traduz o não. Se não deu certo na segunda tentativa, tem que bolar uma terceira diferente. É um desafio estratégico e eu tenho que ser triplamente estratégico para chegar lá. Quando não somos estratégicos não acontece nada. Se quisermos fazer diferença, temos que ser mais inteligentes do que o sistema que está instalado”.

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