Veja dicas para conversar sobre finanças com a criançada

Veja dicas para conversar sobre finanças com a criançada

“É um processo educativo que precisa ser continuado e lúdico, quando se trata de criança", afirma especialista

Presente é bom e todo mundo gosta. Mas também é preciso entender que dinheiro não nasce em árvore. Com a proximidade do Dia das Crianças, os pedidos e apelos de consumo infantis ficam ainda mais fortes. E não tem  pai ou mãe que não se veja no dilema entre ceder ou não a estas vontades, mesmo em meio à crise. 

A tarefa de falar sobre dinheiro com crianças não é fácil. Por isso, o CORREIO  conversou com especialistas em educação financeira e economia comportamental e montou um jogo de tabuleiro bem bacana com orientações de consumo onde seu (a) filho (a) vai aprender brincando a como  se relacionar melhor com o seu cofrinho (veja na página).

“É um processo educativo que precisa ser continuado e lúdico, quando se trata de criança, mas para isso, os pais precisam também modificar seus hábitos de consumo”, explica a educadora financeira da DSOP, Meire Cardeal. “Eles precisam dar o exemplo”, completa a especialista.

Coisa séria
 É o que tenta fazer o assistente administrativo Marcel Oliveira na hora que a filha Isadora, de 5 anos, se “perde” nos encantos das lojas de brinquedos. “Sempre digo a verdade e faço as contas com ela. Isa tenta usar o marketing comigo, mas jogo aberto  e explico que não é tudo que dá para comprar com o dinheiro que a gente ganha”. 

Isa e o pai começaram recentemente a fazer uma economia  para a festa de aniversário do ano que vem. “Com o dinheiro do último cofre  ela foi na loja comigo e escolheu uma lavadeira, uma Barbie e um furgão da Barbie”, relembra.

Quem também fala desde cedo sobre dinheiro com os filhos é a universitária Laiane Costa, tarefa  ainda mais importante pois ela tem três crianças: Pedro, 9 anos; Vinícius, 3; e   Samara, 2. Apesar da diferença de idade, a conversa sobre o que dá ou não para comprar é com todo mundo. 

“De primeira tem um ou outro que dá aquela choradinha ou faz cara feia, mas não cedo. A gente tenta fazer alguma coisa que atenda os três e ao mesmo tempo o bolso”.

 Laiane faz questão  de não fazer todas as vontades, ainda que incomode um pouco dizer  não.  “Quando eu era criança sempre tive tudo o que eu quis e hoje, adulta, confesso que tenho dificuldades de ouvir não. Faço de tudo para não repetir isso com eles”, garante.

Querer x poder
A educadora financeira da Dsop Educação Financeira, Meire Cardeal, admite que resistir aos argumentos das  crianças quando elas querem muito alguma coisa é uma das principais dificuldades enfrentadas  pelos pais. “Tem que ter a tranquilidade para dizer não e trazer a responsabilidade de economizar para as crianças também”, recomenda a especialista, que reforça a importância do planejamento: “É fundamental mostrar que as coisas têm preço. Vale a pena montar junto com eles uma estratégia conjunta para reduzir as despesas ou até mesmo juntar o dinheiro necessário para adquirir aquilo que eles estão pedindo”. 

A recepcionista Joice Ribeiro passou por esse aperto quando a filha Bia, de 10 anos, pediu a ela um celular ao mesmo tempo que queria também uma festinha de aniversário.  Só que mesmo depois do mega piquenique que rolou no parque, com direito a tudo que Bia pediu, a insistência pelo celular continua: “Gastei na festa o dobro do que eu previa. Mas ela continuou ‘sofrendo’ por não ganhar o celular”. 

No final das contas, a mãe não resistiu e pretende dar o aparelho no Dia das Crianças. “Sei que vou fazer isso por ela ter me vencido pelo cansaço. Mas Bia é uma menina comportada e que tem boas notas. Tentei adiar, só que acabo fazendo um esforço e cedo”.  

E porque os pais acabam se deixando levar mesmo quando estão no sufoco? Segundo a coordenadora do programa de pós-graduação em Economia Comportamental da ESPM, Flávia Ávila, é comum que os pais tomem decisões por impulso. “Eles tendem a agir de forma emocional”. 

A dica da coordenadora é deixar o cartão de crédito no carro ao ir passear com uma criança no shopping. “O tempo de ir buscar o cartão aumenta a chance de repensar se a compra é realmente necessária ou se isso é apenas uma forma de compensação”.