Wagner Moura fala sobre infância pobre e 'escravidão' no interior da Bahia

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01.07.2017, 16:42:00
Atualizado: 01.07.2017, 17:10:07

Wagner Moura fala sobre infância pobre e 'escravidão' no interior da Bahia

'As pessoas não têm ideia de que a escravidão existe', disse o ator baiano em entrevista à Reuters

O ator baiano Wagner Moura, 41 anos, contou histórias sobre sua infância pobre no interior da Bahia e sobre como o Brasil trata do tema do trabalho escravo, em entrevista à agência de notícias Reuters. Moura, que ficou famoso no Brasil por peças teatrais, novelas e filmes, agora é é embaixador da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e ganhou notoriedade mundial ao estrelar a série 'Narcos' (Netflix), interpretando o narcotraficante colombiano Pablo Escobar.

O baiano contou que viu a escravidão ao seu redor, mas como muitas pessoas, ele acreditava ser normal. "Eu cresci testemunhando muitas pessoas trabalhando em condições horríveis e não sendo pagas, trabalhando por comida ou um lugar para dormir. Eu cresci pensando que esse tipo de coisa era normal", disse à Reuters.

Foto: Reprodução


"Eu lembro de meninas, de 11, 12 anos, principalmente meninas negras. Elas passavam suas vidas trabalhando em casas e algumas não iam nem à escola. Então basicamente elas eram escravas."

Segundo a publicação, aos 17 anos, ele veio morar em Salvador e percebeu que o que havia testemunhado quando criança estava errado. "Foi um choque para mim porque eu realmente acreditava que meio que era o que era... foi quando eu percebi que as pessoas deviam ser pagas pelo seu trabalho", afirmou Moura.

"Eu tenho falado com as pessoas e elas dizem que não tinham ideia de que isso estava acontecendo. Trabalho escravo - do que você está falando?", contou.  

Globalmente existem 21 milhões de pessoas em trabalhos forçados, incluindo crianças, em um negócio que vale 150 bilhões de dólares por ano, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho.

No Brasil, o trabalho forçado é definido como uma forma de escravidão. Isso inclui trabalho em condições degradantes e longas horas que representam um risco à saúde do trabalhador e ou a servidão por dívida.

"Mudanças na nossa definição de trabalho escravo, eu acho que é muito possível que aconteça", afirmou ainda Wagner Moura.