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Dono de empresa que adulterou silicone critica retirada de prótese

Jean-Claude Mas admitiu que seus implantes não tinham aprovação. Mesmo assim, ele afirma que decisão de trocar implantes é 'criminosa'

18.01.2012 | Atualizado em 18.01.2012 - 19:14

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O fundador da empresa francesa de implantes de silicone PIP, Jean-Claude Mas, disse em entrevista a uma rádio nesta quarta-feira (18) que a decisão do governo francês de remover as próteses de todas as pacientes que colocaram implantes da marca é “criminosa”. Mas está sendo processado por ter adulterado o gel interno das próteses da PIP.

Em depoimento no ano passado, ele admitiu ter adulterado o silicone, mas disse que era porque seu produto era “melhor e mais barato”. Agora, ele afirma que “nunca negou” que seu produto não era aprovado pelas autoridades sanitárias e ridicularizou a ideia de que ele seria um risco à saúde.

No final de 2011, o governo francês decidiu que vai pagar a cirurgia de remoção e troca de implantes de todas as mulheres do país que usaram próteses da PIP. No Brasil, no início de 2012, o governo informou que o SUS e os planos de saúde vão bancar a troca de implantes com ruptura ou risco de ruptura e os exames de monitoramento das demais pacientes vítimas da PIP.

Na entrevista, Mas afirma que não há “motivo médico ou científico” para acreditar que o silicone da PIP é tóxico e fez críticas ao ministro da Saúde da França, Xavier Bertrand. Segundo ele, a cirurgia de troca é “arriscada” e a decisão francesa “criminosa”.

Questionando sobre o que foi usado para fazer o silicone da PIP, Mas disse apenas que era “um produto químico usado para fazer muitas coisas.”

Entenda o caso
Os implantes da marca francesa PIP (Poly Implant Prothèse) apresentaram taxas de ruptura acima do permitido em lei. As primeiras denúncias surgiram em 2010. No mesmo ano, em abril, a Anvisa suspendeu o registro da PIP no país, o que proibiu a comercialização e importação da marca. Em janeiro de 2012, após denúncias o registro da marca holandesa Rófil foi cancelado.

Em depoimento, o fundador da empresa admitiu ter usado silicone adulterado e não-testado nas próteses por acreditar ser “mais barato e melhor”.

No final de 2011, a polêmica envolvendo a marca voltou à tona após a morte de uma mulher francesa – segundo o médico que a tratou, a ruptura da prótese teria causado o linfoma que a matou. Na Inglaterra, 250 mulheres entraram com processo. Em 29 de dezembro, a Anvisa cancelou o registro da PIP.

Em janeiro de 2012, após denúncias, o registro da marca holandesa Rófil também foi cancelado. As informações são do G1.

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