Refrigerante está na dieta de até 32% das crianças brasileiras

saúde
21.08.2015, 21:31:00
Atualizado: 21.08.2015, 21:39:01

Refrigerante está na dieta de até 32% das crianças brasileiras

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, considerou os dados alarmantes

Laís Helena tem 10 meses e sua dieta inclui bolo, biscoito recheado e refrigerante. A menina tem dois irmãos mais velhos - Gustavo, de 5 anos, e Beatriz, de 10 - e quer consumir o mesmo que eles, justifica a mãe. “Ela pega da mão dos irmãos. Criei os mais velhos comendo tudo isso, e hoje eles estão saudáveis. Quando dou refrigerante, eu diluo em água”, conta a dona de casa Bianca de Paula, de 27 anos, sem se dar conta do sobrepeso da primogênita.

Segundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS 2013), feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, os hábitos alimentares de Laís Helena são comuns no País. Seis em cada dez crianças com menos de 2 anos já comeram biscoito, bolacha ou bolo e 32% já beberam refrigerante ou suco industrializado. No Sudeste e no Centro-Oeste estão os piores índices.

Os adultos também estão se alimentando mal, e se exercitando pouco. Uma comparação entre as Pesquisas de Orçamentos Familiares (POFs) realizadas pelo IBGE nos períodos 2002/2003 e 2008/2009, com a PNS, mostra a evolução do sobrepeso e da obesidade dos brasileiros de mais de 18 anos: de 2002 a 2013. Os gordinhos passaram de 42,4% para 57,3% da população, no caso dos homens, e de 42,1% para 59,8%, no das mulheres.

A obesidade subiu de 9,3% para 17,5%, entre os homens, e de 14% para 25,2%, entre as mulheres. São 82,4 milhões de brasileiros com excesso de peso e 30,1 milhões de obesos. A classificação é pelo Índice de Massa Corporal (divisão do peso do indivíduo pelo quadrado da altura). Dos homens de 55 a 65 anos, 64,5% estão acima do peso; entre as mulheres da mesma faixa, a taxa é de 71,4%.

A circunferência abdominal aumentada (mais de 88 centímetros para mulheres e 102 centímetros para homens acomete 37,7% dos brasileiros, sendo mais grave dos 65 aos 74 anos, quando atinge 56,3% da população. Os resultados relacionados aos bebês e aos adultos estão ligados. Uma criança que se alimenta mal tende a perpetuar o sobrepeso, lembrou Durval Ribas Filho, presidente da Associação Brasileira de Nutrologia (Abran).

O ministro da Saúde, Arthur Chioro, considerou os dados alarmantes e chamou a atenção para o risco de o Brasil ter mais obesos no futuro, em decorrência dos maus hábitos alimentares das crianças pequenas. Ele citou a propaganda de alimentos industrializados como um fator que contribui para as escolhas ruins dos pais.

Amamentação
Aliado à má alimentação está também o pouco tempo de amamentação. Apenas 49,4% dos bebês ainda eram amamentados pelas mães entre 9 e 12 meses, segundo a PNS, quando o recomendado pela OMS é que o aleitamento continue até 2 anos, pelo menos. Vacina A pesquisa fez questionamentos ainda sobre vacinação. Apurou que 24,1% dos bebês com 1 ano não haviam tomado as doses da vacina tetravalente, que evita difteria, tétano, coqueluche e meningite.